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Moody’s eleva rating da Motiva e destaca melhora no perfil de crédito

Publicado 25/09/2026 • 21:02 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • Moody’s elevou o rating corporativo da Motiva de AA+.br para AAA.br, nível mais alto da escala nacional, com perspectiva estável.
  • Venda de aeroportos e novas concessões ajudaram a fortalecer o perfil de crédito e a alongar os vencimentos do portfólio.
  • Agência projeta investimentos entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões ao ano e alavancagem bruta ajustada próxima de 4,5 vezes.

Foto: Divulgação

A Moody’s Local Brasil elevou nesta sexta-feira (25) o rating corporativo da Motiva Infraestrutura de Mobilidade de AA+.br para AAA.br, patamar mais alto de sua escala nacional. A agência também aumentou para AAA.br a classificação da segunda série da 14ª emissão de debêntures da companhia. A perspectiva dos dois ratings permaneceu estável.

A melhora da nota reflete, segundo a Moody’s, o fortalecimento do perfil de crédito da Motiva nos últimos anos, apoiado pela extensão dos prazos de concessões maduras e pela entrada em novos ativos. A agência avalia que esses movimentos aumentaram a previsibilidade dos fluxos de caixa futuros e alongaram o perfil de vencimento do portfólio.

A análise também considera a venda dos ativos aeroportuários como um fator positivo para a estrutura financeira da companhia. A operação rendeu R$ 5,2 bilhões à Motiva e incluiu a assunção de aproximadamente R$ 6 bilhões em dívidas pelo comprador, o Grupo Aeroportuario del Sureste (Asur).

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Parte dos recursos foi destinada ao resgate antecipado integral da 17ª e da 18ª emissões de debêntures da Motiva, que somavam R$ 3,7 bilhões em junho de 2026. A Moody’s espera que, após essa operação, a dívida no nível da holding permaneça próxima de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões.

Novas concessões ampliam receitas

A Moody’s destacou que aditivos contratuais e novas concessões obtidas em 2025 e 2026 aumentaram a previsibilidade do caixa e prolongaram o prazo médio dos ativos da Motiva.

Entre os movimentos estão a prorrogação da concessão da ViaQuatro por 20 anos e os novos contratos da Rota Sorocabana, Motiva Paraná e Motiva Pantanal, além da vitória no leilão da Autopista Fernão Dias em dezembro de 2025.

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A expectativa da agência é de que os novos ativos contribuam para o avanço das receitas e das margens operacionais, à medida que amadureçam, recebam os reajustes tarifários previstos e avancem na otimização de custos.

No cenário-base da Moody’s, a margem Ebitda da Motiva deverá ficar entre 65% e 70%, acima da média de 58% registrada entre 2022 e 2025.

Alavancagem deve cair para 4,5 vezes

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Apesar da elevada necessidade de recursos para financiar o programa de investimentos, a Moody’s projeta que a alavancagem bruta ajustada, medida pela relação entre dívida bruta e Ebitda ajustado, fique próxima de 4,5 vezes.

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O indicador estava em 5 vezes em dezembro de 2025 e em 5,9 vezes no fim de 2024. A cobertura de juros, medida pela relação entre Ebit e despesas financeiras, deverá permanecer entre 1,5 e 2 vezes.

A companhia encerrou junho de 2026 com R$ 10,7 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras, diante de aproximadamente R$ 2 bilhões em dívida financeira de curto prazo. A Moody’s classificou a posição de liquidez como robusta e destacou o acesso da empresa ao mercado de capitais.

Investimentos podem chegar a R$ 10 bilhões por ano

O volume de investimentos, entretanto, continuará pressionando a geração de caixa. O capex da Motiva atingiu R$ 8,7 bilhões em 2025, depois de R$ 7,4 bilhões em 2024 e R$ 6,4 bilhões em 2023.

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Para os próximos anos, a Moody’s estima investimentos anuais entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões, incluindo os aportes na MinasSP. A agência prevê, por isso, que o fluxo de caixa livre continue negativo nos próximos anos.

A Moody’s pondera que a geração resiliente de caixa operacional, a posição de liquidez e a prudência na distribuição de dividendos ajudam a compensar os efeitos do elevado programa de investimentos. A agência espera ainda cautela da Motiva na participação em novos leilões, para preservar alavancagem e liquidez.

Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, a Motiva registrou receita operacional líquida de R$ 12,5 bilhões e Ebitda de R$ 8,7 bilhões, considerando os ajustes adotados pela Moody’s Local Brasil.

A perspectiva estável atribuída ao rating considera a expectativa de melhora operacional e expansão das margens com a maturação dos ativos, acompanhadas pela manutenção de uma política financeira prudente e de liquidez suficiente para financiar investimentos e o serviço da dívida.

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