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Uber teve mais demanda por corridas em 2025, mas lucro e guidance frustram mercado e ação cai
Publicado 04/02/2026 • 10:42 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 04/02/2026 • 10:42 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A Uber entregou mais um trimestre de crescimento forte em demanda, usuários e geração de caixa, mas o lucro ajustado abaixo do esperado e um guidance conservador pressionaram as ações da companhia. Os papéis chegaram a cair perto de 9% no pré-mercado em Nova York, ampliando a sequência negativa após resultados.
Às 10h18 (Horário de Brasília) a ação recuava 3,11%, negociada a US$ 75,74 no pré-mercado da bolsa de Nova York.
O balanço mostra uma empresa maior, mais rentável e com caixa robusto, mas também expõe o descompasso entre a expansão operacional e o que investidores esperavam em termos de lucro por ação no curto prazo.
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No quarto trimestre, a Uber registrou 202 milhões de usuários ativos mensais, alta de 18%, o maior patamar da história da plataforma. O número de viagens alcançou 3,75 bilhões, avanço de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A demanda recorde impulsionou os gross bookings, que cresceram 22%, para US$ 54,1 bilhões, superando as projeções do mercado. A receita avançou 20%, para US$ 14,37 bilhões, também acima das estimativas de analistas.
Apesar do crescimento da receita, o lucro ajustado por ação (non-GAAP) ficou em US$ 0,71, abaixo do consenso do mercado, que variava entre US$ 0,79 e US$ 0,85, dependendo da base considerada.
O lucro líquido reportado caiu para US$ 296 milhões, ante US$ 6,88 bilhões um ano antes. A comparação é distorcida por efeitos extraordinários, principalmente reavaliações de participações acionárias, que geraram um impacto negativo de US$ 1,6 bilhão no trimestre.
O principal fator de pressão veio da projeção para o primeiro trimestre. A Uber estimou lucro ajustado por ação entre US$ 0,65 e US$ 0,72, abaixo do consenso de mercado.
Por outro lado, a empresa projetou gross bookings entre US$ 52 bilhões e US$ 53,5 bilhões, acima das expectativas de Wall Street, indicando que a demanda segue forte, mesmo com maior cautela na rentabilidade no curto prazo.
O segmento de mobilidade segue como o maior da companhia, com receita de US$ 8,2 bilhões, alta de 19%, representando cerca de 57% da receita total.
Já o delivery foi o destaque em crescimento, com avanço de 30%, para US$ 4,89 bilhões, refletindo maior frequência de pedidos e expansão da base de usuários. O negócio de frete permaneceu praticamente estável, com receita próxima de US$ 1,27 bilhão.
Mesmo com a reação negativa do mercado, os números de caixa reforçam a solidez financeira da Uber. No trimestre, a empresa gerou US$ 2,9 bilhões em caixa operacional e US$ 2,8 bilhões em fluxo de caixa livre, ambos recordes.
No acumulado do ano, a Uber registrou US$ 193 bilhões em gross bookings, US$ 52 bilhões em receita e US$ 9,8 bilhões em fluxo de caixa livre, consolidando a virada estrutural para um modelo altamente gerador de caixa.
A Uber também anunciou uma mudança relevante na diretoria. Prashanth Mahendra-Rajah deixará o cargo de diretor financeiro em fevereiro e será substituído por Balaji Krishnamurthy, que assume com o discurso de disciplina de capital e foco no crescimento sustentável.
Para investidores, o balanço reforça que a Uber segue crescendo em escala e eficiência, mas o mercado passa a exigir maior previsibilidade de lucros, especialmente em um ambiente de concorrência crescente, com avanços de serviços de robotáxis liderados por empresas como Tesla e Waymo.
A leitura predominante é que a Uber continua bem posicionada no longo prazo, mas o curto prazo segue sensível a qualquer sinal de desaceleração do lucro, mesmo diante de números recordes de usuários e viagens.
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