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IA e commodities devem dividir espaço nas carteiras de investimentos globais, diz Alexandre Drabik, CIO Global da Indosuez

Publicado 24/09/2026 • 21:21 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Alexandre Drabik avalia que alta do petróleo aumenta riscos para inflação e juros, mas cenário segue favorável para investimentos em ações.
  • Brasil e América Latina ganham espaço nas carteiras globais pela oferta de energia e minerais necessários à inteligência artificial.
  • China deve ampliar gradualmente o uso do renminbi no comércio internacional como alternativa ao dólar, segundo o executivo.

A combinação de inteligência artificial e commodities deve ganhar peso nas carteiras de investimentos globais, segundo Alexandre Drabik, CIO Global da Indosuez Wealth Management. Em entrevista nesta quinta-feira (24) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo avaliou que, apesar dos riscos provocados pela alta do petróleo e pela inflação, o ambiente continua favorável para o mercado acionário.

“A principal preocupação para o mercado global hoje é naturalmente o preço do petróleo, pois é um obstáculo considerável para os mercados financeiros”, disse Drabik. Segundo ele, investidores temem que a energia mais cara alimente a inflação e leve os bancos centrais a elevar ainda mais as taxas de juros.

O impacto, porém, não é uniforme entre os diferentes ativos. Para Drabik, a renda fixa tende a sofrer mais com a persistência das pressões inflacionárias, enquanto as bolsas ainda oferecem oportunidades.

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“Por outro lado, a narrativa em torno da inteligência artificial permanece extremamente sólida. O crescimento dos lucros das empresas dos Estados Unidos e da Ásia tem sido muito expressivo”, avaliou.

Nesse contexto, a visão da Indosuez é de que o cenário geral de investimentos permanece favorável, especialmente para ações. O executivo destacou ainda oportunidades em segmentos considerados descontados na Ásia.

“É provavelmente um problema maior para o mercado de títulos hoje, onde claramente a alta da inflação não representa uma boa notícia para quem investe em renda fixa. No entanto, ainda enxergamos muitas oportunidades surgindo no mercado acionário”, explicou.

Brasil ganha espaço com commodities

A Indosuez mantém uma visão positiva sobre mercados emergentes há cerca de dois anos, incluindo América Latina e Brasil. A guerra no Oriente Médio, porém, reforçou neste ano a importância das commodities na construção das carteiras.

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Drabik divide essa oportunidade em duas frentes. A primeira está nos minerais necessários à expansão da inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica. A segunda envolve energia, diante do aumento da demanda global por petróleo. “O mundo está faminto por petróleo hoje. Muitos investidores globais veem a América Latina e o Brasil como uma aposta em commodities”, ressaltou.

Para o ele, a discussão sobre investimentos passou a incorporar com mais intensidade o conceito de autonomia estratégica, que exige acesso tanto a minerais quanto a fontes de energia.“Na construção de um portfólio, você precisa ter, claro, inteligência artificial. Mas não apenas isso. Você precisa ter cada vez mais exposição a commodities”, destacou.

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O CIO considera ainda que investidores internacionais permanecem subinvestidos na América Latina, o que abre espaço para uma maior presença da região nas carteiras globais.

China busca alternativa ao dólar

Ao analisar a relação entre Estados Unidos e China, o CIO destacou que Pequim enxerga Washington simultaneamente como concorrente e cliente, embora tenha avançado na construção de relações econômicas independentes com outras regiões.

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“A China demonstrou que pode ser muito independente dos Estados Unidos e construiu muitas parcerias com o restante da Ásia. Construiu uma parceria forte na América Latina, especialmente com o Brasil”, observou.

Uma das principais mudanças recentes, segundo Drabik, está na tentativa chinesa de ampliar o uso do renminbi nas transações internacionais. “A China agora quer muito negociar em sua própria moeda. O renminbi precisa se tornar cada vez mais uma moeda alternativa para o comércio internacional”, afirmou.

O executivo ponderou que esse movimento não significa necessariamente uma tentativa de substituir diretamente a moeda americana. “A China tenta usar sua moeda como uma alternativa ao dólar americano. Não se trata de uma competição contra o dólar, mas de uma alternativa a ele”, explicou.

Mudança deve ser gradual

Drabik acredita que a presença da moeda chinesa nas negociações internacionais tende a aumentar, mas sem uma transformação abrupta do sistema monetário global. “Acho que sim, mas será muito gradual”, disse ao ser questionado sobre a expansão do renminbi no comércio mundial.

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Para explicar essa perspectiva, o executivo citou uma avaliação recorrente de um estrategista da instituição: “A China pensa uma geração à frente; governos ocidentais pensam três, cinco anos à frente”.

Por isso, o CIO espera uma transformação de longo prazo. “Para a China é mais como uma geração à frente. Então será um ajuste mais gradual, não necessariamente uma abordagem de grande impacto”, concluiu.

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