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Energia

O que é gás não convencional e por que ele atrai investimentos bilionários?

Publicado 07/11/2026 • 14:00 | Atualizado há 27 minutos

KEY POINTS

  • Gás não convencional exige tecnologias específicas para extrair combustível de rochas de baixa permeabilidade.
  • Projeto da ADNOC prevê produzir 345 milhões de pés cúbicos de gás por dia a partir de 2029.
  • Emirados Árabes Unidos têm 160 trilhões de pés cúbicos em recursos não convencionais de gás.
O que é gás não convencional e por que ele atrai investimentos bilionários

Foto: unsplash

O que é gás não convencional e por que ele atrai investimentos bilionários

O avanço da inteligência artificial, a expansão industrial e a busca por segurança energética aumentaram o interesse das empresas por novas fontes de gás natural. Nesse cenário, os recursos não convencionais ganharam espaço nas estratégias de grandes companhias do setor.

Um exemplo é a decisão da ADNOC de desenvolver o projeto Ruwais Diyab, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Anunciado durante a ADIPEC, o empreendimento representa o primeiro projeto de gás não convencional em larga escala da companhia.

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Além disso, a iniciativa prevê o início da produção em 2029 e poderá reforçar o abastecimento interno do país, além de ampliar a capacidade da empresa de atender à demanda internacional.

O que é gás não convencional?

O gás não convencional é o gás natural encontrado em formações geológicas que dificultam sua extração pelos métodos tradicionais. Diferentemente das reservas convencionais, nas quais o combustível consegue fluir com mais facilidade pelas rochas até os poços, esses recursos permanecem presos em estruturas de baixa permeabilidade.

Entre os exemplos estão o gás de folhelho, conhecido como shale gas, o gás de formações compactas (tight gas) e o gás associado a camadas de carvão.

Como o combustível não flui facilmente, as empresas precisam utilizar estudos geológicos detalhados e tecnologias específicas de perfuração e completação. Dependendo das características da formação, a exploração pode envolver perfuração horizontal e fraturamento hidráulico.

Essa complexidade pode elevar os custos e os riscos da operação. Por outro lado, os avanços tecnológicos permitem acessar reservas que antes apresentavam dificuldades técnicas ou econômicas para a produção.

Por que esse tipo de gás atrai investimentos?

O interesse das empresas está relacionado ao potencial de ampliar as reservas disponíveis e diversificar as fontes de abastecimento. Em regiões com grandes recursos ainda pouco explorados, a tecnologia pode transformar reservas de difícil acesso em oportunidades comerciais.

Além disso, o gás natural abastece indústrias, participa da geração de eletricidade e serve como matéria-prima para diferentes setores econômicos. Também pode complementar fontes renováveis, cuja produção depende de condições climáticas.

Outro fator é a possibilidade de exportação. Com infraestrutura adequada para processamento, transporte e liquefação, o gás natural pode ser convertido em gás natural liquefeito (GNL) e enviado a mercados internacionais.

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Projeto da ADNOC prevê produção a partir de 2029

Segundo comunicado divulgado pelo Escritório de Mídia de Abu Dhabi, a ADNOC tomou a decisão final de investimento (FID) para desenvolver Ruwais Diyab. Dessa forma, o empreendimento deverá produzir 345 milhões de pés cúbicos padrão de gás bruto por dia a partir de 2029, durante um período de 25 anos. No futuro, a capacidade poderá alcançar até 1 bilhão de pés cúbicos padrão por dia.

Além disso, a companhia planeja processar o gás no próprio local e conectar a produção à rede dos Emirados Árabes Unidos por meio de novos gasodutos. Com isso, a empresa pretende fortalecer o abastecimento doméstico, apoiar o crescimento econômico e industrial do país e ampliar sua capacidade de atender à demanda internacional por GNL.

Reservas dos Emirados ampliam potencial do empreendimento

Os recursos disponíveis ajudam a explicar o interesse da companhia. De acordo com o Escritório de Mídia de Abu Dhabi, os Emirados Árabes Unidos possuem a sétima maior reserva de gás do mundo. O país reúne 298 trilhões de pés cúbicos padrão em reservas convencionais e outros 160 trilhões de pés cúbicos padrão em recursos não convencionais.

Nesse contexto, Ruwais Diyab busca transformar parte desse potencial em capacidade efetiva de produção. O projeto também deverá fortalecer a cadeia de negócios da ADNOC, incluindo a atuação da ADNOC Gas no atendimento aos clientes nacionais e internacionais.

A expansão da infraestrutura industrial e dos centros de dados utilizados pela inteligência artificial também aumenta a necessidade de fornecimento constante de energia. Por isso, o gás aparece como um recurso estratégico para atender ao crescimento da demanda.

Inteligência artificial ajuda na exploração

O empreendimento também utilizará tecnologias avançadas para reduzir os riscos da operação. A ADNOC Onshore conduziu estudos técnicos, testes de campo e análises das condições do subsolo antes de avançar com o desenvolvimento.

A execução seguirá o modelo design-build-operate (DBO), que integra projeto, construção e operação. A companhia também prevê o uso de inteligência artificial nas tecnologias de perfuração e completação.

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Para Sultan Ahmed Al Jaber, ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos e CEO do Grupo ADNOC, o projeto representa um marco para aproveitar os recursos de gás de Abu Dhabi e fortalecer a segurança energética do país.

Dessa forma, Ruwais Diyab mostra como a combinação entre reservas naturais, tecnologia e infraestrutura pode transformar o gás não convencional em uma oportunidade estratégica para o mercado de energia. O desafio será desenvolver esses recursos de maneira economicamente viável e responsável.

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