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Custo de capital, restrição de crédito e recuperação judicial: entenda os termos do caso Estrela
Publicado 25/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Instagram Estrela
Por que bancos foram proibidos de reter valores da Estrela
A fabricante de brinquedos Estrela protocolou na última quarta-feira (20), na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, um pedido de recuperação judicial envolvendo a empresa principal e outras sete companhias do grupo.
A medida foi tomada após anos de pressão financeira causada pelo aumento do custo de capital, pela dificuldade de acesso ao crédito e pela mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais voltado para alternativas digitais.
A companhia informou que seguirá operando normalmente durante o processo, mantendo atividades industriais, comerciais e administrativas, além do atendimento a clientes e fornecedores.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas ainda mantêm capacidade de funcionamento.
Na prática, ela permite renegociar dívidas com bancos, fornecedores e demais credores sem interromper as operações.
Durante esse período, a empresa ganha prazo para apresentar um plano de reestruturação financeira. O documento precisa ser aprovado pelos credores e homologado pela Justiça.
Leia também: Fabricante de brinquedos Estrela renegocia quase R$ 750 milhões em dívidas tributárias
No caso da Estrela, o objetivo é reorganizar o passivo e tentar preservar as atividades da companhia, uma das marcas mais tradicionais do setor de brinquedos no Brasil.
Entre os fatores apontados pela empresa está o aumento do custo de capital. O termo é usado para definir quanto uma companhia precisa pagar para obter dinheiro no mercado, seja por meio de empréstimos bancários, financiamentos ou emissão de dívida.
Quando os juros sobem e o crédito fica mais caro, as empresas passam a gastar mais para financiar operações, investir em produção ou manter fluxo de caixa. Isso reduz a capacidade de crescimento e aumenta a pressão sobre as contas.
Empresas que dependem de crédito para manter estoques e produção costumam sentir os efeitos de forma mais intensa em períodos de juros elevados.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto citado pela fabricante foi a restrição de crédito. Esse cenário acontece quando bancos e instituições financeiras adotam critérios mais rígidos para conceder empréstimos.
Com maior cautela do mercado, empresas em situação financeira delicada encontram mais dificuldades para renovar contratos, captar recursos ou conseguir novos financiamentos.
Leia também: Morre Mario Adler, fundador da Estrela e criador do Dia das Crianças no Brasil
A combinação entre juros elevados e menor oferta de crédito acaba aumentando o risco de inadimplência e dificulta a reorganização financeira das companhias.
A Estrela também mencionou o avanço das alternativas digitais como um dos desafios enfrentados nos últimos anos.
O crescimento de jogos eletrônicos, aplicativos e plataformas digitais alterou o comportamento das crianças e reduziu parte do espaço ocupado pelos brinquedos tradicionais.
O setor vem enfrentando mudanças importantes no perfil de consumo, principalmente com a expansão do entretenimento digital e o aumento da presença de telas no cotidiano infantil.
Antes do pedido de recuperação judicial, a empresa já havia fechado um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para renegociar R$ 747,8 milhões em débitos tributários.
O acerto permitiu descontos em juros, multas e encargos, além do uso de créditos fiscais e depósitos judiciais para reduzir parte da dívida. Após as deduções, o valor caiu para R$ 72,4 milhões, com parcelamento em até dez anos.
Mesmo com a renegociação tributária, a Estrela decidiu recorrer à recuperação judicial diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo.
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