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Data centers podem atrair R$ 2 trilhões ao Brasil, mas transmissão preocupa
Publicado 11/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 11/05/2026 • 21:45 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
O Brasil tem condições de se tornar um polo global de data centers, mas precisa acelerar a expansão da transmissão de energia para acompanhar o ritmo dos novos projetos, afirmou Camila Ramos, fundadora e CEO da Clean Energy Latin America.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Camila disse que o país reúne vantagens competitivas para atrair esse tipo de operação, como matriz elétrica limpa, disponibilidade de água para refrigeração, posição geográfica estratégica e energia renovável competitiva.
“O Brasil tem uma combinação única. A gente é o único país em desenvolvimento que tem uma matriz elétrica predominantemente renovável. Por volta de 90% da nossa geração do ano passado foi limpa, segundo o Ministério de Minas e Energia”, afirmou.
Segundo Camila, o Brasil tem cerca de 200 data centers em operação, ocupa a 12ª posição no ranking global do setor e concentra aproximadamente metade do mercado da América Latina. Ela disse ainda que há dezenas de gigawatts em projetos de energia solar e eólica prontos para construção.
“A gente tem um volume de energia muito grande disponível para construção imediata de energia solar e eólica. Então, entendo que isso não deveria ser um problema”, disse.
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O principal gargalo, afirmou, está na transmissão e na velocidade de expansão da rede. De acordo com Camila, o Ministério de Minas e Energia recebeu 52 pedidos de conexão para data centers na rede básica até meados de 2025, um aumento de 330% em pouco mais de um ano.
“O Ministério de Minas e Energia estima que os projetos já protocolados formam pedidos de 15 a 20 gigawatts de capacidade. Pode acrescentar uns 2,5 gigawatts de carga adicional no sistema até 2037”, afirmou.
Camila disse que o avanço regulatório com a criação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, a Pinas, é positivo, mas precisa ser acompanhado por planejamento de longo prazo.
“Isso é um avanço regulatório, mas o planejamento da expansão da transmissão precisa andar na mesma velocidade que os investimentos dos data centers”, afirmou.
Além da transmissão, a executiva citou entraves regulatórios e tributários. Segundo ela, o Redata, regime especial de tributação para data centers, é um exemplo da dificuldade do Brasil em transformar ambição em execução.
Camila afirmou que o regime previa isenção de tributos federais como PIS, Cofins e IPI, além de imposto de importação em alguns casos, na aquisição de equipamentos. O potencial, segundo ela, era atrair cerca de R$ 2 trilhões em investimentos ao longo de dez anos, com base em estimativa do Ministério da Fazenda.
“O problema é a trajetória. Lançou esse Redata como uma medida provisória em setembro de 2025. Essa medida provisória caducou em fevereiro de 2026, sem ter sido analisada no Congresso. Então, nenhuma empresa chegou a se habilitar ainda, e o setor ficou em compasso de espera”, disse.
A CEO também afirmou que o país precisa avançar em segurança de dados e ter um plano de governo para atrair investimentos em data centers. Segundo ela, essas estruturas já estão entre os maiores contratantes de energia de longo prazo no Brasil.
“A nova economia é digital. Os data centers já são os maiores contratantes de energia no mundo. Em 2024, o maior contratante de energia de longo prazo no Brasil foram os data centers. Em 2025, foi o segundo”, afirmou.
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A expansão da inteligência artificial deve ampliar ainda mais a pressão sobre a infraestrutura elétrica. Camila disse que, em 2024, data centers consumiram cerca de 414 TWh de energia no mundo, aproximadamente 1,5% do consumo elétrico global. Em 2025, a demanda do setor cresceu 17%, acima dos 3% de crescimento geral da demanda mundial por eletricidade.
Segundo ela, a Agência Internacional de Energia projeta que esse consumo pode dobrar até 2030, chegando a quase 950 terawatt-horas (TWh).
“O que mudou com a inteligência artificial é a intensidade energética por rack. Um servidor convencional com aceleradores de alta performance pode consumir até seis vezes mais energia do que um servidor tradicional. Então, a questão não é só crescer mais. É crescer de uma forma mais densa e mais exigente para a rede elétrica”, afirmou.
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