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Isa Energia Brasil investe mais de R$ 2,2 bilhões, mas vê lucro encolher 32%

Publicado 03/08/2026 • 21:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Lucro da Isa Energia recuou 32% no segundo trimestre, refletindo o aumento das despesas financeiras decorrentes do ciclo de investimentos da companhia.
  • Receita e Ebitda cresceram mais de 20%, impulsionados pela entrada em operação de novos projetos, reajuste da RAP e ganhos de eficiência operacional.
  • Empresa ampliou captações, elevou a dívida líquida para R$ 16,3 bilhões e afirma que garantiu recursos suficientes para atravessar o período eleitoral sem recorrer ao mercado.

O forte ciclo de investimentos da Isa Energia Brasil continuou impulsionando o crescimento operacional da companhia, mas também elevou o custo da dívida e pressionou o resultado líquido. A empresa encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido regulatório de R$ 173,9 milhões, uma queda de 32% em relação aos R$ 256 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da companhia, Rui Chammas, o desempenho já era esperado pela administração e reflete a estratégia adotada para ampliar a capacidade de investimentos. “O desenvolvimento do plano de capex intenso aumenta a dívida e, portanto, gera uma pressão nos custos financeiros”, afirmou à Broadcast, destacando que os investimentos totais da empresa cresceram, em média, 38% ao ano nos últimos cinco anos. Apenas no primeiro semestre, os desembolsos superaram R$ 2,2 bilhões.

Receita e Ebitda mantêm trajetória de crescimento

Apesar da queda do lucro, a operação continuou apresentando expansão. A receita líquida regulatória alcançou R$ 1,243 bilhão entre abril e junho, um crescimento de 20,9% na comparação anual.

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O principal destaque foi a receita líquida operacional ex-RBSE, que avançou 52%, para R$ 779,2 milhões, impulsionada pelo reajuste da Receita Anual Permitida (RAP), pela entrada em operação de projetos conquistados em leilões recentes e pelo início de novos empreendimentos de Reforços e Melhorias (R&M).

O Ebitda consolidado também apresentou evolução, com alta de 22,5%, totalizando R$ 966,9 milhões. Segundo a companhia, o desempenho foi favorecido tanto pelo início da operação de novos ativos quanto pelos ganhos de eficiência operacional, que permitiram um crescimento da receita superior ao avanço das despesas.

Mesmo com o aumento de 13% nas despesas com Pessoal, Materiais, Serviços de Terceiros e Outros (PMSO), para R$ 210,8 milhões, a relação entre custos fixos e receita caiu de 30% para 25% no consolidado do primeiro semestre.

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Companhia muda perfil dos investimentos

Os aportes da empresa seguiram elevados entre abril e junho, totalizando R$ 1,053 bilhão.

Desse montante, R$ 608 milhões foram destinados a projetos greenfield, uma redução de 16% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a conclusão de empreendimentos importantes. Outros R$ 445 milhões foram direcionados a projetos de Reforços e Melhorias, alta de 17% na comparação anual.

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Segundo Chammas, esse movimento marca uma mudança natural no perfil dos investimentos da companhia. “Os projetos greenfield diminuem agora. Entregamos Piraquê e Jacarandá na primeira metade do ano, mas seguimos crescendo em Reforços e Melhorias, atingindo quase R$ 450 milhões”, afirmou.

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Captações reforçam caixa até 2027

Com o avanço dos investimentos e das captações realizadas ao longo do trimestre, a dívida líquida da empresa encerrou junho em R$ 16,289 bilhões, alta de 15% em relação ao fechamento de 2025.

A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, passou de 3,63 vezes para 3,78 vezes no período.

A diretora executiva de Finanças, Relações com Investidores e Desenvolvimento de Negócios, Silvia Wada, afirmou que a companhia aproveitou oportunidades de mercado para reforçar sua posição financeira antes do calendário eleitoral.

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“Aproveitamos janelas de oportunidades de captação que darão mais conforto para nossas necessidades de crédito até o início de 2027. Assim, não precisamos recorrer ao mercado de capitais nesse período mais próximo às eleições”, disse.

Durante o trimestre, a empresa realizou sua 22ª emissão de debêntures incentivadas e verdes, destinada ao Projeto Itatiaia. Já em julho, promoveu duas novas emissões institucionais, que somaram R$ 2,5 bilhões, além de concluir um follow-on primário, responsável por um aumento de capital de R$ 1,2 bilhão.

Segundo Silvia, uma das emissões realizadas em julho foi estruturada com desembolsos escalonados para preservar flexibilidade financeira. “Como tínhamos várias operações acontecendo em paralelo, estruturamos essa emissão para acomodar diferentes cenários. O follow-on acabou sendo de R$ 1,2 bilhão e temos esse crédito disponível para utilizar até o início do ano que vem”, explicou.

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