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Juros altos pressionam capital de giro da indústria, diz CNI
Publicado 17/06/2026 • 18:02 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/06/2026 • 18:02 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Freepik
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quarta-feira, 17, mostra que 45% das empresas industriais projetam alta do endividamento bancário nos próximos três meses. Segundo a pesquisa, o passivo das empresas deve aumentar no próximo trimestre em meio à maior necessidade de financiamento para honrar despesas do dia a dia.
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, afirma que a política monetária tem afetado as empresas industriais, principalmente, pelo encarecimento do crédito e pelo aumento das despesas financeiras. “Com o juro real em torno de 10% ao ano, as empresas enfrentam mais dificuldade para financiar capital de giro, rolar dívidas e sustentar investimentos”, afirma.
No início da noite desta quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil vai divulgar a decisão sobre a taxa Selic. A maior parte do mercado espera que o Copom corte a Selic em 0,25 ponto percentual.
Mais da metade (51%) das empresas consultadas pela CNI espera aumento da necessidade de buscar financiamento em contas a receber no próximo trimestre, possivelmente associada ao risco de inadimplência ou atraso no pagamento dos clientes. A necessidade de financiamento em contas a receber surge quando uma empresa vende produtos a prazo, mas precisa de dinheiro imediato para pagar despesas operacionais.
Em relação aos juros das operações de financiamento de contas a receber, os resultados reforçam a percepção de um ambiente financeiro restritivo, uma vez que 45% das empresas projetam aumento das taxas cobradas pelos bancos, percentual que sobe para 56% entre aquelas que devem ampliar a procura por esse tipo de crédito.
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Para a CNI, os dados sinalizam que fatores como maior tempo de venda ou aumento dos custos de carregamento podem ampliar a necessidade de recursos para sustentar os estoques de curto prazo. O financiamento de estoques corresponde à necessidade de recursos para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos estocados até sua venda ou utilização.
Ao todo, 45% dos respondentes esperam elevação dos juros cobrados pelos bancos para financiar estoques. O percentual chega a 63% entre as empresas que devem aumentar a procura por crédito com essa finalidade.
Quando o assunto é a procura por crédito para financiar as contas a pagar, 59% dos respondentes esperam aumento nos próximos três meses. Esse tipo de financiamento é utilizado para honrar compromissos com fornecedores, tributos e despesas operacionais, garantindo capital de giro e evitando multas.
Mais da metade (52%) das empresas consultadas acredita que os juros dessas operações vão aumentar, percentual que alcança 72% entre aquelas que devem ampliar a procura por crédito para financiar contas a pagar.
Em relação à evolução da margem líquida (percentual de lucro líquido em relação ao faturamento), 64% das empresas esperam redução nos próximos três meses. O resultado sugere que quase dois terços dos empresários antecipam queda da rentabilidade, refletindo a combinação de custos elevados, despesas financeiras e tributos.
Como forma de mitigar a queda na margem líquida, 51% dos industriais pretendem aumentar os preços de venda nos próximos três meses, enquanto apenas 7% planejam reduzi-los, indicando que parte da pressão de custos ainda será repassada aos consumidores.
Ainda assim, 43% das empresas esperam manter os preços de venda. Segundo Maria Virginia Colusso, essas empresas também enfrentam custos financeiros mais altos, mas evitam repassar integralmente esses aumentos devido ao risco de perda de mercado, especialmente diante da concorrência de produtos importados.
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A Consulta Empresarial tem como objetivo captar a percepção dos industriais sobre os efeitos da política monetária nas empresas. A iniciativa acompanha como a política monetária e as condições de crédito afetam dimensões como capital de giro, custo financeiro, endividamento, margens de lucro, formação de preços, investimentos e demanda.
Nesta edição, foram consultadas 183 empresas industriais, entre 25 de maio e 8 de junho de 2026, distribuídas por 26 setores industriais em 20 unidades federativas do Brasil.
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