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Por que o Catar quer garantir fornecimento de gás dos EUA por 20 anos?
Publicado 01/11/2026 • 20:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 01/11/2026 • 20:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: U.S. Coast Guard
Por que o Catar quer garantir fornecimento de gás dos EUA por 20 anos
A QatarEnergy fechou um acordo de 20 anos com a australiana Woodside Energy para comprar gás natural liquefeito (GNL) produzido nos Estados Unidos. O contrato prevê entregas a partir de 2030 e reforça a estratégia do Catar de diversificar suas fontes de abastecimento diante dos riscos provocados pelo conflito no Oriente Médio e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
Além disso, o acordo prevê o fornecimento de até 3 milhões de toneladas métricas de GNL por ano. O gás virá do projeto Louisiana LNG, em construção no estado americano da Louisiana. Segundo a QatarEnergy, a operação também a torna a maior compradora de GNL dos Estados Unidos.
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A decisão ocorre em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia. O bloqueio de Ormuz e os danos causados pela guerra afetaram a produção e o transporte de gás na região. Dessa forma, com isso, um dos maiores exportadores mundiais da commodity enfrenta dificuldades para atender à demanda.
A contratação de longo prazo permite à QatarEnergy ampliar o acesso ao gás produzido fora do Golfo Pérsico. Dessa forma, a empresa busca reduzir a exposição às interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia.
Além disso, a duração do contrato também chama a atenção. Para Hersh Oberoi, diretor global de pesquisa do Balfour Capital Group, o contrato de 20 anos sinaliza uma preocupação duradoura. Segundo ele, a QatarEnergy considera que os riscos na região podem persistir por muito tempo.
Oberoi afirma que um contrato de 20 anos vai além de uma solução temporária. Segundo ele, se a intenção fosse cobrir uma interrupção de apenas três ou quatro anos, não seria necessário firmar um acordo tão longo.
Além disso, a QatarEnergy já vinha comprando GNL de fornecedores americanos para atender parte de seus clientes. A QatarEnergy informou a alguns clientes que não receberia GNL até o fim de 2026. A informação foi obtida com base em dados da empresa italiana de energia Edison e de fontes do mercado.
Para a Woodside Energy, o contrato representa uma oportunidade de garantir compradores para parte da produção prevista em Louisiana. A companhia australiana vinha enfrentando dificuldades para fechar acordos de longo prazo para o projeto, em parte porque buscava cobrar taxas de liquefação superiores às praticadas no mercado americano.
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Siga o Times | CNBCAntes do contrato com a QatarEnergy, a alemã Uniper era a única compradora com um acordo de longo prazo para o empreendimento.
A instalação de exportação de GNL na Louisiana terá capacidade prevista de 16,5 milhões de toneladas por ano, considerando as três unidades iniciais de produção. A Woodside pretende iniciar a produção em 2029, enquanto as entregas previstas no contrato com a QatarEnergy devem começar em 2030. O investimento total informado para o projeto é de US$ 17,5 bilhões.
O fornecimento ocorrerá de forma gradual, acompanhando o início das operações das unidades de produção, conhecidas no setor como trains. Pelo contrato, a Woodside começará a fornecer GNL quando a segunda unidade da Louisiana LNG entrar em operação. Os volumes aumentarão até atingir 3 milhões de toneladas por ano a partir do início das atividades da terceira unidade.
O acordo prevê entregas na modalidade free on board (FOB), na qual o produto é disponibilizado a bordo no terminal de exportação, ficando o comprador responsável pelo transporte a partir desse ponto.
A instabilidade no Oriente Médio também tem sustentado os preços internacionais do GNL. As cotações permaneceram próximas das máximas de vários anos em 2026, impulsionadas pelas preocupações com o conflito e pelas previsões de temperaturas mais baixas.
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Nesse cenário, o contrato de longo prazo atende a interesses distintos. A QatarEnergy amplia suas opções de abastecimento e reduz a dependência de rotas sujeitas a interrupções, enquanto a Woodside assegura um comprador para parte da capacidade de seu novo projeto nos Estados Unidos.
A negociação, portanto, vai além de uma compra pontual de gás. Para o Catar, o contrato de 20 anos amplia a segurança do abastecimento e diversifica as fontes de fornecimento diante dos riscos geopolíticos.
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