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Greenwashing pode afastar capital e destruir valor das empresas, diz sócio da EY Brasil Ricardo Assumpção
Publicado 18/08/2026 • 19:14 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/08/2026 • 19:14 | Atualizado há 2 horas
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O greenwashing — prática de apresentar uma empresa, produto ou iniciativa como mais sustentável do que efetivamente é — pode distorcer a precificação de ativos, afastar investidores e reduzir o valor econômico das empresas. É o que afirmou Ricardo Assumpção, sócio-líder de Sustentabilidade da EY Brasil.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Assumpção disse que o problema deixou de estar restrito à comunicação corporativa e passou a influenciar diretamente decisões de alocação de capital.
“O greenwashing não tem a ver com comunicação. Ele tem a ver, de fato, com a parte econômica e afeta o valor econômico das empresas”, afirmou.
Segundo o executivo, o risco surge quando investidores e instituições financeiras passam a alocar recursos com base em compromissos ou promessas ambientais que não estão acompanhados de ações concretas.
“O greenwashing cria uma assimetria na informação e essa assimetria faz com que os investidores e os bancos aloquem capital em promessas muitas vezes, e não em ações ou projetos que estão sendo bem executados”, disse.
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Assumpção afirmou que o mercado já consegue medir com maior precisão os efeitos econômicos desse tipo de distorção.
Ele citou o conceito de “mispricing”, quando um ativo é avaliado pelo compromisso anunciado pela empresa e não necessariamente pelo que está sendo efetivamente entregue.
Na avaliação do executivo, esse processo pode direcionar recursos para empresas ou projetos que aparentam maior grau de sustentabilidade sem necessariamente oferecer a mesma capacidade de execução.
“O risco disso é a gente deixar, de fato, de colocar dinheiro em resiliência, em geração de novas tecnologias e na proteção de capital”, disse.
Assumpção citou um estudo segundo o qual 88% dos investidores utilizam hoje mais informações do que usavam há cinco anos, mas ainda consideram elevado o risco de greenwashing.
Para ele, o dado mostra que o problema não está necessariamente na quantidade de informações disponíveis ao mercado.
“A questão não é mais informação, mas é a qualidade da informação que a gente tem”, afirmou.
Segundo o executivo, empresas têm aumentado a divulgação de dados sobre sustentabilidade, mas ainda existe dificuldade em transformar essas informações em evidências confiáveis de impacto econômico e ambiental.
“Não falta disclosure no mercado, mas falta qualidade e confiança no disclosure que a gente tem”, disse.
Nesse ambiente, investidores tendem a se tornar mais seletivos.
“Quando a empresa percebe o greenwashing, esse capital acaba indo para outros lugares”, afirmou.
Assumpção ponderou que greenwashing não ocorre apenas quando uma companhia divulga dados falsos.
Segundo ele, também existe risco quando informações verdadeiras, mas restritas a uma parte do negócio, são usadas para construir uma percepção sobre toda a operação.
“O grande risco está em a gente pegar uma pequena parte da informação que é real e usar essa informação real para precificar uma empresa como um todo”, disse.
Para reduzir esse problema, o executivo defendeu que empresas conectem compromissos ambientais a métricas capazes de mostrar efeitos concretos sobre balanço, operação e estratégia comercial.
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Siga o Times | CNBC“Hoje a gente precisa conseguir traçar uma linha muito clara entre as ambições, entre os compromissos e como isso impacta o balanço dessa empresa, a parte comercial dessa empresa”, afirmou.
Assumpção afirmou que a agenda ESG tende a se tornar mais pragmática, com investidores cobrando maior conexão entre sustentabilidade e geração de valor.
Ele citou uma análise de cerca de 1 mil estudos, dos quais 53% apontariam forte correlação entre desempenho ESG e desempenho financeiro em empresas de grande porte.
“Quando você tem uma estratégia ESG integrada a uma estratégia corporativa, você, no fim do dia, está protegendo o seu negócio, tornando ele mais competitivo e mais resiliente”, afirmou.
Na avaliação do executivo, eventos climáticos extremos estão acelerando essa mudança de percepção.
Segundo ele, secas, enchentes e interrupções operacionais podem obrigar empresas a retirar recursos de investimentos para cobrir perdas, atingindo também os retornos dos acionistas.
“Apesar da agenda estar mais pragmática hoje, ela nunca foi tão importante para a resiliência e competitividade dos negócios no longo prazo”, disse.
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Assumpção apontou agronegócio e infraestrutura entre os setores em que a adaptação climática tem impacto mais direto sobre a preservação de valor.
No agronegócio, ele destacou a necessidade de ampliar rastreabilidade, controle da exposição a insumos e gestão de riscos relacionados à disponibilidade de água.
Segundo o executivo, o setor começa a tratar esses investimentos menos como custo adicional e mais como ferramenta de proteção do negócio.
“O agro já sabe a cartilha dele, e o que a gente percebe hoje é que o setor passa a enxergar isso não como um custo adicional, mas como uma ferramenta para proteger e tornar mais resiliente o negócio no longo prazo”, afirmou.
Na infraestrutura, o impacto aparece especialmente no custo de interrupções operacionais.
Assumpção citou como exemplos a paralisação de linhas ferroviárias e fábricas afetadas por eventos climáticos.
“O custo da interrupção de uma linha de trem ou uma fábrica que pare de operar porque perdeu o seu teto causa um prejuízo financeiro enorme”, disse.
Para ele, empresas precisarão avançar de planos climáticos formais para estratégias que possam ser efetivamente aplicadas no dia a dia.
“O mercado não vai perdoar aquelas empresas que não tiverem”, afirmou.
Assumpção disse que a principal mudança para as empresas é abandonar compromissos ambientais desconectados da realidade financeira.
“Não podemos mais nos dar ao luxo de simplesmente prometer”, afirmou.
Segundo ele, metas climáticas precisam estar acompanhadas de viabilidade econômica e de capacidade de gerar resultados mensuráveis para o negócio.
“O compromisso por si só vai falar muito pouco. Se eu conseguir demonstrar no longo prazo que esses compromissos estão impactando positivamente o negócio, é aí que está o grande segredo”, disse.
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