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Tarifa de 55% da China pode inviabilizar exportações de carne bovina brasileira, diz diretor da Pine Agronegócios
Publicado 11/05/2026 • 15:40 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 11/05/2026 • 15:40 | Atualizado há 1 dia
KEY POINTS
A aceleração das exportações brasileiras de carne bovina para a China nos últimos meses já coloca o setor diante da possibilidade concreta de esgotamento da cota imposta por Pequim. Para Alê Delara, diretor da Pine Agronegócios, a sobretaxa de 55% prevista após o limite estabelecido pelo governo chinês tende a inviabilizar economicamente novos embarques diretos do Brasil para o principal comprador global da proteína.
Em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (11), Delara afirmou que houve uma corrida antecipada dos exportadores e importadores chineses desde o anúncio da cota de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil. “Realmente houve uma antecipação, uma aceleração por parte dos exportadores brasileiros”, destacou.
Segundo ele, a carne brasileira segue sendo a mais competitiva do mercado internacional, o que estimulou os embarques acelerados no início do ano. “Só no primeiro trimestre do ano já atingimos quase 50% da cota”, afirmou. A expectativa é que, somado o volume já em trânsito, o limite seja alcançado por volta de julho.
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O especialista explicou que o mecanismo funciona por país exportador. Além do Brasil, China também estabeleceu cotas específicas para Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos. “1,106 milhão de toneladas refere-se à cota brasileira”, ressaltou Delara.
Sobretaxa deve interromper novos negócios
Na avaliação do diretor da Pine Agronegócios, a tarifa adicional de 55% praticamente elimina a competitividade brasileira no mercado chinês após o esgotamento da cota. “Ele vai inviabilizar”, afirmou, ao comentar o impacto da sobretaxa.
Segundo Delara, apesar de o Brasil ainda operar como fornecedor mais competitivo do mundo, a margem atual não seria suficiente para absorver um aumento tributário dessa magnitude. “Nós não temos uma margem tão grande para, mesmo com uma taxa dessa magnitude, permanecermos mais competitivos que os nossos concorrentes”, explicou.
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O executivo destacou que o preço da carne bovina brasileira já opera em patamares historicamente elevados. “A carne do Brasil já supera US$ 5.200 por tonelada (R$ 25,6 mil)”, pontuou.
Segundo ele, o mercado já começa a registrar desaceleração de novos negócios diretamente com a China.
Para reduzir os impactos, o setor brasileiro avalia estratégias de redirecionamento comercial para países que ainda possuem cotas disponíveis junto aos chineses. “Argentina completou apenas 27% dessa cota; Uruguai, apenas 15%”, afirmou Delara.
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A lógica seria exportar carne brasileira para abastecimento interno desses países, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai direcionariam sua própria produção ao mercado chinês. “O frigorífico argentino exporta a carne argentina, mas compra a carne brasileira e distribui no mercado doméstico”, explicou.
Segundo o especialista, essa arbitragem comercial pode evitar uma queda abrupta das exportações brasileiras totais, mesmo com a redução dos embarques diretos à China.
Além da América do Sul, os Estados Unidos aparecem como alternativa relevante para absorver parte da carne brasileira. Delara destacou que o país vive atualmente uma crise de abastecimento no setor pecuário. “Os Estados Unidos estão com o menor rebanho bovino dos últimos 10 anos”, afirmou.
Segundo ele, o déficit norte-americano supera 3 milhões de toneladas, o que amplia a necessidade de importações. “O Brasil é o maior exportador, então é o mais forte candidato para suprir grande parte dessa demanda”, ressaltou.
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O especialista lembrou, porém, que ainda existe incerteza relacionada às tarifas defendidas por Donald Trump. Apesar disso, ele afirmou que o fluxo comercial segue positivo. “Estados Unidos e China sustentaram um saldo bastante positivo na balança comercial das exportações de proteína animal”, destacou.
Apesar da expectativa inicial de parte do mercado de que menos exportações poderiam baratear a carne no Brasil, Delara afirmou que o efeito pode ser justamente o contrário.
Segundo ele, uma desaceleração forte das exportações reduziria o ritmo de abates dos frigoríficos, diminuindo também a oferta de cortes traseiros, preferidos pelo consumidor brasileiro. “Nós poderemos, na verdade, ter um aumento de preços na carne no mercado doméstico”, afirmou.
O diretor da Pine Agronegócios explicou que os cortes exportados para a China se concentram principalmente na parte dianteira do boi. Com menor processamento industrial, a oferta de cortes como picanha e contrafilé também pode cair. “Esperar uma queda de preços devido a menores exportações para a China não é uma lógica dentro do mercado pecuário”, concluiu.
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