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Ford atinge marco de qualidade e CEO mira lançamentos sem falhas de novos veículos
Publicado 03/07/2026 • 17:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/07/2026 • 17:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Ford Motor costuma destacar seu papel como um dos pilares da indústria americana, da atividade empresarial e da liderança no segmento de picapes com a família F-Series, líder de vendas. Mas a montadora também liderou os Estados Unidos em uma área da qual não se orgulha: recalls e problemas de qualidade.
Esses desafios prejudicaram os resultados financeiros da fabricante de Detroit, reduziram a confiança dos consumidores e afetaram a reputação da marca durante boa parte da última década. Apenas neste ano, a empresa já emitiu 53 recalls, envolvendo mais de 12 milhões de veículos, após registrar um recorde da indústria em 2025, quando realizou 153 recalls que atingiram 13 milhões de carros e picapes.
Esse período, porém, está chegando ao fim, afirmou o CEO Jim Farley em entrevista exclusiva à CNBC, após a empresa atingir um importante marco em qualidade. Segundo ele, a Ford aprendeu com os erros do passado e pretende usar esse aprendizado para lançar uma série de novos produtos sem falhas nos próximos anos.
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“Nossos melhores dias ainda estão por vir, à medida que continuamos executando essa recuperação na qualidade para nossos investidores, funcionários e clientes”, disse Farley durante entrevista por telefone. “Dentro de alguns anos teremos veículos totalmente novos em toda a nossa linha da América do Norte, e precisaremos lançar todos eles de forma perfeita.”
Executar esse plano não será simples. O lançamento de novos veículos, especialmente aqueles equipados com tecnologias emergentes, como sistemas definidos por software e conjuntos motrizes eletrificados, é um processo complexo, no qual um único problema pode gerar impactos em toda a linha de produtos.
Farley conhece bem esse desafio. Segundo ele, essas falhas custaram bilhões de dólares à Ford durante os quase seis anos em que está à frente da companhia.
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Nesta semana, a montadora ampliou o total de recalls em 2026 ao convocar 741.195 SUVs e picapes F-150, produzidos entre os anos-modelo 2018 e 2021.
Os investidores acompanham de perto essas questões, avaliando que os custos com garantias representam um risco para as projeções financeiras e para os planos futuros da empresa. Esses custos incluem despesas com reparos, substituições e outras correções relacionadas a defeitos de peças ou de fabricação durante o período de garantia dos veículos.
A Ford informou que reduziu em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões) os custos com garantias e materiais em 2025, ajustados por volume e mix de produtos, e pretende reduzir ainda mais essas despesas em 2026. O movimento ocorre após esses custos atingirem US$ 4,8 bilhões (R$ 24,96 bilhões) em 2023.
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“Embora os custos com garantias tenham pesado significativamente sobre os resultados nos últimos anos, a Ford parece ter ‘virado a esquina'”, escreveu o analista Dan Levy, do Barclays, em relatório divulgado em 15 de maio, citando quatro trimestres consecutivos de melhora ano a ano. “Acreditamos que a melhora observada no primeiro trimestre é encorajadora, mas ainda será necessário avançar mais.”
Na semana passada, a empresa recebeu um reconhecimento externo pelos esforços de vários anos para melhorar a qualidade de seus produtos ao ser eleita a principal marca de mercado de massa dos Estados Unidos no ranking de qualidade inicial da J.D. Power.
Após a divulgação do resultado, em 25 de junho, as ações da Ford subiram 2%, registrando o segundo melhor desempenho diário da companhia no mês.
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Foi a primeira vez desde 2010 que a Ford liderou entre as marcas generalistas no influente estudo, que mede a qualidade esperada de veículos novos com base nos problemas relatados pelos proprietários durante os primeiros 90 dias de uso.
Depois de ocupar a 23ª posição em 2023, a empresa ficou em 3º lugar entre todas as marcas, atrás apenas das fabricantes de luxo Porsche e Genesis, da Hyundai, e à frente da Lexus, da Toyota, que ficou em quarto lugar.
