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Caso Banco Master: relembre a crise que levou Daniel Vorcaro e aliados ao centro da investigação

Publicado 07/03/2026 • 07:30 | Atualizado há 8 meses

KEY POINTS

  • A investigação reúne suspeitas de fraudes bilionárias, corrupção, manipulação de ativos, participação de servidores públicos.
  • Segundo os investigadores, o esquema envolvia a criação e venda de carteiras de crédito consideradas insubsistentes.
  • A partir de 2025, a situação financeira da instituição entrou em colapso, dando origem à crise do Banco Master.
Daniel Vorcaro

Foto: Reprodução

Delação de R$ 153 milhões: o que está por trás das acusações no caso Vorcaro

A crise envolvendo o Banco Master se transformou em um dos casos mais complexos já enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro nos últimos anos.

A investigação reúne suspeitas de fraudes bilionárias, corrupção, manipulação de ativos, participação de servidores públicos e o colapso de um conglomerado que deixou milhões de clientes e milhares de trabalhadores afetados.

Leia também: Dólar fecha em forte alta com tensão no Estreito de Ormuz e crise no Banco Master

Prisão de Daniel Vorcaro e avanço da Operação Compliance Zero

Na noite de 17 de novembro de 2025, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

A detenção ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de certificados de crédito falsificados por instituições do sistema financeiro.

Daniel Vorcaro sombrio
Imagem: Wikipédia com filtro do Gemini

Segundo os investigadores, o esquema envolvia a criação e venda de carteiras de crédito consideradas insubsistentes. A suspeita é que esses ativos eram estruturados sem lastro técnico adequado e posteriormente vendidos a outras instituições financeiras.

Vorcaro chegou a ser solto e colocado em prisão domiciliar, mas voltou a ser preso preventivamente na terceira fase da operação, realizada em março de 2026.

Leia também: Quem é quem no caso Master: conheça os integrantes da ‘Turma’ de Daniel Vorcaro

Nessa etapa, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

As acusações incluem fraude bilionária, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de ativos, invasão de dispositivos informáticos e atuação de organização criminosa.

Liquidação do Banco Master pelo BC

Um dia após a primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições ligadas ao conglomerado.

A decisão ocorreu após o órgão identificar uma grave crise de liquidez e violações às normas que regem o funcionamento das instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.

Entre as instituições afetadas inicialmente estavam:

  • Banco Master S.A.
  • Banco Master de Investimento S.A.
  • Banco Letsbank S.A.
  • Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários

Posteriormente, outras entidades ligadas ao grupo também tiveram liquidação decretada. Ao todo, oito instituições financeiras acabaram atingidas pelas investigações e pela crise.

Entre elas estão:

  • Will Bank
  • CBSF DTVM
  • Banco Pleno
  • Pleno DTVM

O Banco Central afirmou que as decisões foram motivadas por insolvência, deterioração da liquidez e descumprimento de normas do setor financeiro.

Impacto para clientes e atuação do Fundo Garantidor de Crédito

A quebra do conglomerado afetou aproximadamente 1,6 milhão de clientes que mantinham contas ou investimentos nas instituições ligadas ao Banco Master.

Entre as empresas envolvidas estavam o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio.

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito passou a ser responsável pelo ressarcimento dos valores. Pelas regras do fundo, cada cliente pode receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O limite máximo de cobertura pode chegar a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Banco Master
Foto: Reprodução

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A estimativa é que cerca de R$ 41 bilhões sejam necessários para cobrir os valores devidos aos clientes. O FGC informou possuir aproximadamente R$ 120 bilhões em liquidez, o que significa que o pagamento aos clientes do Banco Master deve consumir cerca de um terço dos recursos disponíveis no fundo.

A instituição também alertou que não há intermediários autorizados para o recebimento dos valores e que nenhum tipo de taxa é cobrada para a restituição.

Investigação revela rede extensa de empresas e fundos

À medida que as investigações avançaram, a Polícia Federal descobriu uma estrutura ampla de empresas e fundos ligados ao esquema.

Leia também: Caso Master: Vorcaro e cunhado são transferidos para o interior de SP

Desde novembro de 2025, o sigilo bancário de pelo menos 101 pessoas físicas e jurídicas foi quebrado. Também foram abertas 14 investigações paralelas para identificar todos os envolvidos.

Até o momento, os investigadores apontam a participação de cerca de:

  • 30 fundos de investimento
  • 60 empresas ligadas ao esquema

Entre elas aparecem empresas de fachada, consultorias e prestadores de serviço.

