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Rali de 160% da Alphabet em um ano reflete valor de controlar “grande parte da cadeia” da IA
Publicado 10/05/2026 • 18:40 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 10/05/2026 • 18:40 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
A Alphabet ultrapassou brevemente a Nvidia em valor de mercado no after-market nesta semana, um feito notável para uma companhia que era vista como vulnerável nos primeiros momentos do boom da inteligência artificial.
As ações da empresa acumulam alta de cerca de 160% no último ano, impulsionadas por uma visão crescente em Wall Street de que o Google está bem-posicionado em diferentes áreas da inteligência artificial, seja por seus modelos próprios, sua gigantesca rede de distribuição ou sua unidade de computação em nuvem, que vem captando recursos de outras empresas em expansão no setor.
Entre as outras sete companhias americanas de tecnologia avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 4,9 trilhões), a fabricante de chips Broadcom é a segunda melhor performance no período de 12 meses, com alta de 107% nas ações.
“O Google é uma das duas empresas mais bem posicionadas em IA porque controla grande parte da cadeia”, afirmou Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management. “Chips, modelos, infraestrutura e distribuição. Além disso, é altamente lucrativa.”
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A outra companhia que ele coloca nessa categoria é a SpaceX, de Elon Musk, que se fundiu com a xAI em fevereiro em um acordo avaliado em US$ 1,75 trilhão (R$ 8,6 trilhões).
Após o balanço divulgado pela Alphabet na semana passada, analistas do JPMorgan classificaram as ações da companhia como sua “principal escolha do setor de tecnologia”, destacando um “trimestre excepcional”, aceleração do crescimento e uma carteira de contratos em nuvem que quase dobrou para US$ 462 bilhões (R$ 2,3 trilhões).
Analistas da Mizuho elevaram o preço-alvo das ações e escreveram que as estimativas do mercado ainda subestimam significativamente a receita e o lucro operacional do Google Cloud nos próximos dois anos.
A Alphabet encerrou a semana com valor de mercado de US$ 4,8 trilhões (R$ 23,6 trilhões), atrás apenas da Nvidia, avaliada em US$ 5,2 trilhões (R$ 25,5 trilhões).
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As duas empresas inverteram posições momentaneamente após o fechamento do mercado na terça-feira, depois da divulgação de que a desenvolvedora de modelos de IA Anthropic se comprometeu a gastar US$ 200 bilhões (R$ 982 bilhões) com o Google Cloud ao longo de cinco anos para obter 5 gigawatts de capacidade computacional.
Para os investidores, o acordo foi mais um sinal de que o Google possui várias formas de gerar receita e competir na fronteira da inteligência artificial.
A companhia conta com Gemini e DeepMind em modelos e pesquisa de IA, o Google Cloud em infraestrutura computacional, os TPUs como alternativa à Nvidia e ainda a capacidade de incorporar recursos de IA em produtos como busca, YouTube e Android.
Mesmo assim, alguns analistas demonstram ceticismo.
Uma das principais preocupações envolve o quanto da carteira de contratos da Alphabet pode estar relacionado à Anthropic, startup altamente avaliada e consumidora intensiva de caixa, que vem levantando dezenas de bilhões de dólares junto ao Google e usando boa parte desses recursos em serviços de nuvem e TPUs da própria companhia.
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Caso o compromisso de US$ 200 bilhões (R$ 982 bilhões) da Anthropic seja comparado à carteira de contratos em nuvem divulgada pela Alphabet, ele poderia representar mais de 40% da futura receita contratada.
Gil Luria, analista da D.A. Davidson, afirmou que o cenário lembra o que ocorreu com a Oracle, cujas ações dispararam em setembro após a empresa divulgar um aumento de quase 360% em sua carteira de pedidos.
Pouco depois, tornou-se claro que a maior parte desse crescimento vinha da OpenAI.
“Eles fizeram exatamente como a Oracle fez”, afirmou Luria, que recomenda manutenção das ações da Alphabet. “Disseram que a carteira praticamente dobrou sem informar que quase todo o aumento veio de um único acordo com a Anthropic.”
