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Burnham propõe uma maior descentralização do poder no Reino Unido para impulsionar o desenvolvimento territorial

Publicado 29/06/2026 • 14:40 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Andy Burnham é candidato à liderança do Partido Trabalhista e à sucessão de Keir Starmer como primeiro-ministro britânico.
  • Ele afirmou nesta segunda-feira (29) que pretende descentralizar o poder político no Reino Unido e aproximar Westminster das regiões.
  • O objetivo seria promover o desenvolvimento econômico de "todos os códigos postais" britânicos, após denunciar uma cultura excessivamente centralista e dominada pelos interesses dos partidos políticos
Keir Starmer e Andy Burnham, atual primeiro-ministro do Reino Unido e atual prefeito de Manchester, cotado para ser o próximo PM

Montagem

Keir Starmer e Andy Burnham, atual primeiro-ministro do Reino Unido e atual prefeito de Manchester, cotado para ser o próximo PM

Andy Burnham, candidato à liderança do Partido Trabalhista e à sucessão de Keir Starmer como primeiro-ministro britânico, afirmou nesta segunda-feira (29) que pretende descentralizar o poder político no Reino Unido e aproximar Westminster das regiões para, dessa forma, promover o desenvolvimento econômico de “todos os códigos postais” britânicos, após denunciar uma cultura excessivamente centralista e dominada pelos interesses dos partidos políticos

Em seu primeiro grande discurso desde que decidiu se candidatar ao processo interno do Partido Trabalhista após a renúncia de Starmer, Burnham apresentou seu modelo político marcado pela vontade de implementar o “maior reequilíbrio de poder” já visto no Reino Unido, entendendo que é hora de Whitehall, sede do governo britânico, “aceitar que o crescimento não pode ser imposto de cima”.

“Ele só pode ser cultivado a partir de baixo. Ele surge quando se tem poder em nível local para fazer uma diferença real”, afirmou ele, após criticar que, na última década, após o referendo do Brexit, o país dedica “muito tempo a discutir e não o suficiente a agir” e apontar o centralismo como origem dos desequilíbrios econômicos no Reino Unido.

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“Se as prefeituras nem sequer conseguem consertar os buracos nas estradas, que chances têm de impulsionar grandes projetos de regeneração urbana que estimulem o crescimento econômico?”, perguntou-se, reiterando sua intenção de oferecer novas oportunidades para ampliar a descentralização na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte, “levando o poder ainda mais perto do território”.

Nesse sentido, ele indicou que o escritório “Número 10 Norte”, em referência à Downing Street e com sede na cidade de Manchester, “será o centro nevrálgico de um Reino Unido reconfigurado”. Segundo ele, será a entidade que viabilizará “a redistribuição do poder e dos recursos em todo o Reino Unido”. “Coordenará todas as partes do governo, nos níveis nacional e local, para definir uma estratégia econômica de longo prazo e ajudar todos os territórios a estabelecer novas ambições de crescimento”, destacou.

Burnham, principal favorito para suceder Starmer nas primárias trabalhistas – processo que pode culminar no próximo dia 17 de julho -, citou como exemplo o sistema alemão dos “Länder”, insistindo na necessidade de uma colaboração com as regiões, para que elas conduzam seu próprio modelo, gerem empregos e retenham a população, elevando o poder aquisitivo em todo o país com um horizonte de dez anos.

“Os dias em que Whitehall lutava contra a descentralização do poder para as regiões e nações chegaram ao fim. Para sempre. Passei dez anos lutando contra a burocracia de Whitehall, bloqueando o progresso deste lugar. O progresso das pessoas”, enfatizou, em um discurso no qual pediu para “não deixar tudo nas mãos do mercado” e defendeu “intervir publicamente quando for necessário”.

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De qualquer forma, ele negou que essa visão de redistribuição de poder seja prejudicial a Londres, insistindo que a tendência atual “é ruim para todos os lugares”. “É ruim para Londres e para o sudeste. O país inteiro sofre quando as regiões e as nações não atingem seu potencial e os londrinos ficam com uma economia superaquecida e um mercado imobiliário saturado”, argumentou.

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Moradia e desenvolvimento urbano

Como eixo central de seu modelo, o ex-prefeito de Manchester enfatizou que as pessoas devem ter a segurança de “um bom lar e um bom emprego”, “para que possam ser o mais produtivas possível, com boa mobilidade e capacidade de arcar com as necessidades básicas”.

“Não temos proporcionado às pessoas essa estabilidade, essa capacidade de progredir na vida, e é hora de fazê-lo e de devolver a aspiração da classe trabalhadora, a possibilidade de que alguém que cresça aqui possa se tornar tudo o que é capaz de ser”, ressaltou.

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Burnham destacou, assim, a construção de moradias públicas “em todas as partes do país”, com base em uma política de “moradia em primeiro lugar”. “Tudo começa com um bom lar. E este país, finalmente, precisa colocá-lo no topo de sua lista de prioridades”, afirmou, para enfatizar a necessidade de impulsionar o comércio local nas comunidades britânicas.

“Em vez de serem um símbolo de decadência, não deveríamos transformar nossas ruas principais no novo símbolo do renascimento do Reino Unido?”, questionou, referindo-se às vias comerciais que atravessam a maioria das cidades britânicas.

Dessa forma, propôs-se, em um prazo de dez anos, reverter um modelo econômico que “desde meados do século XX não tem sido construído pensando nas pessoas comuns”. “Ele deu mais àqueles que já tinham mais e deixou as pessoas pagando a mais pelo básico”, criticou.

E, após citar como exemplo movimentos cooperativos históricos no Reino Unido, Burnham destacou a necessidade de levar o crescimento econômico a “todos os códigos postais”: “Imaginemos um crescimento de qualidade em cada código postal e esperança em cada coração. Pois bem, vamos parar de imaginar: vamos transformar isso em realidade”, resumiu ele ao concluir seu discurso.

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