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Bancos aumentam 33% as provisões contra calotes com Selic alta e guerra no Oriente Médio no radar

Publicado 17/05/2026 • 10:30 | Atualizado há 13 minutos

KEY POINTS

  • Provisões dos quatro maiores bancos do país somam R$ 44,8 bilhões no primeiro trimestre, alta de 33% sobre igual período do ano anterior.
  • Banco do Brasil registra o maior estresse, com custo de crédito 86% acima do ano passado e inadimplência rural saltando de 2,76% para 6,22%.
  • Selic a 15%, guerra no Oriente Médio e alta do petróleo atrasam corte de juros e elevam endividamento de empresas e famílias a níveis recordes.
provisões Gráfico inadimplência

Foto: Freepik

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Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco registraram R$ 44,8 bilhões em despesas com provisões contra devedores duvidosos no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número, calculado pelo critério de custo de crédito, desconta valores recuperados de créditos já baixados para oferecer uma leitura mais precisa do provisionamento.

O movimento reflete um ambiente macroeconômico adverso. A Selic no pico de 15% eleva o endividamento de empresas e famílias a níveis recordes, enquanto a guerra no Oriente Médio e o salto nos preços do petróleo retardam o ritmo de cortes dos juros básicos pelo Banco Central.

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Parte do crescimento nas provisões também decorre da regulamentação CMN 4.966, que antecipa o reconhecimento de perdas esperadas e torna mais rigorosa a classificação de risco nas carteiras dos bancos.

“Estamos em um momento de inflexão do ciclo, com o efeito atrasado da política monetária. Isso ainda deve causar algum dano ao longo de um período”, afirma Nícolas Merola, analista da EQI Research.

Banco do Brasil concentra o maior estresse do sistema

O cenário é particularmente grave no Banco do Brasil. Entre janeiro e março, o banco público constituiu R$ 18,9 bilhões em custo de crédito, alta anual de 86%, pressionado principalmente pela deterioração da carteira de agronegócio.

A inadimplência rural do BB saltou de 2,76% para 6,22% em um ano, medida pelo critério de atrasos acima de 90 dias. Do total provisionado, R$ 7,4 bilhões vieram da carteira agrícola. O banco esperava recuperar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em créditos no trimestre, mas obteve apenas R$ 1,2 bilhão.

“A carteira do agronegócio, sem dúvida alguma, é o maior ofensor em termos de risco de crédito. A minha recuperação ainda não pegou tração”, disse o CFO do BB, Geovanne Tobias. Ele acrescentou que o banco se antecipou e reforçou provisões também na carteira de cartão de crédito, onde o risco de pessoa física vem crescendo com o maior endividamento das famílias.

Privados também deterioram, com intensidade variada

Nos bancos privados, a piora nas métricas de qualidade de crédito também aparece, ainda que em graus distintos. O Santander registrou o avanço mais expressivo na inadimplência entre os privados, com alta de 0,6 ponto percentual em 12 meses, chegando a 3,3% no primeiro trimestre. No Bradesco, o aumento foi de 0,1 ponto percentual. O Itaú manteve o indicador estável em 1,9%, embora tenha registrado piora entre micro, pequenas e médias empresas com o fim do período de carência de programas governamentais como o Fundo Garantidor de Investimentos.

O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, projetou avanço de 0,1 a 0,2 ponto percentual na inadimplência à frente, mas ponderou que os índices seguem abaixo dos patamares históricos. No Bradesco, o custo de crédito avançou para 3,5% e deve rodar próximo de 3,3% ao longo do ano, segundo os executivos do banco. Analistas do Citi classificam o indicador como a principal linha a monitorar no Bradesco, alertando que qualquer retrocesso pode ameaçar a evolução gradual do retorno sobre o patrimônio.

Grandes empresas e PMEs também pressionam carteiras

Casos pontuais em grandes empresas também pesaram sobre os resultados. Nenhum banco revelou nomes, por sigilo bancário, mas o contexto inclui companhias como Grupo Pão de Açúcar e Raízen, que protocolaram recuperação extrajudicial nos últimos meses.

No Santander, o CEO Mario Leão afirmou não haver “preocupação estrutural”, mas sinalizou atenção a três frentes: pequenas empresas, agronegócio e alguns portfólios de cartões. No agro, ele prevê que 2026 será melhor que 2025, ainda que longe do ideal. Leão está em processo de transição para transferir o comando ao executivo Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3.

Novo Desenrola chega com impacto limitado para os grandes bancos

Em março, a inadimplência total do crédito no Brasil atingiu 4,3%, ante 3,3% um ano antes, segundo dados do Banco Central. Para tentar reverter a pressão, o governo lançou uma nova versão do programa Desenrola, voltado para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil em atraso entre 90 dias e dois anos, com descontos de até 90%.

O programa foi bem recebido pelo setor, mas deve ter efeito limitado entre as grandes instituições. O JPMorgan avalia que as medidas não resolvem o problema de alavancagem de forma estrutural, mas podem ajudar na recuperação parcial de créditos perdidos. O banco americano aposta que o Nubank será o maior beneficiado pela iniciativa.

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