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Protagonistas: O maior desafio é saber utilizar a IA de forma responsável e produtiva, diz Cinthia Nespoli, CEO da Pearson
Publicado 23/07/2026 • 21:37 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/07/2026 • 21:37 | Atualizado há 1 hora
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A comunicação, a capacidade de aprender continuamente e a autenticidade são competências cada vez mais importantes para liderar em um ambiente de trabalho transformado pela inteligência artificial, afirmou Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, nesta quinta-feira (23) ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“Eu sou protagonista, sou figurante, sou coadjuvante em diferentes cenários da vida. Sou mulher, mãe, executiva e uma pessoa que vive uma realidade complexa, buscando a felicidade em todas essas frentes”, afirmou ao definir sua trajetória.
Formada em Direito, Cinthia contou que sua carreira foi construída por meio de diferentes experiências até encontrar seu espaço no ambiente corporativo.
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“Foi um processo de tentativa e erro. Passei por vários papéis até perceber que era na carreira corporativa que eu encontrava realização. Comecei na área jurídica e depois tive a oportunidade de assumir um papel completamente diferente, ajudando a Pearson a desenvolver novos negócios, construir parcerias e liderar uma operação muito além do Direito”, disse.
Para a executiva, liderar pessoas exige muito mais do que técnicas de gestão.
“Eu busco ser muito autêntica. As pessoas precisam sentir que eu realmente enxergo quem está do outro lado. É assim que construímos relações de confiança e conseguimos crescer juntos”, afirmou.
Segundo ela, autenticidade não significa expor todos os aspectos da vida pessoal, mas permitir que as pessoas conheçam quem está por trás do cargo.
“Ser autêntico é deixar que o outro enxergue você e, ao mesmo tempo, estar disposto a enxergar o outro. Essa é a base de qualquer relacionamento saudável e de qualquer equipe de alta performance”, destacou.
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Ao falar sobre desempenho, Cinthia afirmou que empatia e cobrança caminham juntas.
“Minha obrigação como líder é dizer para a pessoa onde ela está e ajudá-la a se desenvolver. Mas também preciso ouvir onde eu posso melhorar. Quando existe confiança, até as conversas mais difíceis passam a ser vistas como oportunidades de crescimento”, afirmou.
“Meu time sabe que pode dizer: ‘Cinthia, você não está me dando a atenção que eu preciso’. E isso só acontece porque existe uma relação construída sobre confiança”, acrescentou.
Na avaliação da CEO da Pearson, a inteligência artificial está mudando profundamente o mercado de trabalho, mas o principal desafio não é o acesso à tecnologia.
“Nós realizamos muitas pesquisas e o que elas mostram é que a comunicação continua sendo uma habilidade fundamental. Fluência, linguagem e capacidade de se comunicar geram confiança e fazem diferença em qualquer carreira, especialmente em uma atuação global”, afirmou.
Ela explicou que os estudos da empresa apontam que desenvolver as pessoas internamente é muito mais eficiente do que substituí-las diante das novas tecnologias.
“O maior skill de todos é aprender a aprender. Quem vai continuar crescendo não é quem já sabe tudo, mas quem tem disposição para aprender continuamente”, disse.
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Siga o Times | CNBCSegundo Cinthia, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades porque o maior obstáculo está no uso das ferramentas, e não na tecnologia em si. “O principal problema hoje não é ter acesso à inteligência artificial. O maior desafio é saber utilizá-la de forma responsável e produtiva. As pessoas que terão sucesso são aquelas que realmente querem aprender”, afirmou.
Após mais de uma década trabalhando com equipes multiculturais, Cinthia disse que uma das maiores lições da carreira foi aprender a compreender diferentes culturas.
“Você precisa entender a cultura do outro, e não tentar impor a sua. Liderar pessoas na China, na Alemanha, na Inglaterra ou em Dubai exige formas completamente diferentes de comunicação”, afirmou.
Ela definiu essa experiência como um exercício permanente de humildade. “Liderar times multiculturais é uma grande lição de humildade. Você aprende a enxergar o limite do outro, entender diferentes culturas e perceber que a comunicação continua sendo o principal fator para alcançar resultados”, disse.
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Ao recordar um dos momentos mais marcantes da carreira, a executiva contou que recebeu uma avaliação negativa ao assumir responsabilidades na área de comunicação, apesar de sua formação jurídica.
“Foi muito difícil ouvir que eu estava errada. Meu primeiro impulso foi pensar que tinha sido apenas um pequeno erro. Mas meu chefe explicou exatamente onde eu precisava melhorar. Aquilo mudou completamente a minha forma de trabalhar”, afirmou.
Segundo ela, o episódio se transformou em um ponto de virada profissional. “Se ele não tivesse tido coragem de me dar aquele feedback, talvez eu tivesse apenas me sentido injustiçada. Em vez disso, consegui superar meu próprio ego, evoluir e, depois disso, só cresci dentro da empresa”, destacou.
Ao deixar uma mensagem para mulheres que desejam ocupar cargos de liderança, Cinthia afirmou que a busca pela perfeição costuma ser um obstáculo desnecessário.
“O primeiro conselho é parar de achar que é preciso ser perfeita. Nós administramos muitas complexidades ao longo da vida. O importante é entender que amanhã sempre será uma nova oportunidade para fazer melhor”, afirmou.
Para ela, a persistência é o que sustenta uma carreira de longo prazo. “É tentativa e erro, tentativa e erro, tentativa e erro. Eu acredito que faço o melhor que posso todos os dias. Se eu errar hoje, amanhã vou tentar ser melhor novamente”, disse.
Ao definir o significado de protagonismo, Cinthia resumiu o conceito em uma palavra: realização.
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“Ser protagonista da própria história é viver com leveza e fazer aquilo que você gosta. Quero que minhas filhas vejam que é possível encontrar realização no trabalho e na vida, e que qualquer pessoa pode alcançar seus objetivos quando está verdadeiramente disposta a isso”, concluiu.
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