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Em compasso de espera: onde a demora da fusão com a Paramount deixa a WBD e o que pode acontecer

Publicado 26/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O futuro da Warner Bros. Discovery está indefinido há mais de um ano — desde a decisão inicial de dividir a empresa até um processo tenso de venda e, agora, o adiamento da conclusão da aquisição pela Paramount Skydance.
  • Embora possa continuar operando normalmente, a incerteza sobre seu futuro deixa a WBD em um limbo justamente quando o setor de mídia passa por rápidas transformações.
  • A principal fonte de crescimento da WBD tem sido o streaming. Mas, com a expansão internacional praticamente concluída, a expectativa é de desaceleração desse crescimento.
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AFP

A Warner Bros. Discovery está passando por uma reviravolta.

Foi apenas no verão do ano passado que a empresa anunciou que iria se dividir em duas e iniciou o processo de criação de companhias separadas e listadas em bolsa: a Warner Bros., que abrigaria as unidades de streaming e cinema, e a Discovery Global, responsável pelas redes de televisão tradicionais em todo o mundo.

A mudança parecia acontecer em ritmo acelerado. A companhia estava em meio a uma expansão agressiva de sua plataforma de streaming HBO Max, entrando em novos mercados e buscando crescimento de assinantes e de rentabilidade. Seu estúdio de cinema também dava sinais de uma recuperação há muito aguardada. O diretor financeiro Gunnar Wiedenfels havia começado a discutir com outros executivos como administrar uma empresa formada apenas por redes de televisão em um período de rápida deterioração desse segmento.

Mas, após um processo de venda e o adiamento da fusão com a Paramount Skydance, de David Ellison, grande parte dessas mudanças parou.

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O CEO da WBD, David Zaslav, afirmou durante uma teleconferência de resultados no início deste mês que os executivos estão “tentando aumentar o valor da empresa” para deixar a WBD na melhor situação possível quando a fusão for concluída.

Isso aconteceu depois que um grupo de estados liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, entrou com uma ação para bloquear o negócio por motivos antitruste — e antes de as negociações preliminares para um acordo entre Bonta e a Paramount parecerem fracassar no início desta semana.

O processo de idas e vindas deixou a Warner Bros. Discovery com menos opções justamente quando o setor de mídia como um todo busca novos caminhos. A empresa — formada pelo tradicional estúdio de cinema, um portfólio de redes de televisão e um negócio de streaming premium — antes parecia ágil. Agora, é obrigada a agir com cautela.

“Este é o melhor negócio que a Warner Bros. Discovery vai conseguir, e será difícil para a empresa simplesmente abandonar tudo isso e ficar apenas com uma taxa de rescisão”, afirmou Tom Rogers, veterano do setor de mídia e atualmente consultor sênior da Versant Media Group e presidente-executivo da empresa de produção de filmes e televisão com inteligência artificial Fountain 0. “Portanto, acho que eles também têm muitos incentivos para descobrir como esse negócio pode ser concluído.”

O preço de venda proposto, de US$ 110 bilhões, representaria um grande ganho para a WBD, inclusive para Zaslav. A Paramount concordou em pagar US$ 31 por ação para adquirir a WBD e, caso a aprovação regulatória ultrapasse setembro, a Paramount começará a pagar uma “taxa de espera”, aumentando o valor do negócio.

As dúvidas que permanecem são o que exatamente a Paramount estará comprando caso o negócio seja concluído após um atraso prolongado e o que acontecerá com a WBD se a operação não for adiante.

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O que a WBD pode fazer?

A WBD não necessariamente precisa ficar parada enquanto aguarda o avanço da fusão.

As cláusulas operacionais provisórias previstas no acordo permitem que a WBD continue funcionando como uma empresa independente enquanto a operação avança para sua conclusão. Essa flexibilidade foi um ponto enfatizado pelos executivos da Warner Bros. Discovery durante as negociações para a venda da companhia — primeiro com a Netflix e depois com a Paramount — segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Nos casos em que a WBD precise da aprovação da Paramount para tomar alguma medida enquanto a transação estiver pendente, o acordo estabelece que essa autorização não pode ser “negada de forma injustificada”.

O contrato foi estruturado considerando que o processo de conclusão da fusão poderia levar 12 meses ou mais, dando à WBD alguma margem de manobra em caso de atrasos.

Embora a WBD não possa participar de grandes operações de fusões e aquisições, ainda pode fechar contratos de licenciamento e outros tipos de acordos ou parcerias com empresas do setor de mídia.

Do ponto de vista criativo, não houve grandes interrupções nessa frente, segundo outra pessoa familiarizada com o assunto. Criadores de filmes e séries continuam apresentando projetos à WBD, afirmou a fonte.

As fontes da CNBC falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a comentar publicamente.

O licenciamento de conteúdo para outras plataformas e redes se mostrou um modelo de negócio lucrativo para a WBD e seus concorrentes.

Desde a fusão entre Warner Bros. e Discovery, em 2022, a companhia licenciou conteúdos do cobiçado catálogo da HBO, como “Sex and the City”, “Insecure” e “Band of Brothers”, para a Netflix, além de séries como “Westworld” para plataformas de streaming gratuitas financiadas por publicidade.