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O Google não comentou o assunto para a reportagem, limitando-se a citar declarações da diretora financeira Anat Ashkenazi na última teleconferência de resultados.
A Oracle foi penalizada depois que investidores perceberam que grande parte do crescimento de sua carteira estava ligada à OpenAI, com as ações perdendo cerca de metade do valor em cinco meses.
A Microsoft também enfrentou questionamentos semelhantes sobre sua exposição à OpenAI.
Luria vê risco de concentração entre os principais provedores de nuvem.
Segundo ele, Microsoft, Oracle, Amazon e Google somam juntos quase US$ 2 trilhões (R$ 9,8 trilhões) em carteiras de contratos de nuvem.
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Quase metade desse valor, segundo o analista, está relacionada a compromissos assumidos por OpenAI e Anthropic, que utilizam essas mesmas empresas como fonte de capital.
Munster entende a preocupação, mas não compartilha dela, pelo menos em relação ao Google e à Anthropic.
“O acordo mostra o quão cedo ainda estamos na IA”, afirmou. “Mesmo que os casos de uso sejam limitados hoje, a necessidade de computação é exponencial. O Google vai surfar essa onda.”
Segundo Munster, mesmo que a Anthropic enfrente dificuldades, outras empresas de IA acabarão ocupando esse espaço. “As manchetes sobre o tamanho e o risco de um cliente específico perdem o ponto principal”, afirmou. “Se um desses clientes desaparecer, ao longo do tempo haverá dezenas de outros para substituí-lo.”
Onde o Google possui uma vantagem clara e crescente, segundo analistas, é na área de semicondutores personalizados.
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A Mizuho estima que cerca de US$ 61 bilhões (R$ 299,5 bilhões) da carteira de contratos em nuvem do Google até 2027 possam vir das vendas de seus TPUs, e que a maior parte dessa receita será reconhecida no próximo ano.
Isso oferece aos investidores uma alternativa à Nvidia para exposição ao mercado de hardware de inteligência artificial, tema que vem impulsionando ações da AMD, Intel e Micron, todas com mais do que o dobro de valorização neste ano.
Parte da demanda pelos chips internos do Google e da Amazon – que produz o chip Trainium – vem de empresas investidas por essas próprias companhias, segundo Luria.
“Quando Google e Amazon falam da demanda por seus chips proprietários, grande parte disso é demanda cativa”, afirmou. “Não é orgânico.”
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Para Munster, a principal ameaça ao desempenho futuro do Google é que as ações já incorporam boa parte dos ganhos esperados. Ele compara a situação à da Nvidia, que continua registrando forte crescimento, mas deixou de ser premiada pelo mercado na mesma intensidade.
Analistas esperam crescimento de 78% na receita quando a Nvidia divulgar resultados no fim deste mês, segundo a LSEG, mas as ações acumulam alta de apenas 15% neste ano, levemente acima do Nasdaq. “O maior risco de investir no Google é que a empresa talvez não tenha mais espaço para mudar a narrativa junto aos investidores”, afirmou Munster.
Isso aumenta a pressão para que a companhia impressione no Google I/O, conferência que começa em menos de duas semanas.
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O Google precisará esclarecer sua estratégia de agentes de IA com o Gemini e demonstrar que consegue gerar receitas sustentáveis dentro do ecossistema mais amplo de inteligência artificial. A empresa passou rapidamente da condição de retardatária em IA para vencedora em infraestrutura.
Agora, projeta investimentos de capital de até US$ 190 bilhões (R$ 932,9 bilhões) neste ano, mais do que o dobro dos gastos de capital de 2025.
Para que investidores obtenham retorno sobre esse investimento, o Google não pode errar. Analistas da Argus afirmaram em relatório divulgado após os resultados financeiros que “os riscos dos gastos de capital da Alphabet são relevantes”.
Mesmo assim, mantêm recomendação de compra para as ações e consideram que a capacidade da companhia de sustentar esses investimentos, em comparação com empresas como a OpenAI, representa uma “vantagem competitiva”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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