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Met Gala transforma prestígio em lucro e opera como ecossistema econômico global do luxo
Publicado 04/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 5 dias
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Publicado 04/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 5 dias
KEY POINTS
A transformação do prestígio em retorno financeiro indireto, por meio da criação de desejo e visibilidade global, posiciona o Met Gala como um verdadeiro ecossistema econômico do luxo, que vai muito além de um evento beneficente. A análise é de Mariana Cerone, professora do Hub de Luxo da ESPM, ao explicar como marcas convertem presença no tapete vermelho em valor de mercado.
O Met Gala é um evento beneficente anual ligado à moda, realizado na primeira segunda-feira de maio, para arrecadar fundos para o Costume Institute, departamento do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, Estados Unidos. É considerado o evento mais importante da moda mundial, reunindo celebridades, designers e empresários em um jantar exclusivo que marca a abertura da exposição anual do Costume Institute. Além da função beneficente, também funciona como uma grande vitrine global de moda e branding.
Em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Cerone lembra que o evento funciona como uma poderosa vitrine global. “O custo de uma mesa está na casa dos US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões), mas é um marketing que vale a pena pela visibilidade mundial”, afirmou. O diferencial do Met Gala está na forma como a moda é apresentada. “É um dos únicos eventos que trata a moda como arte, e não apenas como consumo, o que desperta a desejabilidade”, destacou.
A lógica por trás do impacto econômico do evento está na construção de aspiração. “O consumidor de luxo se inspira no que vê no tapete vermelho, e o consumidor aspiracional também busca essas referências”, explicou. Essa dinâmica segue uma base teórica conhecida. “Segundo Thorstein Veblen, as classes sociais buscam emular umas às outras”, pontuou.
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Nesse contexto, o evento não vende diretamente produtos, mas alimenta o sistema. “O Met Gala não força a venda, ele cria desejo, e esse desejo sustenta a indústria da moda”, ressaltou.
No universo do luxo, a relação entre preço e demanda foge à lógica tradicional. “No que chamamos de Efeito Veblen, quanto maior o preço, maior a demanda”, disse. A exposição no evento reforça esse movimento. “Se uma marca aparece no Met Gala, é esperado que ela aumente preços porque a demanda vai subir”, destacou.
Essa dinâmica explica por que a presença no evento é estratégica. “É uma anomalia microeconômica, mas é assim que o mercado de luxo funciona”, afirmou.
A escolha de quem representa a marca no evento é outro fator decisivo. “Além do capital econômico, existe o capital simbólico, que define quem realmente pertence a esse grupo”, explicou. O conceito vai além do dinheiro. “Não basta pagar para estar lá, é preciso ser aceito culturalmente”, ressaltou.
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Esse aspecto tem gerado novas tensões no evento. “Hoje vemos a entrada de bilionários da tecnologia, que têm capital econômico, mas nem sempre têm o capital simbólico”, apontou. A mudança altera a dinâmica tradicional. “Isso gera debate e polêmica, especialmente nas redes sociais”, afirmou.
Para a especialista, o Met Gala consolida seu papel como plataforma econômica estratégica. “Ele transforma visibilidade em valor e prestígio em retorno financeiro indireto”, disse. O impacto vai além da noite do evento. “É um motor que sustenta toda a cadeia do luxo ao longo do tempo”, concluiu.
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