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Energia

Por que o Reino Unido está facilitando a aprovação de reatores nucleares americanos?

Publicado 31/10/2026 • 08:00 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • O Reino Unido quer reduzir de quatro para dois anos o prazo de aprovação de projetos nucleares.
  • A reforma pode beneficiar empresas como Holtec, Westinghouse, TerraPower e X-energy, que buscam espaço no mercado britânico.
  • O governo pretende quadruplicar a capacidade nuclear do país para 24 gigawatts até 2050, diante da alta prevista na demanda por eletricidade.
Por que o Reino Unido está facilitando a aprovação de reatores nucleares americanos?

Foto: unsplash

Por que o Reino Unido está facilitando a aprovação de reatores nucleares americanos?

O Reino Unido pretende reduzir o prazo de aprovação de projetos nucleares de três ou quatro anos para cerca de dois anos. A mudança busca ampliar a geração de energia no país e atrair empresas americanas, que poderão aproveitar avaliações técnicas realizadas nos Estados Unidos para acelerar o licenciamento de seus reatores.

O governo britânico pretende concluir a revisão regulatória até o fim de 2027. A iniciativa faz parte do plano de quadruplicar a capacidade nuclear do país, de modo a alcançar 24 gigawatts (GW) até 2050. Além disso, segundo o Operador do Sistema Energético Nacional, a demanda por eletricidade no Reino Unido deve aumentar 40% até 2035.

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Além de rever as regras de segurança, o governo quer simplificar os processos de planejamento e as aprovações ambientais, que contribuem para os altos custos e os longos prazos de construção.

Reino Unido quer reduzir custos e prazos de aprovação

A reforma responde a uma revisão regulatória publicada em 2025, que identificou a fragmentação da fiscalização, decisões excessivamente conservadoras e a complexidade da legislação como obstáculos ao desenvolvimento nuclear. O relatório apresentou 47 recomendações, incluindo maior coordenação entre os órgãos reguladores e menos análises repetidas de projetos idênticos.

A cooperação entre Reino Unido e Estados Unidos também deve facilitar o processo. Além disso, em setembro de 2025, os dois países assinaram a Parceria Atlântica para Energia Nuclear Avançada, que permite compartilhar avaliações regulatórias e evitar a duplicação de trabalho técnico.

Em maio de 2026, os reguladores britânicos estabeleceram uma política para aproveitar avaliações de autoridades internacionais confiáveis. A medida pode facilitar o uso de análises da Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos (NRC), sem eliminar as exigências de segurança britânicas.

Holtec testa a cooperação entre os países

A Holtec está entre as empresas que podem se beneficiar das mudanças. O Reino Unido escolheu o projeto de duas unidades do reator SMR-300, planejado para Palisades, em Michigan, como referência para a avaliação regulatória britânica.

A Avaliação Genérica de Projeto (GDA, na sigla em inglês) examina a segurança, a proteção e a aceitabilidade ambiental de um modelo de reator, independentemente de sua localização. Assim, a Holtec poderá aproveitar informações e análises desenvolvidas para o projeto americano.

Em 30 de setembro, a empresa apresentou à NRC seu Relatório Preliminar de Análise de Segurança para Palisades. A Holtec também concluiu, em março de 2026, a segunda etapa da avaliação genérica britânica.

A companhia planeja instalar até quatro reatores SMR-300 em Cottam, antiga usina a carvão em Nottinghamshire, em parceria com a EDF e a Tritax. O projeto poderá acrescentar cerca de 1,3 GW de capacidade de geração.

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A iniciativa servirá como teste para a cooperação entre os reguladores dos dois países. Ainda assim, permanece a dúvida sobre quanto do trabalho americano as autoridades britânicas aceitarão sem exigir novas análises.

Reino Unido atrai projetos de empresas americanas

A Westinghouse iniciou, em agosto de 2024, a avaliação de seu reator AP300, de 300 megawatts (MW). A TerraPower começou a solicitar a avaliação do Natrium em junho de 2026, enquanto a X-energy iniciou o processo para o Xe-100 em setembro.

A TerraPower ainda não escolheu o local de sua primeira instalação britânica. No entanto, seu presidente-executivo, Chris Levesque, afirmou à Reuters, em setembro, que a geração de energia com o Natrium no Reino Unido até 2034 é uma possibilidade concreta.

A X-energy também firmou parceria com a Centrica para desenvolver até 6 GW de capacidade nuclear avançada no país. A proposta inicial prevê 12 reatores, com capacidade combinada de 960 MW, em Hartlepool, no nordeste da Inglaterra.

Apesar da simplificação, a avaliação britânica continuará abrangendo segurança, proteção, salvaguardas e impactos ambientais. O objetivo é aproveitar análises existentes, não dispensar a fiscalização.

Rolls-Royce terá apoio do governo britânico

As empresas americanas, porém, enfrentarão a concorrência de projetos apoiados pelo governo. A Great British Energy-Nuclear contratou a Rolls-Royce SMR para fornecer três reatores em Wylfa, no norte do País de Gales, com capacidade combinada de 1,4 GW.

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O governo destinou mais de 2,5 bilhões de libras ao programa de pequenos reatores modulares. A Rolls-Royce também conta com uma cadeia de fornecedores britânicos consolidada, o que lhe dá vantagem na disputa pelo mercado. Enquanto isso, a Holtec avalia construir uma fábrica no Reino Unido, e a Westinghouse firmou acordos com seis fornecedores britânicos em setembro de 2025.

A expectativa é que regras mais eficientes e parcerias internacionais acelerem a expansão nuclear no Reino Unido. O sucesso, contudo, dependerá da capacidade de reduzir custos, repetir projetos em escala e manter os padrões de segurança exigidos pelos reguladores.

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