A Ford apresentou melhora em praticamente todas as categorias avaliadas pela J.D. Power, incluindo software, sistemas de entretenimento e conjuntos motrizes.
O reconhecimento ocorre enquanto Farley intensifica mudanças na liderança da empresa, nos programas de bônus e incentivos, no foco em qualidade e na revisão de processos internos e de fornecedores para identificar problemas de forma mais preventiva.
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Siga o Times | CNBC“Tenho muito orgulho de ver uma montadora americana superar concorrentes do mundo inteiro em qualidade inicial, mas obviamente ninguém aqui está satisfeito”, afirmou Farley, que trabalhou por quase 19 anos na Toyota antes de ingressar na Ford. “Ainda temos muito trabalho para sermos a marca número um em qualidade em todos os aspectos.”
Segundo ele, a empresa ainda precisa reduzir os custos com garantias, diminuir os recalls e melhorar sua reputação em atributos como durabilidade de longo prazo.
No estudo de confiabilidade de veículos da J.D. Power, divulgado em fevereiro, a Ford e sua marca de luxo Lincoln ficaram, respectivamente, nas posições 18 e 19, ambas abaixo da média da indústria. Esse levantamento avalia veículos com mais tempo de uso.
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Farley evitou prever quando a empresa deixará de liderar os recalls nos Estados Unidos, posição ocupada desde 2024, argumentando que não controla problemas em veículos antigos nem o desempenho dos concorrentes. Ainda assim, afirmou que as mudanças implementadas “levarão, sem dúvida, a uma redução significativa” dos recalls futuros.
“A verdadeira medida do sucesso será mostrar isso ao longo de cinco ou dez anos, durante lançamentos e diferentes ciclos econômicos”, afirmou. “Todos querem uma resposta rápida, mas, quando o assunto é qualidade, o tempo é a medida mais importante do sucesso.”
Recalls representam correções de falhas que não foram identificadas durante o desenvolvimento ou a produção dos veículos. Esses problemas podem variar desde questões simples, como etiquetas de para-sol ou atualizações de software, até defeitos graves que colocam consumidores em risco.
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Os esforços mais recentes da Ford concentram-se em identificar problemas o mais cedo possível durante o desenvolvimento dos veículos. Para isso, segundo Farley, a empresa promoveu uma reorganização estrutural de seus processos.
Desde 2023, a montadora implantou uma nova estrutura organizacional, contratou 350 especialistas técnicos, intensificou reuniões periódicas, ampliou a colaboração com fornecedores e tornou os testes de desenvolvimento mais rigorosos durante todas as etapas de criação dos veículos.
A empresa também alterou seu sistema de bonificação, vinculando a remuneração dos executivos de forma mais direta aos indicadores de qualidade, inclusive de novos dirigentes vindos da Whirlpool e da Johnson Controls, que trouxeram experiência adicional na área.
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Mesmo com os avanços, a Ford continuou enfrentando desafios.
Após implementar ferramentas de inteligência artificial para detectar falhas, a empresa precisou trazer de volta engenheiros veteranos – conhecidos internamente como “gray beard” – para orientar profissionais mais jovens e aprimorar o treinamento dos modelos de IA.
“No passado, a Ford reestruturou a empresa para economizar dinheiro e acabou perdendo profissionais experientes das áreas de cadeia de suprimentos, manufatura e engenharia”, afirmou Farley. “Trazer essas pessoas de volta complementa toda essa tecnologia de inteligência artificial.”
Para muitas empresas, a IA vem demonstrando capacidade de aumentar a produtividade, mas sua eficiência depende de treinamento adequado e da integração ao trabalho humano.
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Farley afirmou que a melhoria da qualidade é um processo contínuo, mas acredita que a empresa já percorreu aproximadamente metade do caminho previsto em seu plano de negócios Ford+, cujos resultados começam a mostrar o potencial futuro da companhia.
“Depois de 40 anos, sei o quanto qualidade e durabilidade são importantes e o quanto é difícil ser o melhor, posição que alcançamos agora em qualidade inicial”, concluiu. “Não podemos perder esse momento. Isso precisa fazer parte da nossa cultura.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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