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Quem é Andy Burnham? E outras quatro coisas que investidores devem saber após a troca de primeiro-ministro no Reino Unido
Publicado 22/06/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 22/06/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o cargo, abrindo caminho para o sétimo líder britânico em apenas dez anos.
O processo para escolher seu sucessor como líder do Partido Trabalhista e primeiro-ministro deverá ser concluído até, no máximo, 1º de setembro. Com uma nova administração, os mercados também terão de avaliar um novo conjunto de políticas econômicas e fiscais.
Veja o que os investidores devem observar durante a busca pelo próximo líder do Reino Unido.
Andy Burnham é o favorito para suceder Starmer. O prefeito da Grande Manchester conquistou uma cadeira no Parlamento britânico em uma eleição suplementar realizada na semana passada, tornando-se elegível para disputar a liderança do partido.
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Na manhã desta segunda-feira, o ex-secretário de Saúde Wes Streeting, que era apontado como possível rival na corrida pelo cargo, declarou apoio a Burnham, aumentando as chances de que ele concorra sem oposição, o que encurtaria significativamente o processo de sucessão.
Burnham deixou o Parlamento em 2017 para se tornar prefeito de Manchester, após atuar em governos trabalhistas anteriores e disputar a liderança do partido em 2015.
A projeção conquistada no cargo de prefeito e seu afastamento das disputas internas em Westminster renderam-lhe o apelido de “rei do norte”.
Observadores o consideram mais à esquerda do que Starmer, e declarações anteriores sobre gastos públicos chegaram a provocar preocupação entre investidores.
“Precisamos superar essa ideia de ficar reféns do mercado de títulos”, afirmou em entrevista concedida em setembro do ano passado. A declaração provocou uma venda de títulos públicos britânicos, já que operadores de mercado o viam como um potencial futuro primeiro-ministro.
Leia também: CNBC: Keir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após pressões internas
Posteriormente, Burnham suavizou a posição. “Nunca disse que é possível simplesmente ignorar os mercados de títulos”, afirmou à ITV News em maio.
Em artigo publicado na CNBC em maio, Ian King relembrou uma entrevista com Burnham e detalhou seu estilo de gestão econômica conhecido como “Manchesterismo”.
Libertar os gastos públicos das restrições impostas pelo mercado de títulos pode ser mais difícil do que Burnham imagina, especialmente porque a situação fiscal britânica continua se deteriorando.
Os rendimentos dos títulos públicos britânicos, conhecidos como gilts, têm subido sempre que surgem sinais de aumento dos gastos do governo. Caso Burnham se torne primeiro-ministro, herdará uma administração com recursos limitados, o que restringirá sua capacidade de ampliar despesas.
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Segundo April LaRusse, chefe de especialistas em investimentos da Insight Investment, o comportamento dos rendimentos dos títulos poderá ser influenciado mais pela forma como Starmer deixa o cargo do que pelas políticas do sucessor.
“Mais recentemente, o mercado de gilts parece esperar uma abordagem mais pragmática para mudanças nas políticas governamentais”, escreveu ela em relatório.
“Esperamos que o foco do mercado agora seja quem ocupará os principais cargos do gabinete, especialmente o ministro das Finanças e o momento do próximo orçamento”, acrescentou.
Segundo a Convera, a libra esterlina dificilmente será impactada pela aproximação de Burnham ao número 10 de Downing Street, já que o movimento era amplamente esperado e estaria, em grande parte, precificado.
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“Uma transição claramente definida provavelmente será vista como ordenada”, escreveu Antonio Ruggiero, estrategista cambial da empresa.
“O risco está em um processo mais caótico. Se não surgir um cronograma claro e o foco se voltar para uma disputa interna de liderança, a pressão sobre a libra pode retornar”, acrescentou.
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Siga o Times | CNBCA principal preocupação para a moeda britânica continua sendo a política monetária, já que os mercados esperam que o Banco da Inglaterra mantenha os juros inalterados pelo restante do ano.
Parte da reação dos mercados de títulos e da libra ao novo primeiro-ministro dependerá da escolha do ministro das Finanças, conhecido no Reino Unido como chancellor.
A atual titular do cargo, Rachel Reeves, poderia representar uma opção de menor risco por sinalizar continuidade, mas reportagens recentes indicam que ela deverá ser substituída.
Nos últimos dias, veículos de imprensa apontaram Wes Streeting e o secretário de Energia Ed Miliband, que liderou o Partido Trabalhista entre 2010 e 2015, como possíveis candidatos.
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“Investidores de renda fixa serão rápidos em julgar se o novo ministro das Finanças terá uma postura cautelosa ou mais ousada”, afirmou Dan Coatsworth, chefe de mercados da AJ Bell.
“O mercado de títulos prefere alguém cauteloso e comprometido com o equilíbrio das contas públicas. Não quer ver alguém ampliando gastos sem avaliar se o país pode arcar com isso”, acrescentou.
Segundo Coatsworth, investidores em ações esperam um ministro mais favorável aos negócios do que Reeves, que supervisionou um período de forte pressão de custos sobre a indústria britânica.
Uma mudança de liderança não significa automaticamente uma melhora na situação econômica do país.
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou em abril que o Reino Unido pode sofrer o maior impacto sobre o crescimento econômico entre as grandes economias em decorrência da guerra envolvendo o Irã. A instituição projeta expansão de apenas 0,8% em 2026, abaixo dos 1,3% previstos no início do ano.
“O primeiro-ministro pode mudar, mas os desafios enfrentados pela economia britânica continuam os mesmos”, escreveu Indriatti van Hien, gestora do fundo Janus Henderson Smaller Companies, após o anúncio da saída de Starmer.
“O próximo primeiro-ministro enfrentará a difícil tarefa de reativar o crescimento econômico enquanto mantém o equilíbrio fiscal. Políticas de energia e reformas no sistema de assistência social precisam ser enfrentadas para reduzir os prêmios dos títulos britânicos, liberar recursos para o crescimento e atrair novamente fluxos de capital para o Reino Unido”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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