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Publicado 19/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 1 mês
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Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC
Qual será o papel da Azara Capital após comprar a Naskar?
As recentes notícias envolvendo a Naskar seguem movimentando o mercado financeiro e as autoridades. Depois da mudança silenciosa da empresa da sede oficial e do sumiço de quase R$ 1 bilhão e mais de 3 mil investidores prejudicados, a Fintech anunciou a venda para a Azara, empresa sediada nos Estados Unidos.
Apesar da venda ser uma prática comum entre empresas que enfrentam crises financeiras, o caso envolvendo a Naskar e a Azara foge da normalidade. Isso porque a empresa sediada nos Estados Unidos não possui registros nos principais órgãos do país e nem no Brasil. Entenda outros motivos que levantam suspeitas na suposta venda.
Leia também: O que faz a Azara Capital, gestora que diz ter comprado a Naskar?
A Azara Capital anunciou a compra da Naskar, da 7Trust e da Next por aproximadamente R$ 1,2 bilhão. A empresa ainda enfatizou que irá assumir os ativos e passivos da Naskar, assunto que está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com a nota divulgada em conjunto entre as empresas, a nova gestora iniciaria conversas para devolver os recursos aos investidores prejudicados. A promessa surgiu poucos dias depois da Naskar interromper os pagamentos, tirar o aplicativo do ar e cortar comunicação com os clientes.
A fintech prometia rendimento de 2% ao mês, equivalente a 175% do CDI, mesmo sem o aval do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários. O retorno prometido pela Naskar pode ser considerado relativamente acima dos padrões do mercado.
Parte das suspeitas envolve a estrutura da própria Azara Capital. A empresa afirmou atuar nos EUA, mas não aparece nos registros da SEC e nem da FINRA, órgãos americanos responsáveis pela fiscalização do mercado financeiro do país.
Em declaração ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a empresa declarou que opera com capital próprio e, por isso, não precisaria desses registros. Entretanto, especialistas apontam que companhias que atuam com ativos financeiros nos Estados Unidos precisam de autorização regulatória independentemente da origem do capital.
No Brasil, a Azara Instituição de Pagamento Ltda surgiu em 4 de fevereiro de 2026, apenas 100 dias antes do anúncio de compra da Naskar. Além disso, a Receita Federal classifica a Azara como Empresa de Pequeno Porte com capital social de R$ 13 milhões.
Também vale lembrar que a empresa não possui as documentações necessárias no Brasil para atuar como instituição de pagamento, assim como nos Estados Unidos.
Além das movimentações suspeitas, a estrutura digital da Azara também desperta dúvidas no mercado e nas autoridades. A página possui apenas uma tela, sem histórico operacional, sem identificação de executivos, sem clientes listados e sem detalhes sobre produtos financeiros.

O domínio do site recebeu uma atualização no dia 14 de maio de 2026, exatamente no mesmo dia da divulgação da compra da Naskar. Além disso, o custo estimado da infraestrutura digital gira em torno de US$ 50 (aproximadamente R$ 253 na cotação atual).
Outro ponto que mantém as suspeitas na negociação entre as empresas envolve o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 25 anos, apontado como único sócio administrador da empresa brasileira. Dados levantados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC mostram uma renda declarada de R$ 1,7 mil por mês, além de 24 protestos ativos que somam R$ 386 mil e mais de 15 processos relacionados a estelionato e crimes patrimoniais.
Enquanto investidores aguardavam novidades, os três sócios da Naskar passaram a última sexta-feira (15) reunidos em um escritório especializado em recuperação judicial na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo fonte próxima ao caso.
Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, estudam pedir recuperação judicial enquanto a Polícia Civil do Distrito Federal investiga o desaparecimento de aproximadamente R$ 1 bilhão pertencente a clientes em todo o país.
Leia também: Quem é Douglas Azara, empresário de 25 anos ligado à compra da Naskar
A assessoria da Azara declarou que a empresa assumiu integralmente os ativos e passivos da Naskar, incluindo a responsabilidade pelos pagamentos prometidos aos investidores. Além disso, a companhia informou que a Azara IP encontra-se em fase de estruturação técnica e operacional”. Já a assessoria da Naskar afirmou apenas que não comentaria o caso.
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