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Prejuízo dos Correios dispara para R$ 8,5 bilhões; privatização é solução? Veja como funcionaria

Publicado 29/04/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado pelos Correios em 2025, mais que o triplo do resultado negativo de 2024.
  • Privatização apareça entre as hipóteses consideradas, especialistas ouvidos divergem sobre sua conveniência no cenário atual.
  • Nos grandes centros, os efeitos tendem a ter impacto mais limitado, sobretudo no segmento de encomendas, em que há competição privada.
Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bi em 2025: privatização é a melhor alternativa?

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bi em 2025: privatização é a melhor alternativa?

O prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado pelos Correios em 2025, mais que o triplo do resultado negativo de 2024, evidencia o agravamento das contas da estatal e coloca a privatização como uma das alternativas para reestruturar a operação.

O balanço reflete uma combinação de queda de receitas, estrutura de custos elevada e aumento dos passivos judiciais, em um contexto em que a empresa também busca reequilibrar o caixa com reestruturação e crédito.

Leia também: Crise nos Correios: com “taxa das blusinhas”, estatal perde mais de 50% da movimentação de encomendas de importados

Prejuízo bilionário expõe desafios estruturais dos Correios

A receita líquida da estatal caiu 11,35% em relação a 2024 e somou R$ 17,3 bilhões, conforme divulgado. A estatal apontou a redução de 65,6% nas encomendas internacionais como principal fator isolado para a perda de receitas. Além disso, pagamentos judiciais alcançaram R$ 6,4 bilhões, alta de 55,12% sobre o ano anterior.

Ao mesmo tempo, os Correios contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional e mantêm medidas de ajuste, como o Programa de Demissão Voluntária, que teve 3.748 adesões, abaixo da meta de 10 mil, mas com economia estimada de R$ 923 milhões no biênio, segundo a empresa.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o tamanho do déficit, por si só, não define a privatização como resposta automática. Para Cesar Roenick, sócio do Roenick Fernandes Advogados, o debate não pode partir apenas do prejuízo.

“Nem todo serviço deficitário deve deixar de existir. Saúde, educação e segurança pública também exigem forte financiamento estatal porque cumprem função essencial. Com os Correios acontece algo parecido: eles chegam onde muitas vezes o mercado privado não tem interesse econômico em chegar, especialmente em regiões afastadas do país.”

Segundo ele, esse aspecto torna o debate mais amplo do que uma discussão estritamente fiscal. “O debate entre ‘privatizar’ e ‘não privatizar’ é, em larga medida, um debate errado — ou ao menos prematuro. A pergunta correta é outra: qual o modelo de serviço postal que o Brasil quer para os próximos 30 anos?

Privatização seria a melhor alternativa para os Correios?

Por outro lado, embora a privatização apareça entre as hipóteses consideradas, especialistas ouvidos divergem sobre sua conveniência no cenário atual.

Roenick avalia que o estágio financeiro da estatal impõe limites à discussão. “A privatização é uma alternativa juridicamente possível, mas sua conveniência depende das condições concretas em que a empresa se encontra. Hoje, os Correios apresentam patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 13,1 bilhões, provisões judiciais bilionárias e passivos trabalhistas e previdenciários relevantes.”

Segundo ele, uma operação nesse contexto pode enfrentar obstáculos econômicos relevantes. “O risco não é apenas político, mas também econômico, já que o mercado tende a aplicar, nas privatizações, desconto significativo ou exigir garantias públicas, o que pode reduzir substancialmente o ganho fiscal da operação.”

Paulo Augusto do Prado, da área de Direito Público e Regulatório do Fonseca, Brasil, Serrão Advogados, também avalia que o mercado e o poder público não devem tratar a privatização como fórmula automática.

“A privatização seria uma das alternativas para se lidar com a atual situação orçamentária e fiscal gerada pelo déficit dos Correios, mas não necessariamente a melhor, dada a complexidade da realidade econômico-social em que se insere o serviço público postal brasileiro.”

Ele afirma que o caráter essencial e universal do serviço altera a lógica de análise. “Esse não pode e não deve ser o único parâmetro a ser considerado, especialmente quando se discute um serviço público potencialmente deficitário, dadas as características inerentes, como essencialidade e universalidade impostas ao serviço.”

Leonardo Moreira segue a mesma linha. “A privatização pode ser uma alternativa, bastante interessante e já testada no Brasil, mas não seria uma solução automática. O problema dos Correios mistura ineficiência operacional, queda de receita, passivos históricos e obrigação de atender o Brasil inteiro.”

Como funcionaria a operação?

Se o governo optasse por uma privatização, especialistas apontam que o processo estaria longe de ser simples. Paulo Augusto afirma que uma operação desse tipo começaria por etapas formais.

“A operação exigiria a inclusão da estatal no Programa Nacional de Desestatização (PND); estudos de valuation; a definição sobre as diversas formatações possíveis para um processo de privatização; e, por fim, a efetivação da transferência para os agentes privados, na forma da modelagem escolhida.”

Além disso, entre as possibilidades mencionadas estão leilão para venda do controle acionário, capitalização via oferta pública ou estruturas híbridas. Leonardo Moreira acrescenta que o processo também exigiria bases jurídicas e regulatórias.

“Privatizar significaria transferir o controle da empresa à iniciativa privada, normalmente por lei autorizativa, modelagem pelo governo, avaliação econômico-financeira, consulta pública, aprovação de regras regulatórias e leilão.”

Seria necessário definir como preservar o serviço universal, como financiar áreas deficitárias e como tratar passivos trabalhistas e previdenciários.

Roenick afirma que esse é um dos pontos mais sensíveis: “Não é só vender um ativo. É uma operação complexa, jurídica, política e financeiramente sensível.”

Quais seriam os principais riscos

Especialistas apontam riscos para consumidores, regulação e continuidade do serviço. Nos grandes centros, os efeitos tendem a ter impacto mais limitado, sobretudo no segmento de encomendas, em que há competição privada.

Já em áreas remotas, a preocupação é com cobertura e custo. Paulo Augusto alerta: “Pode-se gerar vastas áreas/populações fora do alcance do serviço postal, ou serem criadas tarifas que simplesmente inviabilizem o pagamento pelos habitantes de áreas remotas.”

Roenick também aponta a indefinição sobre o financiamento do serviço universal como ponto central. “Quem financia o atendimento universal em regiões não lucrativas? Qual a fronteira entre serviço público e atividade econômica no setor postal?”

Leonardo Moreira acrescenta que passivos elevados, patrimônio líquido negativo e resistência política também entram entre os principais desafios.

Leia também: Correios precisam se reinventar para evitar novos prejuízos, diz economista

Há alternativas além da privatização

Especialistas também apontam caminhos intermediários. Entre eles estão reestruturação operacional, digitalização, separação entre o serviço universal e atividades concorrenciais, parcerias privadas, venda de ativos não estratégicos e modelos como abertura de capital ou PPPs.

Roenick defende que o debate deveria começar por essas alternativas. “No curto prazo, a alternativa mais consistente parece ser combinar reestruturação interna com modernização regulatória.”

Leonardo Moreira também aponta medidas possíveis. “Podemos indicar reestruturação operacional profunda, parcerias com operadores privados, venda de ativos não estratégicos e governança profissional, com metas, transparência e blindagem política.”

Na avaliação dos especialistas, o déficit recorde torna inevitável discutir mudanças no modelo dos Correios, mas uma eventual privatização dependeria de uma operação complexa, cercada por condicionantes legais, econômicos e regulatórios.

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