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Estamos perto de entender a “língua” dos animais? A I.A tenta responder
Publicado 11/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 11/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora
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Foto: Pexels
Estamos perto de entender a “língua” dos animais? A I.A tenta responder
Durante séculos, entender como os animais se comunicam foi um dos grandes desafios da ciência. Com o avanço da I.A, a tentativa de decifrar esses sons ganhou uma nova abordagem. Em vez de ensinar a linguagem humana a outras espécies, pesquisadores passaram a investigar como os próprios animais trocam informações.
Agora, com o avanço da inteligência artificial (I.A), cientistas conseguem analisar milhões de vocalizações e encontrar padrões que antes eram difíceis de identificar. A tecnologia, entretanto, ainda não funciona como um tradutor capaz de revelar exatamente o que os animais estão dizendo, segundo o El País.
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No século XIX, o naturalista Charles Darwin já defendia que a linguagem era “metade arte, metade instinto” e que a produção de sons organizados para expressar sentimentos não era uma característica exclusivamente humana.
Durante boa parte do século XX, muitos estudos buscaram entender se outras espécies poderiam aprender elementos da comunicação humana.
Pesquisas com golfinhos, chimpanzés e papagaios mostraram capacidades cognitivas surpreendentes, mas também revelaram uma limitação: os cientistas analisavam os animais a partir de padrões humanos.
Nesse novo cenário, a inteligência artificial se tornou uma ferramenta importante para a pesquisa. O Earth Species Project desenvolve modelos capazes de analisar sons de diferentes espécies e buscar estruturas presentes nessas comunicações.
Um dos principais projetos da organização é o NatureLM-audio, considerado o primeiro modelo audiolinguístico desenvolvido para sons de animais e disponibilizado em código aberto. A ferramenta foi treinada com dados que incluem fala humana, música e registros de bioacústica.
Na prática, a I.A consegue processar grandes quantidades de informações, identificar padrões e comparar sons emitidos em diferentes contextos sociais e ambientais.
Apesar disso, os pesquisadores destacam que encontrar padrões não significa compreender completamente o significado dessas mensagens.
Um dos desafios atuais é descobrir até que ponto conceitos usados para estudar a linguagem humana, como sintaxe e semântica, podem ser aplicados a outras espécies.
Quando a inteligência artificial identifica uma repetição em determinados sons, ela revela principalmente uma estrutura. O significado daquele sinal ainda depende de observações, experimentos e novas evidências científicas.
Um estudo recente, feito em parceria com a Universidade de León, analisou corvos-pretos de uma região da Espanha. A pesquisa mapeou o repertório vocal desses animais e descobriu que cerca de 60% dos sons registrados eram chamados suaves e de baixa amplitude, normalmente pouco percebidos pelos humanos.
Os resultados ainda são iniciais, mas mostram como a tecnologia pode revelar formas de comunicação animal que antes passavam despercebidas.
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Siga o Times | CNBCAssim como aconteceu na matemática, quando a I.A. passou a ajudar pesquisadores a encontrar soluções para problemas que permaneceram décadas sem resposta, a tecnologia também começa a ser usada para analisar desafios complexos em outras áreas da ciência.
No caso da comunicação animal, a inteligência artificial permite processar uma quantidade de dados que seria praticamente impossível para humanos avaliarem sozinhos, identificando padrões em milhões de sons e ajudando pesquisadores a investigar novas formas de comunicação entre espécies.
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Apesar das descobertas, especialistas alertam que a inteligência artificial não substitui a interpretação científica. A tecnologia ajuda a encontrar padrões e criar hipóteses, mas os pesquisadores precisam validar essas informações por meio de observação e estudos de campo.
O professor Jeff Sebo, da Universidade de Nova York, destaca que ainda são necessárias mais pesquisas antes de prever comportamentos ou interpretar sinais animais com segurança.
Além disso, uma possível decodificação da comunicação entre espécies também traz riscos. A tecnologia poderia contribuir para a proteção dos animais, mas também poderia ser usada para interferir em comportamentos essenciais, como reprodução, migração e busca por alimento.
Por isso, pesquisadores defendem limites para evitar estudos invasivos e usos comerciais que levem à exploração das espécies.
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O estudo da comunicação animal também pode ajudar os humanos a compreender melhor a própria linguagem. Afinal, a comunicação envolve sons, gestos e sinais corporais, não apenas palavras.
A “língua” dos animais ainda não foi decifrada. No entanto, com a inteligência artificial, a ciência começa a descobrir que os sistemas de comunicação de outras espécies podem ser muito mais complexos do que se imaginava.
O objetivo da I.A, segundo os pesquisadores, não deve ser dar aos humanos mais controle sobre os animais, mas ajudar a criar uma relação mais equilibrada com outras formas de vida do planeta.
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