Durante a teleconferência de resultados de agosto, o diretor financeiro Wiedenfels destacou a existência de uma “demanda muito saudável” pelo conteúdo da WBD.

Leia também: EXCLUSIVO CNBC: Procurador-geral da Califórnia diz que acordo em ação contra Paramount-WBD exigiria ‘medidas estruturais robustas’

Avanço no streaming ou perda de espaço?

Ao mesmo tempo, o setor de mídia vem demonstrando um apetite crescente por diferentes modelos de negócios de streaming, como pacotes que reúnem plataformas por uma única assinatura ou a incorporação do conteúdo de uma plataforma em outra.

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O Peacock, da NBCUniversal, por exemplo, concordou em disponibilizar seu conteúdo dentro do YouTube Premium em um acordo que, segundo muitos observadores, pode estabelecer um novo precedente.

Executivos da NBCUniversal e da Fox Corp. já disseram que suas empresas estão abertas a futuras combinações ou pacotes com outras plataformas.

A HBO Max já é oferecida em um pacote com os serviços de streaming da Disney, e surgiram recentemente relatos de que a Netflix estaria considerando parcerias com alguns de seus concorrentes. O próprio CEO da WBD, David Zaslav, há muito defende um modelo de pacotes, inspirado no mercado de TV por assinatura.

No entanto, com cada vez mais plataformas de streaming formando parcerias, é difícil imaginar quais empresas, se alguma, estariam dispostas a fechar novos acordos com a HBO Max enquanto o futuro da plataforma permanece incerto.

Ellison, da Paramount, afirmou que, após a conclusão da aquisição da WBD, Paramount+ e HBO Max se tornariam um único serviço.

A incerteza sobre o futuro dessas plataformas provavelmente as coloca em desvantagem enquanto concorrentes menores avançam e conquistam espaço.

E, caso a WBD feche acordos desse tipo agora, eles seriam relativamente curtos de qualquer maneira devido às cláusulas operacionais provisórias do acordo de fusão.

“Certamente não é fácil administrar o negócio da WBD com essa incerteza sobre o rumo que a empresa está tomando e as restrições impostas pelo acordo de fusão. Isso torna a vida mais difícil”, disse Rogers.

Enquanto isso, quanto mais WBD e Paramount demorarem para combinar seus serviços de streaming, mais tempo os concorrentes terão para avançar individualmente.

“Atualmente, tanto a Paramount Skydance quanto a Warner Bros. Discovery possuem e operam serviços de streaming de escala insuficiente. Juntas, acreditamos que elas têm uma chance maior de competir com as grandes empresas de streaming direto ao consumidor”, afirmou Robert Fishman, analista da MoffetNathanson, em nota de 5 de agosto após os resultados da Paramount.

Segundo Fishman, se o negócio fracassar, ambas as plataformas ficarão com serviços independentes que provavelmente não terão condições de competir no longo prazo.

O balanço divulgado pela WBD no início deste mês mostrou crescimento recorde de receita no segmento de streaming, enquanto a televisão tradicional e os estúdios de cinema pressionaram os resultados.

Esse mesmo ritmo, porém, pode desacelerar em breve. Grande parte do crescimento recente da HBO Max ocorreu internacionalmente, e o último trimestre marcou o fim de sua expansão nos principais mercados internacionais.

Ainda existem mercados menores a explorar, mas os executivos foram orientados a não esperar um crescimento do streaming tão expressivo quanto o registrado recentemente pela WBD, segundo uma terceira pessoa familiarizada com o assunto.

A WBD espera superar a marca de 150 milhões de assinantes globais de streaming até o fim deste ano e afirma que o crescimento futuro virá principalmente do plano com publicidade e de novos assinantes em diferentes mercados.

Leia também: Cinemark apoia fusão de US$ 111 bilhões entre Paramount e Warner

De olho na WBD

Com o acordo com a Paramount travado, começaram as especulações sobre quais ativos Ellison estaria disposto a abrir mão para preservar a fusão.

Mesmo com seu futuro indefinido, os ativos da WBD continuam atraentes para potenciais compradores.

Bonta, da Califórnia, afirmou à CNBC na semana passada que um acordo para encerrar o processo antitruste dos estados contra a Paramount exigiria “medidas estruturais robustas”, especialmente nos negócios de TV por assinatura e estúdios de cinema.

As negociações preliminares foram rapidamente interrompidas após relatos sobre possíveis condições para um acordo. Ainda assim, banqueiros e pessoas próximas ao processo vêm avaliando quais ativos poderiam ser mais atraentes para potenciais compradores caso fossem colocados à venda.

A New Line Cinema, subsidiária da WBD, provavelmente atrairia interessados, segundo a CNBC. A companhia, que tem quase 60 anos, é responsável por franquias como “O Senhor dos Anéis” e “Premonição”, além dos filmes mais recentes de “Mortal Kombat”.

Algumas das redes de TV por assinatura da WBD também poderiam atrair potenciais compradores caso a Paramount precise reduzir seu portfólio, segundo a CNBC. Entre elas estão os canais Turner, como TNT e TBS, e até redes de lifestyle, como HGTV.

O grande fator de incerteza que paira sobre todas essas negociações — reais ou hipotéticas — é a possibilidade de que os estados assumam o protagonismo regulatório deixado pelas autoridades federais e contestem mais operações do setor de mídia por motivos antitruste.

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