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Bebês mais inteligentes: como startups estão usando genética para selecionar embriões

Publicado 13/08/2026 • 07:00 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • A fertilização in vitro (FIV) ganhou novas possibilidades com o avanço da genética aplicada à reprodução.
  • Nos Estados Unidos, startups passaram a oferecer análises genéticas que identificam alterações cromossômicas, doenças e riscos relacionados a condições influenciadas por vários genes.
  • A tecnologia ainda atende um grupo pequeno de pacientes, mas já provoca discussões entre empresas, investidores, pesquisadores e especialistas em ética.
Bebês mais inteligentes: como startups estão usando genética para selecionar embriões

Foto: Unsplash

Bebês mais inteligentes: como startups estão usando genética para selecionar embriões

A fertilização in vitro (FIV) ganhou novas possibilidades com o avanço da genética aplicada à reprodução. Nos Estados Unidos, startups passaram a oferecer análises genéticas que identificam alterações cromossômicas, doenças e riscos relacionados a condições influenciadas por vários genes. Algumas empresas também apresentam estimativas para características como altura e inteligência.

Entre as companhias que atuam nesse mercado estão Nucleus, Orchid e Herasight. A tecnologia ainda atende um grupo pequeno de pacientes, mas já provoca discussões entre empresas, investidores, pesquisadores e especialistas em ética, de acordo com a Economist.

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Startups ampliam a análise genética

A Nucleus chamou atenção em Nova York ao divulgar anúncios no metrô sobre seleção embrionária. A empresa afirma que o QI tem forte componente genético e defende a triagem como um serviço com potencial de alcançar um público maior.

A Herasight oferece análises de risco para diferentes doenças e estimativas de altura, inteligência e longevidade. O serviço pode custar até US$ 50 mil (aproximadamente R$ 260 mil).

A Nucleus também inclui cor dos cabelos e dos olhos entre as características analisadas. Já a Orchid atua no mesmo segmento de triagem embrionária. Em 2024, cerca de 100 mil bebês americanos foram concebidos por FIV, o equivalente a 2,8% dos nascimentos no país.

Quanto custa a fertilização in vitro nos EUA?

O preço da FIV ainda limita o acesso ao tratamento. Um ciclo nos Estados Unidos custa atualmente entre US$ 15 mil e US$ 20 mil, (R$ 80 mil a R$ 108 mil).

Algumas startups trabalham com seguros e planos de pagamento para reduzir os custos. A Gaia, por exemplo, afirma que seus serviços geram uma economia média de US$ 15 mil (R$ 80 mil) para os pacientes durante o processo de fertilização.

O investidor e ex-endocrinologista reprodutivo David Sable estima que o mercado global de fertilidade poderia chegar a US$ 400 bilhões (R$ 2,07 trilhões) a US$ 500 bilhões (R$ 2,60 trilhões) por ano caso a FIV se tornasse mais acessível.

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Como funciona a seleção genética de embriões?

Alguns testes já são utilizados na FIV. O PGT-A verifica alterações no número de cromossomos, enquanto o PGT-M identifica doenças provocadas por alterações em um único gene, como fibrose cística e doença de Huntington.

O PGT-P amplia a análise para condições e características influenciadas por vários genes. As empresas calculam pontuações de risco poligênico com base em estudos genéticos realizados com grandes populações.

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Uma pesquisa publicada em 2023 na revista Science mostrou o interesse por essa tecnologia. Entre pessoas que já fariam FIV, 43% disseram que usariam a triagem poligênica para aumentar as chances de o filho ingressar em uma universidade de elite, desde que o procedimento fosse seguro e gratuito.

Seleção pode aumentar a inteligência?

A capacidade de prever características complexas é uma das principais dúvidas. Um estudo publicado na Cell em 2019 estimou que a escolha entre dez embriões viáveis poderia gerar uma diferença média de 2,9 centímetros na altura. Para o QI, o ganho estimado seria de três pontos.

A quantidade de embriões disponíveis também influencia o resultado. Em muitos ciclos de FIV, os pacientes têm apenas dois ou três embriões viáveis. Além disso, os genes não determinam sozinhos características como inteligência e altura. Fatores ambientais também participam do desenvolvimento.

Pesquisadores questionam precisão

Kevin Mitchell, do Trinity College Dublin, afirma que as pontuações poligênicas funcionam melhor para identificar tendências em grandes grupos do que para prever o resultado de uma única criança.

Uma variante genética rara pode ter grande impacto e não aparecer adequadamente nos estudos populacionais usados pelos modelos. Outro problema é a pleiotropia, quando uma variante influencia diferentes características.

Os bancos de dados genéticos também apresentam limitações de diversidade. O aumento das amostras pode melhorar os modelos, mas não elimina as incertezas.

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Tecnologia gera debate ético

Além das dúvidas científicas, o PGT-P provoca discussões éticas. Grupos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência questionam a seleção de embriões para evitar determinadas condições genéticas. Críticos também relacionam a expansão dos testes a preocupações com eugenia e apontam possíveis aplicações futuras envolvendo edição genética.

As empresas afirmam que os clientes procuram principalmente reduzir riscos de doenças. A oferta de estimativas para inteligência, altura e características físicas, porém, amplia o debate sobre os limites da seleção genética. A triagem poligênica ainda é um mercado de nicho, mas os investimentos em fertilidade e o avanço dos bancos de dados genéticos podem aumentar sua utilização.

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