No caso específico de Daniel Vorcaro, as investigações identificaram vínculos com cerca de 2,5 mil CNPJs.

Principais nomes ligados ao caso

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Além de Vorcaro, diversos empresários e executivos do mercado financeiro passaram a ser investigados.

Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, é apontado como responsável pelo braço de investimentos de risco da instituição. Ele controlava a Trustee DTVM e é investigado por suposta manipulação de ativos e operações com precatórios.

Augusto Lima, ex-CEO do banco até 2024, também é investigado. As suspeitas envolvem a criação de carteiras de crédito falsas e a transferência de ativos para o Banco Pleno.

Outros nomes citados nas investigações incluem:

  • João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, apontado como operador de aquisições e estruturação de ativos inflacionados.

  • Nelson Tanure, investidor com participação em empresas relacionadas ao Master e à WNT Capital, investigado por possível atuação como controlador de fato do banco.

  • Rafael Gois, CEO do Grupo Fictor, que havia anunciado um investimento de R$ 3 bilhões para comprar o Banco Master pouco antes da liquidação.

Ex-integrantes do Banco Central também são investigados. As investigações também alcançaram servidores ligados ao Banco Central.

  • Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, é suspeito de ter mantido relações informais com Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, ele teria orientado o banqueiro sobre documentos e processos relacionados à fiscalização da instituição.

Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro

A investigação aponta que ele teria recebido vantagens indevidas por meio de contratos fictícios.

  • Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, também é investigado por manter comunicações diretas com Vorcaro e revisar documentos do banco antes do envio ao órgão regulador.

Os dois foram alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento de funções, uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato.

Grupo de operadores e estrutura paralela

Outro ponto revelado pelas investigações envolve a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, que funcionava como núcleo operacional da organização.

  • Entre os integrantes está Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário. Ele teve prisão preventiva decretada e é acusado de chefiar o grupo, que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês.

Segundo a Polícia Federal, Mourão teria coordenado invasões de sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI.

Ele também é suspeito de monitorar adversários e intimidar jornalistas.

  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, também foi preso. Ele seria responsável por obter dados sigilosos e auxiliar nas ações de intimidação.

  • Outro investigado é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da Igreja Lagoinha. Ele é apontado como operador financeiro do grupo, responsável por repasses ilegais e pagamentos mensais à estrutura comandada por Mourão.

Tensão institucional e desdobramentos no STF

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal e provocou tensão institucional. Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou mensagens e registros financeiros envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.

Os investigadores citaram pagamentos relacionados à venda do resort Tayayá, empreendimento do qual o ministro era sócio por meio de uma empresa familiar.

Após a divulgação das informações, Toffoli decidiu deixar a relatoria dos processos ligados ao caso.

Leia também: Caso Master: quem é quem na organização criminosa de Daniel Vorcaro

O Supremo informou, em nota, que não há elementos que comprovem suspeição do ministro e que todos os atos praticados por ele permanecem válidos.

O impacto no mercado de trabalho

Além dos efeitos no sistema financeiro, a crise também gerou impacto no mercado de trabalho.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, mais de 1,4 mil trabalhadores foram afetados pela liquidação das instituições ligadas ao Banco Master. A estimativa inclui:

  • cerca de 515 funcionários do Banco Master
  • aproximadamente 750 do Will Bank
  • cerca de 160 do Banco Pleno

A entidade sindical informou que acompanha o processo e cobra transparência sobre o pagamento de salários e direitos trabalhistas.

Origem e expansão do Banco Master

A história do Banco Master começou em 1974, quando a instituição foi criada com o nome Máxima Corretora de Valores. Em 1990, passou a se chamar Banco Máxima.

O controle da instituição mudou em 2018, quando Daniel Vorcaro assumiu o comando e promoveu uma reestruturação societária. Na ocasião, foram injetados cerca de R$ 400 milhões no negócio.

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Em 2021, o banco passou a se chamar oficialmente Banco Master. Nos anos seguintes, a instituição buscou ampliar sua base de clientes e investidores, oferecendo produtos com rentabilidade elevada. Alguns investimentos chegavam a prometer até 140% do CDI.

Segundo as investigações, o porte financeiro do banco não comportava essas ofertas, o que levantou suspeitas sobre a sustentabilidade das operações.

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A partir de 2025, a situação financeira da instituição entrou em colapso, dando origem à crise do Banco Master que culminou na liquidação do conglomerado e em uma das maiores investigações financeiras do país.

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