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Nova política de terras raras pode baratear carros elétricos?
Publicado 08/09/2026 • 18:00 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 08/09/2026 • 18:00 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Nova política de terras raras pode baratear carros elétricos?
A nova política brasileira para minerais críticos e estratégicos pode, no médio e longo prazo, ajudar a reduzir custos na cadeia de produção de carros elétricos. No entanto, a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2.780/2024 pelo Senado não significa que os veículos ficarão mais baratos imediatamente.
O texto, aprovado em 2 de setembro e encaminhado à sanção presidencial, cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para estimular pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos no Brasil.
De acordo com o Estadão, a principal mudança está justamente na tentativa de fazer o país avançar além da exploração mineral. A ideia é aumentar a participação brasileira nas etapas que transformam matérias-primas em produtos de maior valor, como componentes de baterias, ímãs e outros materiais utilizados pela indústria automotiva.
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Lítio, grafite, níquel, cobre e outros minerais fazem parte da cadeia de produção de veículos eletrificados. Algumas terras raras, por sua vez, são importantes para determinados motores elétricos que utilizam ímãs permanentes.
O projeto prevê até R$ 2 bilhões em recursos da União para o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que poderá ajudar a reduzir os riscos financeiros de empreendimentos do setor.
Outros R$ 5 bilhões poderão ser concedidos em créditos fiscais entre 2030 e 2034, com limite de R$ 1 bilhão por ano. Os benefícios serão direcionados principalmente a projetos de beneficiamento e transformação mineral, podendo alcançar até 20% dos custos dos produtos, conforme o valor agregado. A medida tenta criar condições para que mais etapas da cadeia aconteçam dentro do país.
É nesse ponto que está a resposta para a principal dúvida sobre a nova política. Os carros elétricos podem ficar mais baratos no futuro, mas a aprovação do projeto, sozinha, não garante uma redução de preços.
Para isso, será necessário transformar os incentivos em investimentos, fábricas e fornecedores. Caso o Brasil consiga ampliar a produção nacional de materiais para baterias, componentes elétricos e ímãs permanentes, poderá diminuir a dependência de produtos importados.
Além disso, uma cadeia local mais desenvolvida pode reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das empresas instaladas no país. O movimento também pode atrair fabricantes de baterias, fornecedores de autopeças e montadoras interessadas na produção de veículos eletrificados.
Ainda assim, fatores como tecnologia, escala industrial, infraestrutura, energia, mão de obra e logística continuarão influenciando o preço final dos automóveis.
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Apesar de estarem associadas aos carros elétricos, terras raras e minerais críticos não são a mesma coisa. As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos. Entre eles, neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são utilizados na produção de ímãs permanentes empregados em determinados motores elétricos.
Já as baterias de íons de lítio dependem de outros materiais. Lítio e grafite são importantes na composição das células, enquanto níquel, manganês e cobalto aparecem em determinadas químicas. Nas baterias LFP, cada vez mais utilizadas em veículos de entrada, esses três elementos dão lugar ao ferro e ao fosfato.
Por isso, fortalecer a cadeia mineral brasileira pode ter impacto sobre diferentes partes do veículo, e não apenas sobre as terras raras.
O desafio para o Brasil está em competir em uma cadeia dominada pela China. Segundo a Agência Internacional de Energia, o país asiático respondeu por 60% da produção mundial de terras raras utilizadas em ímãs em 2024. A participação chegou a 91% no refino e a 94% na fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
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Essa concentração ficou evidente em 2025, quando restrições chinesas às exportações dificultaram o acesso de fabricantes internacionais a determinados ímãs e outros materiais. Nesse cenário, o Brasil tem uma vantagem: possui reservas importantes de minerais estratégicos. O problema é que ainda participa pouco das etapas industriais de maior valor agregado.
A política aprovada pelo Senado tenta justamente mudar essa situação. O projeto também cria um conselho nacional para coordenar a industrialização desses minerais, além de prever mecanismos de rastreabilidade e um Certificado Mineral de Baixo Carbono.
Assim, a nova política pode contribuir para carros elétricos mais baratos no futuro, caso consiga transformar as reservas brasileiras em uma cadeia industrial competitiva. Por enquanto, porém, o efeito mais provável é aumentar a capacidade produtiva do país, e não provocar uma queda imediata nos preços dos veículos.
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