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United quer unir forças com a American Airlines em mega fusão e a Azul pode entrar no jogo
Publicado 15/04/2026 • 08:19 | Atualizado há 2 dias
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KEY POINTS
Imagem gerada por Gemini com prompt de Allan Ravagnani
Aviões da United Airlines e da American Airlines estacionados em gates lado a lado — as duas companhias estudam uma fusão que criaria a maior aérea do planeta
O CEO da United Airlines, Scott Kirby, levou ao governo Trump a proposta de uma fusão com a American Airlines, segundo informaram agências internacionais. Se concretizado, o negócio resultaria na maior companhia aérea do planeta, com receita superior a US$ 100 bilhões e frota de mais de 2.800 aeronaves. A combinação concentraria cerca de 9% do mercado aéreo global, deixando a Delta em segundo lugar, com 4,3%.
Juntas, United e American controlam mais de um terço do mercado aéreo dos Estados Unidos. Em Wall Street, a United vale cerca de US$ 31 bilhões, contra US$ 7,4 bilhões da American. As ações da American subiram 8% no pregão de terça-feira (14), encerrando três dias de queda. Os papéis da United avançaram 2,1%. A Delta, que não está envolvida nas conversas, também subiu 6,9%
Leia também: Voar vai ficar mais caro: guerra, querosene e reforma tributária pressionam tarifas aéreas
A proposta tomou forma em um encontro com o presidente Donald Trump realizado no dia 25 de fevereiro, pautado originalmente pela reforma do Aeroporto Internacional Washington Dulles (Wasington DC). Foi nessa reunião que Kirby abordou a ideia da fusão. Não está claro se as conversas avançaram ou se há um processo formal de avaliação em curso.
Kirby argumentou que uma companhia combinada se posicionaria melhor nas rotas internacionais. Empresas estrangeiras respondem pela maior parte da capacidade de assentos em voos de longa distância com os EUA como origem ou destino, ainda que cidadãos americanos representem a maioria dos passageiros.
O tamanho da operação é exatamente o que torna a proposta tão controversa. “Mesmo o regulador antitruste mais permissivo deveria barrar uma fusão tão claramente anticoncorrencial”, disse Ganesh Sitaraman, professor da Faculdade de Direito de Vanderbilt.
O advogado antitruste Andre Barlow, do DBM Law Group, avalia que o negócio reduziria os chamados “Big Four” a um “Big Three”, com um player dominante. “Não tenho certeza de que esse acordo possa ser concretizado. O governo Trump está preocupado com questões de acessibilidade, e esse acordo reduziria as opções”, afirmou à Reuters.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse à CNBC que há ‘espaço’ para fusões no setor e que Trump ‘adora ver grandes negócios acontecerem.’ Ponderou, no entanto, que seria necessário desinvestir parte dos ativos. O Departamento de Transportes, o Departamento de Justiça e o próprio Trump precisariam aprovar a operação.
William Kovacic, diretor do centro de direito da concorrência da Universidade George Washington, foi mais direto. “Há enormes sobreposições em várias rotas e em diversas áreas metropolitanas, como Chicago. Nenhuma quantidade de desinvestimentos resolveria isso”, disse à Reuters.
Passagens mais caras
A principal preocupação dos analistas é com os preços. As tarifas já estão em alta: voos domésticos de curta distância na Delta e na United registraram aumento de 30% a 35% nas tarifas mais baratas na semana encerrada em 4 de abril, em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do banco UBS. Na American, a alta ficou em torno de 10%.
Para viagens com quatro semanas de antecedência, os aumentos chegam a 20% a 25% nas três grandes. Uma fusão, avaliam analistas, elevaria ainda mais esse patamar.
Onda de consolidação
O movimento não acontece no vácuo, já que quase 60% dos investidores consultados pelo Citi no início de 2026 acreditavam que um grande evento de fusão ou aquisição seria provável no setor aéreo ao longo do ano. Em janeiro, a Allegiant anunciou a compra da Sun Country por cerca de US$ 1,5 bilhão. Em março, a JetBlue contratou assessores para explorar sua própria venda a um concorrente.
Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, no final de fevereiro, as ações de ambas as companhias acumularam quedas expressivas. A American recuou 14,1% no período; a United, 10,4%. No acumulado de 2026, os papéis da United caem 15%, enquanto os da American recuam 27%.
O aumento dos preços do querosene de aviação, impulsionado pela tensão no Estreito de Ormuz, pressiona as margens operacionais do setor e favorece as companhias com estrutura financeira mais sólida.
O preço do querosene de aviação subiu quase 90% desde o início dos ataques ao Irã. O petróleo Brent avançou mais de 50% no mesmo período.
A American carrega cerca de US$ 35 bilhões em dívida, tenta reconquistar clientes corporativos após uma estratégia comercial impopular e enfrenta pressão de pilotos insatisfeitos com a gestão de Robert Isom, atual CEO.
A United já anunciou redução de capacidade a partir de maio, com foco em voos fora dos horários de pico. As demais companhias têm sido mais lentas para seguir o mesmo caminho. Para a United, um acordo dessa magnitude poderia garantir liderança clara sobre a Delta Air Lines, que há anos domina o setor em lucratividade e receita premium.
A disputa entre Kirby e a American não é recente. Antes de assumir o comando da United, ele foi presidente da American e deixou a empresa após perceber que não chegaria à posição de CEO. Desde então, as duas companhias travam uma rivalidade intensa, especialmente pelo controle do aeroporto O’Hare, em Chicago.
🔍 Antitruste é o conjunto de leis que proíbe práticas empresariais capazes de limitar a concorrência. Nos EUA, o Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comércio têm poder de bloquear fusões que concentrem excessivamente um setor, prejudicando consumidores com preços mais altos ou menos opções de serviço.
| Companhia | Mercado global | Valor de mercado | Parceira no Brasil |
|---|---|---|---|
| United Airlines | 4,7% | US$ 31 bilhões | Azul (~8%) |
| American Airlines | 4,3% | US$ 8 bilhões | Gol (parceria) / Azul (em negociação) |
| Delta Air Lines | 4,3% | US$ 47,1 bilhões | LATAM (joint venture + ações) |
| Fontes: Jefferies, Wall Street | |||
No Brasil, a possível fusão ganha uma dimensão adicional. As duas companhias já constroem posições no mercado doméstico, cada uma ancorada em uma aérea nacional diferente.
A United é sócia da Azul com aproximadamente 8% do capital, após um aporte de US$ 100 milhões aprovado pelo Cade em fevereiro de 2026. A companhia também tem exposição indireta à holding Abra Aviação, controladora da Gol Linhas Aéreas.
A American mantém parceria histórica e programa de fidelidade conjunto com a Gol e negocia um aporte de US$ 100 milhões para entrar na base acionária da Azul. A operação está sob análise do Cade.
A Delta fecha o triângulo. Com joint venture em vigor desde outubro de 2022 e participação acionária na LATAM, a companhia registrou crescimento de 88% em capacidade no corredor entre a América do Norte e a América do Sul em três anos de operação.
No Brasil-EUA especificamente, o número de passageiros saltou de 797 mil em 2022 para 2 milhões em 2024.
O mercado doméstico brasileiro virou, assim, extensão da disputa que as “Big Three” americanas travam entre si no plano global.
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