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Publicado 19/05/2026 • 09:39 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Foto: Montagem
A crise da Naskar ganhou novos capítulos após o anúncio de uma suposta venda da fintech para a Azara Capital, sediada nos Estados Unidos. Enquanto cerca de 3 mil investidores aguardam a devolução de quase R$ 1 bilhão, os questionamentos sobre a operação aumentaram nos últimos dias.
A Azara afirmou que assumiu integralmente os ativos e passivos da Naskar e prometeu iniciar as tratativas para realizar a devolução aos clientes. Entretanto, mesmo com o anúncio, advogados recomendam cautela e afirmam que investidores não devem interromper ações judiciais já iniciadas.
Leia também: O que faz a Azara Capital, gestora que diz ter comprado a Naskar?
O primeiro sinal da crise apareceu no início de maio, quando investidores relataram atrasos e interrupções nos pagamentos prometidos pela Naskar. A fintech oferecia retornos de 2% ao mês, equivalentes a 175% do CDI, mesmo sem autorização do Banco Central ou da CVM.
Ao mesmo tempo, a Polícia Civil do Distrito Federal passou a investigar o desaparecimento de aproximadamente R$ 1 bilhão pertencente a cerca de 3 mil investidores em todo o Brasil. Os mesmos relataram que a empresa saiu da sede em São Paulo sem aviso prévio.
Pouco depois das reclamações dos clientes, o aplicativo da Naskar deixou de funcionar. Investidores perderam acesso às contas e também deixaram de conseguir consultar movimentações e saldos. Além disso, clientes relataram dificuldades para contato com a empresa.
Na sequência, os três sócios da empresa, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, interromperam a comunicação com os investidores e clientes da fintech.
Maurício Jahu ficou conhecido anteriormente como apresentador da ESPN Brasil. Desde o agravamento da crise, os sócios deixaram de responder mensagens e pedidos de esclarecimento.
Após o aumento da pressão, a Naskar divulgou comunicado afirmando que realizava uma “auditoria interna”. A empresa também prometeu restabelecer as atividades na semana seguinte. Mesmo assim, os pagamentos não retornaram e o aplicativo continuou fora do ar.
Segundo a assessoria da Azara Capital, o contrato de compra da Naskar teria sido assinado em 13 de maio de 2026. A empresa informou que o documento permanece em sigilo por cláusulas de confidencialidade corporativa.
Até o fechamento da reportagem feita pela Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nenhum investidor credor ou regulador da fintech havia recebido acesso ao contrato.
No dia seguinte, Naskar e Azara divulgaram uma nota conjunta anunciando a compra da fintech, da 7Trust e da Next, por aproximadamente R$ 1,2 bilhão. As empresas também possuem ligação com os executivos da Naskar.
A Azara se apresentou como gestora americana, sediada em Miami, nos EUA. No entanto, a empresa não aparece nos registros da SEC e nem da FINRA, órgãos que regulam o mercado financeiro nos Estados Unidos.
Além disso, a Azara Instituição de Pagamento Ltda surgiu no Brasil em 4 de fevereiro de 2026, apenas 100 dias antes do anúncio de compra, com capital de R$ 13 milhões e sem autorização do Banco Central para operar.
Na última sexta-feira (15), um dia após o anúncio de venda, os três sócios da Naskar passaram a tarde e a noite reunidos em um escritório especializado em recuperação judicial e reestruturação empresarial na Avenida Paulista, em São Paulo.
De acordo com fontes próximas ao caso, os empresários estudam estratégias jurídicas diante da crise da fintech e de uma dívida praticamente bilionária.
Leia também: Quem é Douglas Azara, empresário de 25 anos ligado à compra da Naskar
Após questionamento da imprensa, a assessoria da Azara afirmou que assumiu integralmente os ativos e passivos da Naskar, incluindo a responsabilidade pelos pagamentos prometidos aos investidores. A empresa também declarou que a Azara IP “encontra-se em fase de estruturação técnica e operacional” e sem previsão de autorização para esse ano.
Mesmo após o anúncio, especialistas afirmam que os investidores devem manter cautela, principalmente porque a compra da Naskar ainda não teve documentação divulgada publicamente, além da empresa compradora enfrentar questionamentos sobre estrutura financeira, registros regulatórios e capacidade operacional.
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