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Cencosud acerta compra do St Marche, que entra com pedido de recuperação judicial

Publicado 27/06/2026 • 18:00 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • A aquisição de 100% do St Marche pela Cencosud depende da homologação do pedido de recuperação judicial da rede.
  • A varejista receberá um aporte inicial de R$ 25 milhões para reforçar o caixa enquanto aguarda a conclusão da operação.
  • O St Marche renegociou R$ 528 milhões em dívidas após ser impactado pela alta dos juros e afirma que a venda garantirá a continuidade do negócio.

A Cencosud firmou um acordo para adquirir 100% do St Marche, em uma operação condicionada à homologação do pedido de recuperação judicial apresentado pela rede de supermercados na madrugada desta sexta-feira (26). O valor da transação não foi divulgado. As negociações entre as empresas vinham sendo conduzidas desde o quarto trimestre de 2025.

Segundo o cofundador e CEO do St Marche, Bernardo Ouro Preto, a operação permitirá a continuidade das atividades da companhia sob o controle da varejista chilena. “A aquisição vai garantir que o St Marche continue existindo e crescendo junto a uma empresa que é um dos maiores players globais do varejo”, afirmou ao Broadcast.

A Cencosud, dona no Brasil das bandeiras Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas, passará a atuar também no segmento de supermercados voltado ao público premium das classes A e B no Estado de São Paulo. De acordo com Ouro Preto, a companhia registrou US$ 17,4 bilhões (R$ 90,1 bilhões) em vendas globais em 2025 e possui mais de 1.440 lojas distribuídas por seis países. O executivo permanecerá no comando do St Marche ao menos até a conclusão da recuperação judicial, processo estimado em cerca de nove meses.

Leia também: Grupo chileno Cencosud compra St. Marche e aposta no varejo de alto padrão em São Paulo

Aporte e aprovação

Nos próximos dias, a rede receberá um aporte de R$ 25 milhões para reforçar o capital de giro e manter as operações normalmente para clientes e colaboradores.

Além da recuperação judicial, a conclusão da aquisição também dependerá da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que iniciará a análise da operação.

Recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial foi apresentado cerca de oito meses após o encerramento do processo de recuperação extrajudicial, concluído em outubro de 2025, período em que a negociação com a Cencosud já estava em andamento.

Leia também: Justiça de São Paulo suspende plano de recuperação extrajudicial do St. Marche

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Segundo Bernardo Ouro Preto, a decisão foi tomada após um dos credores pedir a extinção da recuperação extrajudicial, o que ampliou as dificuldades no fluxo de caixa da companhia e atrasou a conclusão da venda.

A transação com o Cencosud está fechada e acordada, mas tem a condição precedente que é o fim da recuperação judicial”, disse.

Impacto dos juros

O St Marche foi uma das empresas afetadas pela rápida elevação da taxa de juros no Brasil, o que levou à renegociação de R$ 528 milhões em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial iniciado em abril de 2025 e concluído em outubro do mesmo ano.

Durante esse processo, a empresa recebeu uma capitalização de R$ 90 milhões por meio de um financiamento do tipo DIP (Debtor-in-Possession). O fundo americano L Catterton, controlador de 70% da rede, aportou R$ 45 milhões, enquanto o segundo aporte foi realizado pelo BTG, cujo fundo detinha mais de R$ 280 milhões em créditos da companhia.

Leia também: St Marche solicita recuperação extrajudicial com dívida de R$ 528 milhões

Após a pandemia, a rede acelerou seu plano de expansão e passou de 21 lojas, com faturamento de R$ 700 milhões em 2021, para 32 lojas e receita de R$ 1,3 bilhão em 2024. No mesmo período, a taxa Selic saiu de 2% para 15%, pressionando o caixa da empresa, que passou a atrasar pagamentos a fornecedores e registrar falta de produtos nas prateleiras.

Um nível de 15% de juros é inviável”, afirmou Bernardo Ouro Preto.

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