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I.A. está mudando a carreira de trabalhadores mais velhos, aponta estudo; veja os impactos
Publicado 13/07/2026 • 10:45 | Atualizado há 3 meses
Publicado 13/07/2026 • 10:45 | Atualizado há 3 meses
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Foto: Canva
Gigantes de tecnologia dos EUA assinaram um código de boas práticas na Casa Branca, com o objetivo de gerenciar os riscos associados à IA.
A inteligência artificial tem alimentado preocupações sobre a substituição de trabalhadores pelas novas tecnologias, principalmente entre profissionais mais jovens.
No entanto, um novo estudo do Center for Retirement Research, da Boston College, indica que os impactos da I.A também já estão sendo sentidos pelos trabalhadores mais velhos.
Segundo Geoffrey Sanzenbacher, professor de Economia e autor da pesquisa, profissionais com 55 anos ou mais empregados em setores mais expostos à inteligência artificial estão deixando seus postos de trabalho com maior frequência. Essas saídas ocorrem tanto por demissões quanto por decisões voluntárias.
“É um efeito estatisticamente significativo”, afirmou Sanzenbacher à CNBC. “Em algumas ocupações, ele pode ser bastante expressivo.”
Leia também: Como a inteligência artificial pode afetar a estabilidade do sistema financeiro?
De acordo com o estudo, a inteligência artificial pode alterar a duração da vida profissional desses trabalhadores de três maneiras.
A primeira é por meio da automação, que pode substituir profissionais mais velhos, levando-os ao desemprego ou até mesmo à saída definitiva do mercado de trabalho.
A segunda ocorre quando a necessidade de aprender e utilizar ferramentas de I.A leva alguns trabalhadores a buscar empregos menos dependentes dessas tecnologias ou a antecipar a aposentadoria.
Já o terceiro cenário é mais otimista: a I.A generativa pode aumentar a produtividade, elevar salários e permitir que os profissionais se concentrem em atividades mais estratégicas e interessantes, prolongando suas carreiras.
Leia também: Inteligência artificial virou fator de inflação global? Veja o que dizem analistas
A pesquisa considera o nível de exposição à I.A com base no quanto essa tecnologia pode desempenhar as tarefas de determinada profissão. Para isso, foram utilizados dados da Current Population Survey e informações da iniciativa Digital Planet, da Universidade Tufts, que analisa os impactos das inovações digitais.
Os resultados mostram que, antes do lançamento do ChatGPT, da OpenAI, trabalhadores mais velhos em ocupações altamente expostas à I.A tinham menor probabilidade de deixar seus empregos. Após a chegada da ferramenta, porém, eles passaram a apresentar uma probabilidade maior de sair do mercado de trabalho, inclusive por desemprego.
Segundo a pesquisa, trabalhadores mais suscetíveis aos efeitos da inteligência artificial costumam ser brancos, possuem maior escolaridade — geralmente com diploma universitário — e recebem salários mais elevados do que aqueles com baixa exposição à tecnologia.
Com base nos índices de exposição à I.A do projeto Digital Planet, as cinco profissões mais expostas são:
Já as cinco ocupações menos expostas são:
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Siga o Times | CNBCEsses resultados colocam em xeque a percepção de que trabalhadores em funções fisicamente exigentes tendem, necessariamente, a ter carreiras mais curtas e se aposentar antes dos profissionais de escritório.
Segundo Sanzenbacher, a exposição à I.A pode diminuir a diferença na duração das carreiras entre ocupações de baixa e de alta remuneração.
Por isso, o pesquisador defende que formuladores de políticas públicas levem em consideração os impactos da inteligência artificial ao discutir possíveis mudanças na idade mínima para aposentadoria.
Leia também: Como a inteligência artificial está criando uma nova geração de milionários
Novas projeções indicam que o fundo responsável por financiar parte dos benefícios da Previdência Social dos Estados Unidos pode esgotar seus recursos no fim de 2032.
Para garantir a sustentabilidade do sistema, os formuladores de políticas estudam diferentes alternativas, entre elas o aumento da idade de aposentadoria. A última grande reforma, realizada em 1983, elevou gradualmente a idade de 65 para 67 anos.
Outra possibilidade debatida é aumentar os impostos sobre a folha de pagamento para trabalhadores de maior renda, proposta defendida por parlamentares do Partido Democrata.
Segundo Sanzenbacher, existe uma alta probabilidade de que profissionais de renda mais elevada sofram cortes maiores nos benefícios da Previdência em futuras reformas.
“São justamente essas pessoas que precisarão permanecer mais tempo no mercado de trabalho”, afirmou.
Ao mesmo tempo, ele alerta que a capacidade desses trabalhadores de continuar exercendo suas funções também poderá ser afetada pela evolução da inteligência artificial.
Leia também: Inteligência artificial virou obsessão do Brasil corporativo; mas o país real não aparece em dado nenhum
Embora estejam adotando ferramentas de I.A, trabalhadores mais velhos ainda utilizam essas tecnologias com menos frequência do que os profissionais mais jovens, segundo Sanzenbacher.
Uma pesquisa recente da AARP mostrou que a inteligência artificial é vista tanto como ameaça quanto como oportunidade pelos profissionais com mais de 50 anos. Entre os 1.015 entrevistados, 24% afirmaram enxergar a I.A como uma ameaça à própria carreira, enquanto 19% a consideram uma oportunidade. Outros 37% disseram ver os dois lados ao mesmo tempo.
Outro levantamento, realizado pela AARP em parceria com o LinkedIn, concluiu que profissionais mais experientes têm maior probabilidade de ocupar cargos menos vulneráveis às mudanças provocadas pela I.A generativa: 49,4% dos trabalhadores mais velhos estão em funções relativamente protegidas, contra 42,2% dos profissionais mais jovens.
Leia também: Inteligência artificial acelera cortes de funcionários em grandes empresas; veja quais
Isso ocorre porque esses cargos costumam exigir competências que a inteligência artificial ainda não consegue reproduzir facilmente, como colaboração, capacidade de julgamento, liderança e tomada de decisões.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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