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Diretora da Neoenergia vê 90 milhões de clientes potenciais no Mercado Livre de Energia
Publicado 26/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A abertura do Mercado Livre de Energia deve chegar ao grande público em 2028, com mais de 90 milhões de potenciais clientes no Brasil, afirmou Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Rita disse que a liberalização do setor elétrico tende a ampliar a concorrência e mudar a relação de empresas e consumidores residenciais com o fornecimento de energia.
“Quando você está no mercado liberalizado, o cliente tem uma opção de escolha. E, quando você tem opção de escolha, certamente terá serviços e uma preocupação maior das empresas nessa prestação de serviço ao cliente”, afirmou.
Segundo a executiva, a abertura do mercado vem ocorrendo de forma gradual. O processo começou em 1998, com grandes empresas, avançou em 2024 para companhias de médio porte e deve chegar em novembro de 2027 à baixa tensão, grupo que inclui pequenas empresas com contas a partir de cerca de R$ 500.
“Em 2028 chegará para o grande público. E aí nós estamos falando de mais de 90 milhões de potenciais clientes para migrar para esse Mercado Livre”, disse.
Rita afirmou que, no futuro, a relação do brasileiro com energia pode se aproximar do que já ocorre com telefonia e internet, com comparação de preços, fornecedores e condições contratuais. Em mercados mais maduros, como Europa e Estados Unidos, especialmente o Texas, consumidores já conseguem comparar energia e escolher fontes de geração, como eólica ou solar.
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No Brasil, a Neoenergia vem se preparando há anos para esse processo, com apoio da experiência internacional da Iberdrola, controladora da companhia.
“A Neoenergia vem se preparando há anos para essa abertura de mercado. Nós temos a Iberdrola, que é nosso controlador, que tem essa experiência internacional e vai poder nos ajudar a coordenar essa abertura”, afirmou.
Para pequenas e médias empresas, Rita disse que a competição não deve se limitar ao preço. Segundo ela, o diferencial estará na oferta de soluções energéticas personalizadas e em uma jornada simples para clientes que ainda não conhecem a complexidade do setor elétrico.
“Esse é um cliente que não tem conhecimento suficiente do que é energia, de como se comporta, da complexidade que é esse setor. Então, acreditamos que chegar com ofertas personalizadas para essas pequenas e médias empresas em uma jornada simples vai ser um grande diferencial”, disse.
A diretora afirmou que 55% das médias empresas que já poderiam migrar para o Mercado Livre de Energia ainda não fizeram esse movimento. Além de eventual redução de custos, a previsibilidade contratual é um dos principais atrativos, disse Rita.
“Esse cliente no Mercado Livre faz contrato de três, quatro, cinco, seis, dez anos, sabendo exatamente o que vai pagar. Essa previsibilidade para um empresário no Brasil, sabendo que a energia é uma parte importante dos seus custos, é um diferencial muito relevante”, afirmou.
A Neoenergia também pretende oferecer soluções de eficiência energética, com atuação consultiva. Rita citou o exemplo do setor hoteleiro, que tem demanda relevante por refrigeração e aquecimento de água, e poderia substituir sistemas movidos por combustíveis fósseis por alternativas eletrificadas.
“Tem que ser uma venda consultiva. Estamos falando de um setor mais complexo. Não é uma comparação simples de preço”, disse.
A abertura, no entanto, também traz riscos. Rita afirmou que casos recentes de comercializadoras em dificuldade financeira acendem alerta para a necessidade de regras claras, governança e solidez das empresas que atuarem no mercado.
“É muito importante que nessa liberalização tenha marcos regulatórios muito claros, que deixem o cliente seguro nesse processo de migração”, afirmou.
Segundo ela, em mercados internacionais já houve casos de consumidores que migraram para comercializadoras incapazes de honrar contratos e acabaram sem fornecimento. No Brasil, disse, clientes desassistidos já procuram a Neoenergia após problemas com empresas do setor.
“Hoje os clientes já ficam desassistidos e procuram a Neoenergia desesperados, ficam dois, três dias sem abastecimento de energia. É um impacto muito grande para esse cliente”, disse.
Para Rita, o regulador precisa criar mecanismos para evitar interrupções de serviço e garantir que as empresas que entrem no mercado tenham capacidade financeira para cumprir seus compromissos.
“É importante que as empresas que entrarem tenham essa robustez e o regulador olhe para isso sob a perspectiva de não permitir que o cliente fique desassistido e com interrupção dos seus serviços”, afirmou.
A executiva disse ainda que a promessa de economia para o consumidor depende de fatores como previsibilidade contratual, correção monetária, eficiência energética e qualidade do serviço. Segundo ela, a possibilidade de firmar contratos de longo prazo reduz a exposição às flutuações tarifárias do mercado regulado.
“Com a previsibilidade, você não sofre essa flutuação”, disse. “E, quando a gente trabalha essa eficiência energética, ele tem um ganho de operações, de ter hoje uma prestação de serviço que ele não tem quando é um cliente regulado.”
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