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Ferrari: por que o lançamento conturbado do carro elétrico pode não ser o desastre que investidores temem?
Publicado 28/05/2026 • 07:46 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/05/2026 • 07:46 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Divulgação Ferrari
Papa Leão XIV conhece o Ferrari Luce, primeiro elétrico da marca italiana
As ações da Ferrari despencaram após a apresentação do seu primeiro veículo totalmente elétrico, que foi criticado pelo ex-presidente da montadora de carros de luxo e até mesmo pelo ministro dos transportes da Itália.
As ações da empresa caíram mais de 8% na terça-feira (26), após a apresentação do Luce, o primeiro Ferrari de cinco lugares, com preço de 550 mil euros, aproximadamente US$ 640 mil. As ações, listadas em Milão, que chegaram a subir mais de 2% na manhã de quarta-feira (27), fecharam o pregão com leve queda.
Analistas do setor automotivo, no entanto, minimizaram a reação negativa do mercado, afirmando que ”é muito cedo para se preocupar excessivamente”.
A empresa apresentou o Luce, que significa luz em italiano, na segunda-feira (25), quando o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, disse à CNBC que o lançamento foi um “dia muito, muito importante” que simbolizava “um novo capítulo” na história da empresa.
Mas muitos criticaram o design pouco convencional da Luce e alguns questionaram se o veículo elétrico poderia diluir o retorno do investimento para a empresa.
Leia também: Após reação negativa ao Ferrari Luce, CEO da Lamborghini diz que cancelar carros elétricos foi decisão correta
Analistas da RBC Capital Markets observaram as preocupações dos investidores de que “o design da Luce, que prioriza a aerodinâmica em detrimento da força descendente, pode afetar os valores residuais”.
“Dito isso, lembre-se de que os investidores expressaram preocupações semelhantes quando o Purosangue foi apresentado em 2022. Desde então, o modelo se tornou um dos mais vendidos da Ferrari, com a demanda superando a oferta”, afirmaram em um relatório de pesquisa divulgado na terça-feira (26).
O Purosangue pareceu romper com a antiga promessa da empresa de nunca construir um SUV. A empresa o chamou de FUV: “Ferrari Utility Vehicle” (Veículo Utilitário Ferrari).
“Embora o design do Luce se afaste da tradição da Ferrari, a empresa indicou que a experiência de condução permanece fiel à marca”, afirmou a nota da RBC Capital Markets.
Os analistas acrescentaram que a empresa poderá limitar o volume de vendas do Luce “para manter a exclusividade, embora a procura inicial pelo veículo seja um indicador fundamental para os investidores acompanharem. Reiteramos que é muito cedo para preocupações excessivas, especialmente se o design conseguir atrair novos clientes (potencialmente na China).”
William Li, CEO da fabricante chinesa de carros elétricos Nio, afirmou que os designs da Ferrari sempre estiveram na vanguarda do mercado, acrescentando que o Luce possui suas próprias “características distintas”.
“É preciso ver no local. Muitas vezes, não basta simplesmente assistir a vídeos ou ver fotos”, disse Li a repórteres em Pequim na quinta-feira, segundo uma tradução da CNBC de suas declarações em mandarim.
“Eu também vi o vídeo do papa testando o carro. Assistir a esse vídeo, em comparação com outros, me deu uma sensação diferente”, disse Li, observando que “só quando o carro está em movimento é que você consegue senti-lo”.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Exclusivo CNBC: CEO da Ferrari diz que novo elétrico manterá “emoção” dos supercarros da marca
As entregas aos clientes estão programadas para começar no quarto trimestre. A Ferrari afirmou que optou por desenvolver e fabricar todos os componentes internamente em sua fábrica em Maranello, Itália. O design é da LoveFrom, uma agência fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.
O ex-presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, que ocupou vários cargos de liderança na montadora por décadas até 2014 e agora faz parte do conselho da rival McLaren Group Holdings, disse que o Luce era uma vergonha para a história gloriosa da empresa.
“Espero que retirem o cavalo empinado [logotipo] daquele carro”, disse ele à margem de uma conferência de negócios em Roma, segundo a Reuters.
A Ferrari recusou-se a comentar. A McLaren fabrica supercarros concorrentes, investiu fortemente em tecnologia híbrida e também compete com a Ferrari na Fórmula 1.
O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, também criticou o projeto Luce, chamando-o de “absurdamente caro”.
“Do ponto de vista estético, fala por si só… Não se parece em nada com um carro do Cavallino Rampante. E isso é considerado ‘inovação’? Quem sabe o que (o fundador da Ferrari) Enzo Ferrari diria”, escreveu ele no X.
Analistas do setor automotivo do Citi afirmaram que, enquanto rivais de luxo como Bentley, Lamborghini e Aston Martin adiaram o lançamento de seus modelos de veículos elétricos a bateria, o lançamento do Ferrari Luce destacou os riscos da transição para veículos elétricos a bateria entre clientes super-ricos.
“Isso já teve algum impacto no múltiplo de avaliação, pressionado também pelas menores expectativas de crescimento do lucro por ação (EPS) em 5 anos.
No entanto, como a Ferrari destaca, mesmo fora da legislação da UE sobre emissões de CO2, a demanda global por carros está se dividindo entre a tecnologia de motores a combustão interna (ICE) e a tecnologia de veículos elétricos a bateria (BEV)”, afirmaram em uma nota de pesquisa na quarta-feira (27).
“Nem mesmo a Ferrari consegue contrariar essa tendência para sempre. Resta saber se o momento e o apelo do LUCE resolverão a questão da transição para veículos elétricos a bateria para a Ferrari neste momento. Os lucros da Ferrari continuarão sendo impulsionados por seus produtos com motor de combustão interna num futuro próximo”, acrescentaram.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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