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Por que empresas de I.A. estão construindo suas próprias usinas de energia
Publicado 15/04/2026 • 22:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 15/04/2026 • 22:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Freepik.
Inteligência Artificial (IA)
A inteligência artificial está faminta e a conta chegou na forma de uma crise energética sem precedentes nos Estados Unidos. Incapazes de esperar que a arcaica rede elétrica americana se adapte, gigantes da tecnologia como OpenAI, Meta e xAI estão tomando uma decisão inédita: construir suas próprias usinas de energia.
O movimento tem até nome: BYOP, do inglês Bring Your Own Power — “Traga Sua Própria Energia”.
No início de abril de 2026, no estado do Mississippi, nos Estados Unidos, a empresa de Inteligência Artificial (IA) xAI, ligada ao empresário Elon Musk, passou a enfrentar questionamentos judiciais após obter autorização para construir uma usina de energia movida a gás metano.
O projeto tem como objetivo abastecer centros de dados da companhia na região, mas gerou reação de grupos ambientalistas que contestam os impactos e a rapidez do licenciamento.
A licença foi concedida pelo órgão ambiental estadual e permite a instalação de dezenas de turbinas para geração de energia, segundo o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
A estrutura será erguida no condado de DeSoto, próxima à cidade de Southaven, com a finalidade de alimentar diretamente os data centers da empresa, incluindo uma instalação já em operação em Memphis, no estado vizinho do Tennessee.
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A iniciativa faz parte de uma estratégia maior da xAI, que busca ampliar sua capacidade de processamento para competir com gigantes como OpenAI, Anthropic e Google.
A crescente demanda por poder computacional tem pressionado empresas do setor a garantir fontes próprias de energia.
Organizações da sociedade civil, entre elas a NAACP, entraram com uma petição para tentar barrar o projeto. Os grupos alegam falhas no processo de licenciamento e apontam que os impactos ambientais foram subestimados.
Segundo os argumentos apresentados, a usina pode agravar problemas já existentes de poluição do ar na região, elevando níveis de ozônio e de substâncias nocivas à saúde.
Também há críticas à condução do processo, considerado acelerado e com pouca participação da comunidade local.
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Outro ponto levantado é que a empresa não teria sido obrigada a adotar tecnologias mais limpas nem a compensar suas emissões, o que amplia a preocupação com os efeitos a longo prazo.
O caso da xAI ilustra um movimento mais amplo no setor de tecnologia. Empresas de inteligência artificial estão investindo diretamente em infraestrutura energética por uma razão simples.
Modelos avançados exigem enorme capacidade de processamento, o que consome grandes volumes de eletricidade de forma contínua.
Data centers modernos operam em escala industrial. Eles precisam de energia estável, previsível e muitas vezes mais barata do que a disponível na rede tradicional.
Para entender a crise, basta olhar os números. Um único data center de inteligência artificial pode consumir tanta eletricidade quanto mil lojas do Walmart. Uma busca feita por IA gasta cerca de dez vezes mais energia do que uma pesquisa convencional no Google. E o setor não para de crescer: antes de 2020, os data centers respondiam por menos de 2% de toda a eletricidade consumida nos EUA. Até 2028, esse número pode chegar a 12%, afirma o The Wall Street Journal.
A rede elétrica americana, projetada para outra era, simplesmente não acompanha esse ritmo. O país precisaria adicionar cerca de 80 gigawatts de nova capacidade de geração por ano para suprir a demanda, mas está construindo menos de 65. Em vários estados, novos data centers não conseguirão conexão à rede antes dos anos 2030. A fila é longa demais, e a infraestrutura de alta tensão já não tem espaço.
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Ao construir suas próprias usinas, essas empresas buscam reduzir custos, evitar gargalos e garantir autonomia operacional.
Além disso, a competição no setor de I.A. é intensa. Ter controle sobre a energia significa acelerar o desenvolvimento de modelos e serviços, sem depender de limitações externas.
Diante desse impasse, as big techs decidiram agir por conta própria. No oeste do Texas, a OpenAI e a Oracle estão erguendo usinas a gás natural como parte do ambicioso projeto Stargate, avaliado em US$ 500 bilhões.
Em Memphis, Tennessee, a xAI de Elon Musk alimenta seus enormes data centers Colossus com turbinas a gás. Em Ohio, a Meta foi mais longe: aprovou a construção de uma usina dedicada exclusivamente ao seu campus, cortando de vez a dependência da rede elétrica local. A Equinix, por sua vez, opera 19 data centers nos EUA que funcionam, ao menos em parte, com células de combustível e painéis solares.
O gás natural virou o combustível preferido dessa corrida e por uma razão prática: turbinas de pequeno porte ainda estão disponíveis no mercado. As de grande escala têm fila de espera de anos.
Os obstáculos se acumulam em várias frentes ao mesmo tempo. A demanda por transformadores cresceu dez vezes desde o início da pandemia, gerando um gargalo de suprimentos que ainda não foi resolvido.
A construção de linhas de transmissão caiu à metade do ritmo histórico. Os processos de licenciamento são lentos. E os custos de construção dispararam, agravados pelas tarifas impostas pelo governo Trump sobre aço, alumínio e cobre, insumos essenciais para a infraestrutura elétrica.
O custo de construir uma nova usina a gás, por exemplo, triplicou nos últimos anos.
Enquanto isso, a China avança em velocidade diferente. Conforme a Agência Internacional de Energia, o país investirá o dobro dos EUA em energia em 2026 e adicionou 429 gigawatts de nova capacidade só no ano passado, contra cerca de 50 dos Estados Unidos. Com planejamento centralizado, Pequim contorna boa parte dos entraves burocráticos que travam o avanço americano.
Nos Estados Unidos, a expansão dessa infraestrutura tem provocado reações em diferentes comunidades. Moradores e entidades ambientais temem que o avanço tecnológico venha acompanhado de aumento na poluição e pressão sobre recursos naturais.
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Ao mesmo tempo, governos estaduais veem nesses projetos uma oportunidade de atrair investimentos bilionários e gerar empregos, o que muitas vezes leva à flexibilização ou aceleração de processos regulatórios.
O embate no Mississippi indica que o crescimento da inteligência artificial não depende apenas de avanços tecnológicos. A questão energética se tornou um dos principais desafios do setor.
O resultado desse movimento pode redefinir não apenas o mercado de tecnologia, mas também o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental nos próximos anos.
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Empresas como a xAI devem continuar buscando soluções próprias para sustentar sua expansão. Isso inclui desde usinas a gás até alternativas renováveis e acordos diretos de fornecimento.
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