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Duplicata escritural avança, mas empresas ainda tentam se adaptar ao novo sistema

Publicado 13/07/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A implantação da duplicata escritural entra na fase de produção assistida, mas muitas empresas ainda não concluíram a adaptação.
  • Pesquisa mostra que metade dos fornecedores nunca ouviu falar da nova modalidade e mais de 70% desconhecem seus impactos.
  • O cronograma prevê adoção obrigatória de forma escalonada entre 2027 e 2028.

Às vésperas do início das primeiras operações em ambiente controlado, a duplicata escritural ainda avança em ritmo desigual entre as empresas brasileiras. Embora o novo modelo seja considerado uma das principais mudanças no mercado de antecipação de recebíveis, parte significativa do setor produtivo ainda concentra esforços em outras frentes, como a implementação da reforma tributária.

A expectativa é que a nova estrutura fortaleça um mercado que movimenta cerca de R$ 10 trilhões por ano, ao ampliar a segurança, a padronização e a digitalização das operações envolvendo duplicatas.

Conhecimento ainda é limitado

Levantamento realizado pela fintech Monkey mostra que 50% dos fornecedores consultados afirmaram nunca ter ouvido falar da duplicata escritural. Apenas 15,4% disseram conhecer bem o tema, enquanto mais de 70% afirmaram não conseguir identificar quais mudanças a digitalização trará para o dia a dia das empresas.

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Segundo a diretora de novos negócios da Monkey, Roberta Ferraz, a adaptação tem ocorrido de forma mais rápida entre grandes companhias, que já operam elevados volumes de antecipação de recebíveis. Entre pequenas e médias empresas, porém, o nível de conhecimento sobre o novo sistema ainda é reduzido.

Implementação gradual

O cronograma definido pelo Banco Central prevê uma implementação em etapas. As registradoras B3, Núclea e Cerc aguardam autorização para iniciar a chamada produção assistida, fase em que um grupo restrito de clientes realizará as primeiras operações em ambiente controlado. Outras empresas, como SPC Grafeno e Quick Soft, seguem em fase de testes.

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A obrigatoriedade da duplicata escritural começará em junho de 2027, inicialmente para grandes empresas, sendo posteriormente ampliada para médias e pequenas companhias, com conclusão prevista para 2028.

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Desafios operacionais

A adoção gradual busca evitar problemas semelhantes aos registrados na implantação do sistema de recebíveis de cartões de crédito em 2021, quando dificuldades operacionais afetaram o início das operações.

Especialistas avaliam que um dos principais desafios será a adaptação dos processos internos das empresas. Segundo a V360, cerca de 10% dos títulos utilizados atualmente apresentam inconsistências cadastrais, como erros tributários ou divergências de CNPJ. Além disso, enquanto hoje as empresas levam, em média, 22 dias para validar uma nota fiscal, o novo modelo estabelecerá prazo de 10 dias para aceitar ou rejeitar formalmente uma duplicata. Caso não haja manifestação dentro desse período, o título será considerado automaticamente aceito.

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