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Brasil tem segunda maior reserva de terras raras e atrai interesse dos EUA
Publicado 27/03/2026 • 20:10 | Atualizado há 7 meses
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O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo e o interesse dos Estados Unidos nesses minerais estratégicos levanta debates sobre a validade jurídica de acordos diretos com estados, disse André Nunis, pesquisador do laboratório de processos metalúrgicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que a falta de uma diretriz centralizada pode afastar o capital estrangeiro vindo de países como Austrália e Canadá: “Os investidores ficam bastante preocupados com acordos que não envolvem diretamente as empresas. Se houver incerteza jurídica entre os estados e o governo federal sobre quem terá o controle da venda, as empresas podem ficar muito receosas em investir em algo que não sabem para quem poderão vender”, afirmou.
Para o especialista do IPT, a negociação desses recursos deve ser tratada como uma estratégia de segurança nacional e soberania. “O Brasil, como país, deve ter um planejamento estratégico. Definir uma política para a nação é fundamental para discutir diplomaticamente com parceiros estrangeiros. Não é apenas uma questão de um estado, mas de como o país deve planejar o processamento desses materiais de alto valor agregado”, defendeu.
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Siga o Times | CNBCA movimentação norte-americana busca reduzir a dependência da China, que hoje domina 90% da produção de ímãs permanentes usados em alta tecnologia. “Os Estados Unidos tentam encontrar alternativas à dependência da China, especialmente para a indústria militar. O Brasil é visto como um fornecedor preferencial por ter reservas de baixo custo e capacidade produtiva, o que é vital para não manter todos os ovos em uma única cesta geopolítica”, explicou.
O pesquisador ressaltou que o desenvolvimento tecnológico interno é o caminho para que o país não seja apenas um exportador de commodities minerais. “Existem iniciativas como o projeto MAGBRAS, que testa a produção de ímãs de terras raras no Brasil. Temos equipe qualificada em instituições como o IPT há mais de dez anos, mas futuros acordos devem contemplar tanto o investimento em pesquisas nacionais quanto a transferência de tecnologia estrangeira”, pontuou.
Por fim, Andre Nunis reiterou que o fortalecimento da indústria nacional depende de uma coordenação diplomática eficiente para evitar a judicialização dos processos minerários. “É interessante que o Brasil ataque das duas formas: investindo em institutos de pesquisas e universidades locais para formação de pessoas, mas também atraindo tecnologias já desenvolvidas no exterior por meio desses acordos de cooperação internacional”, concluiu.
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