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TIMES | CNBC LAWINFRA: Brasil pode atrair data centers rejeitados nos EUA, diz Sérgio Leverdi

Publicado 06/11/2026 • 17:00 | Atualizado há 11 minutos

KEY POINTS

  • Sérgio Leverdi avalia que a rejeição a data centers nos Estados Unidos pode atrair novos investimentos no Brasil, com energia limpa.
  • O CEO da Lawinfra defende instalar centros de dados perto da geração elétrica para usar excedentes e evitar uma alta na conta de luz.
  • Para atrair projetos, o Brasil precisa definir custos de conexão, agilizar licenças e garantir segurança jurídica, diz Sérgio Leverdi.

A resistência à expansão de data centers nos Estados Unidos pode abrir uma oportunidade para o Brasil atrair investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, avaliou Sérgio Leverdi, CEO da Lawinfra, em sua participação nesta sexta-feira (6) no quadro TIMES | CNBC LAWINFRA, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para ele, a abundância de energia renovável e a possibilidade de estabelecer regras antes da instalação dos projetos são vantagens decisivas.

Leverdi afirmou que a discussão deixou de ser exclusivamente tecnológica e passou a envolver diretamente as comunidades. Segundo os números apresentados pelo executivo, mais de 41 medidas locais sobre data centers foram submetidas aos eleitores norte-americanos na terça-feira (3), sendo que mais de 70% tinham caráter restritivo. “O que era uma pauta de tecnologia agora virou uma pauta de cidadania”, observou.

O CEO citou Ohio, onde, segundo seu relato, houve 21 votações relacionadas à instalação dessas estruturas. Na avaliação dele, a pressão sobre os recursos hídricos e o consumo de eletricidade ajuda a explicar a resistência. “O Brasil é exatamente a resposta que o investidor americano está procurando”, sustentou, ao mencionar a matriz renovável e a oferta de água no país.

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Energia renovável pode virar vantagem competitiva

O executivo defendeu que o Brasil use sua capacidade de geração para receber novos empreendimentos sem repetir problemas observados nos Estados Unidos. “Eles primeiro atraíram os data centers para depois criar regra. Nós aqui podemos fazer o contrário”, comparou. Leverdi mencionou três prioridades para a expansão: soberania, sustentabilidade e segurança jurídica.

Uma das alternativas, segundo ele, é instalar centros de processamento próximos às fontes de geração, aproveitando eletricidade que hoje não consegue ser utilizada. “Em vez de encarecer a tarifa, nós podemos dar destino à energia que hoje estamos jogando fora”, explicou. Nesse modelo, argumentou, a nova demanda poderia ajudar o sistema elétrico em vez de elevar a conta dos consumidores.

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Leverdi também apontou a presença de cabos internacionais de internet, a disponibilidade de minerais críticos e a existência de polos de processamento no interior paulista como fatores de atração. Ele citou ainda a intenção do governo federal de construir um data center soberano e avaliou que a infraestrutura digital pode ganhar importância estratégica para o país.

Regras, licenciamento e segurança jurídica

Para transformar esse potencial em projetos, o CEO defendeu respostas concretas sobre a divisão dos custos de reforço da rede elétrica. Também considerou necessário explicar às comunidades os efeitos sobre o abastecimento de água e energia. “Quem paga o reforço da rede que o data center precisa?”, questionou, ao cobrar previsibilidade para investidores e consumidores.

No licenciamento ambiental, Leverdi pediu rigor técnico acompanhado de prazos definidos. “É importante ter todo o rigor, mas também é preciso ter relógio para isso”, afirmou. Na área judicial, propôs um procedimento mais rápido e a especialização de varas para resolver conflitos envolvendo grandes projetos de infraestrutura.

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O executivo disse que a Lawinfra tem apresentado essas propostas às autoridades. Ele também acredita que a oposição local nos Estados Unidos poderá levar grandes empresas de tecnologia a acelerar a busca por outros mercados, incluindo México, Chile e Brasil. “Dentro de todas as alternativas, o Brasil se coloca como a melhor delas”, concluiu, expressando sua avaliação sobre o potencial brasileiro.

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