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Caso Banco Master: relembre a crise que levou Daniel Vorcaro e aliados ao centro da investigação
Publicado 07/03/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 07/03/2026 • 07:30 | Atualizado há 1 mês
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Reprodução
A crise envolvendo o Banco Master se transformou em um dos casos mais complexos já enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.
A investigação reúne suspeitas de fraudes bilionárias, corrupção, manipulação de ativos, participação de servidores públicos e o colapso de um conglomerado que deixou milhões de clientes e milhares de trabalhadores afetados.
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Na noite de 17 de novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
A detenção ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de certificados de crédito falsificados por instituições do sistema financeiro.

Segundo os investigadores, o esquema envolvia a criação e venda de carteiras de crédito consideradas insubsistentes. A suspeita é que esses ativos eram estruturados sem lastro técnico adequado e posteriormente vendidos a outras instituições financeiras.
Vorcaro chegou a ser solto e colocado em prisão domiciliar, mas voltou a ser preso preventivamente na terceira fase da operação, realizada em março de 2026.
Leia também: Quem é quem no caso Master: conheça os integrantes da ‘Turma’ de Daniel Vorcaro
Nessa etapa, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
As acusações incluem fraude bilionária, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de ativos, invasão de dispositivos informáticos e atuação de organização criminosa.
Um dia após a primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições ligadas ao conglomerado.
A decisão ocorreu após o órgão identificar uma grave crise de liquidez e violações às normas que regem o funcionamento das instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.
Entre as instituições afetadas inicialmente estavam:
Posteriormente, outras entidades ligadas ao grupo também tiveram liquidação decretada. Ao todo, oito instituições financeiras acabaram atingidas pelas investigações e pela crise.
Entre elas estão:
O Banco Central afirmou que as decisões foram motivadas por insolvência, deterioração da liquidez e descumprimento de normas do setor financeiro.
A quebra do conglomerado afetou aproximadamente 1,6 milhão de clientes que mantinham contas ou investimentos nas instituições ligadas ao Banco Master.
Entre as empresas envolvidas estavam o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio.
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito passou a ser responsável pelo ressarcimento dos valores. Pelas regras do fundo, cada cliente pode receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O limite máximo de cobertura pode chegar a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

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A estimativa é que cerca de R$ 41 bilhões sejam necessários para cobrir os valores devidos aos clientes. O FGC informou possuir aproximadamente R$ 120 bilhões em liquidez, o que significa que o pagamento aos clientes do Banco Master deve consumir cerca de um terço dos recursos disponíveis no fundo.
A instituição também alertou que não há intermediários autorizados para o recebimento dos valores e que nenhum tipo de taxa é cobrada para a restituição.
À medida que as investigações avançaram, a Polícia Federal descobriu uma estrutura ampla de empresas e fundos ligados ao esquema.
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Desde novembro de 2025, o sigilo bancário de pelo menos 101 pessoas físicas e jurídicas foi quebrado. Também foram abertas 14 investigações paralelas para identificar todos os envolvidos.
Até o momento, os investigadores apontam a participação de cerca de:
Entre elas aparecem empresas de fachada, consultorias e prestadores de serviço.
No caso específico de Daniel Vorcaro, as investigações identificaram vínculos com cerca de 2,5 mil CNPJs.
Além de Vorcaro, diversos empresários e executivos do mercado financeiro passaram a ser investigados.
Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, é apontado como responsável pelo braço de investimentos de risco da instituição. Ele controlava a Trustee DTVM e é investigado por suposta manipulação de ativos e operações com precatórios.
Augusto Lima, ex-CEO do banco até 2024, também é investigado. As suspeitas envolvem a criação de carteiras de crédito falsas e a transferência de ativos para o Banco Pleno.
Outros nomes citados nas investigações incluem:
Ex-integrantes do Banco Central também são investigados. As investigações também alcançaram servidores ligados ao Banco Central.
Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro
A investigação aponta que ele teria recebido vantagens indevidas por meio de contratos fictícios.
Os dois foram alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento de funções, uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato.
Outro ponto revelado pelas investigações envolve a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, que funcionava como núcleo operacional da organização.
Segundo a Polícia Federal, Mourão teria coordenado invasões de sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI.
Ele também é suspeito de monitorar adversários e intimidar jornalistas.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal e provocou tensão institucional. Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou mensagens e registros financeiros envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.
Os investigadores citaram pagamentos relacionados à venda do resort Tayayá, empreendimento do qual o ministro era sócio por meio de uma empresa familiar.
Após a divulgação das informações, Toffoli decidiu deixar a relatoria dos processos ligados ao caso.
Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro
O Supremo informou, em nota, que não há elementos que comprovem suspeição do ministro e que todos os atos praticados por ele permanecem válidos.
Além dos efeitos no sistema financeiro, a crise também gerou impacto no mercado de trabalho.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, mais de 1,4 mil trabalhadores foram afetados pela liquidação das instituições ligadas ao Banco Master. A estimativa inclui:
A entidade sindical informou que acompanha o processo e cobra transparência sobre o pagamento de salários e direitos trabalhistas.
A história do Banco Master começou em 1974, quando a instituição foi criada com o nome Máxima Corretora de Valores. Em 1990, passou a se chamar Banco Máxima.
O controle da instituição mudou em 2018, quando Daniel Vorcaro assumiu o comando e promoveu uma reestruturação societária. Na ocasião, foram injetados cerca de R$ 400 milhões no negócio.
Leia também: Caso Master ou guerra no Irã: o que realmente está movendo o mercado?
Em 2021, o banco passou a se chamar oficialmente Banco Master. Nos anos seguintes, a instituição buscou ampliar sua base de clientes e investidores, oferecendo produtos com rentabilidade elevada. Alguns investimentos chegavam a prometer até 140% do CDI.
Segundo as investigações, o porte financeiro do banco não comportava essas ofertas, o que levantou suspeitas sobre a sustentabilidade das operações.
Leia também: Caso Master: ‘Foi uma guinada de 180 graus’, diz advogado sobre nova fase da investigação
A partir de 2025, a situação financeira da instituição entrou em colapso, dando origem à crise do Banco Master que culminou na liquidação do conglomerado e em uma das maiores investigações financeiras do país.
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