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Choque no petróleo deve acelerar inflação global e pressionar juros, avalia professor da FGV
Publicado 15/05/2026 • 13:06 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 15/05/2026 • 13:06 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A escalada dos preços do petróleo após a crise no Estreito de Ormuz deve provocar uma nova rodada de pressão inflacionária global, elevar juros e desacelerar a atividade econômica em diversos países. A avaliação é de Rafael Chaves, professor da FGV EPGE, que vê um cenário de deterioração econômica ainda não totalmente percebido pelos mercados e consumidores.
“A gente vai encarar períodos de pressão inflacionária para frente e isso ainda não foi percebido. O principal impacto ainda não chegou”, afirmou em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (15).
Segundo o economista, o salto do petróleo de um patamar entre US$ 60 e US$ 70 (entre R$ 304,2 e R$ 354,9) para mais de US$ 100 (R$ 507) o barril ainda não foi integralmente repassado para setores como transporte aéreo, logística e alimentos. “Essa subida ainda não está refletida no preço da passagem aérea. O preço do diesel também ainda não foi percebido”, ressaltou.
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Na avaliação de Rafael Chaves, o aumento dos custos energéticos tende a se espalhar gradualmente pela economia, pressionando índices de inflação ao redor do mundo. “É uma questão de tempo e vai começar a bater nos números de inflação”, destacou.
O professor lembrou que indicadores recentes de inflação ao produtor nos Estados Unidos e no Japão já surpreenderam para cima, sinalizando um ambiente mais pressionado para os bancos centrais. “Muito em breve, na minha previsão, os bancos centrais vão começar a subir os juros”, apontou.
Para Rafael Chaves, o atual cenário combina impactos imediatos no consumo com mudanças estruturais na matriz energética global. Segundo ele, o encarecimento dos combustíveis fósseis reduz a demanda por produtos associados ao petróleo e incentiva investimentos em fontes alternativas.
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“O preço da energia subiu bastante. Com essa subida, você tem dois efeitos: do lado da demanda, as pessoas tendem a consumir menos produtos associados ao petróleo e gás; e do lado da oferta, fica mais atrativo produzir petróleo em outras regiões do mundo”, explicou.
O professor citou exemplos do cotidiano para ilustrar a desaceleração conjuntural do consumo de combustíveis. “Em vez de fazer um voo, a pessoa pode viajar para um destino mais próximo ou até ficar na própria cidade. Você substitui parte da demanda por gasolina e querosene de aviação”, observou.
Segundo ele, o choque também acelera decisões permanentes de transição energética. “Com esse preço alto, talvez o próximo carro que eu vá comprar seja elétrico e não a combustão”, afirmou.
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Na visão do economista, o conflito no Oriente Médio acaba favorecendo investimentos em energia renovável e tecnologias menos dependentes do petróleo. “São decisões que tendem a favorecer uma substituição por energia renovável”, pontuou.
Rafael Chaves avalia que o Brasil também deve sentir os impactos do choque energético, apesar da relevância da produção nacional de petróleo. Segundo ele, a Petrobras vem segurando reajustes de preços, mas a estratégia não deve durar por muito tempo.
“A Petrobras está segurando os preços, mas isso é uma estratégia que não consegue se propagar por muito tempo. Em questão de tempo, vai ter que dar esse reajuste”, afirmou.
O professor criticou medidas de controle artificial dos preços dos combustíveis diante da disparada internacional do petróleo. “Não adianta você ter uma empresa grande tentando segurar preço na canetada”, ressaltou.
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Na avaliação dele, a demora no repasse apenas posterga impactos inevitáveis sobre diesel e gasolina. “Só vai atrasar o repasse no preço do diesel e da gasolina”, frisou.
Rafael Chaves também alertou para os efeitos dos juros elevados na economia brasileira. Segundo ele, o ambiente mais restritivo reduz investimentos, crédito e crescimento econômico. “O juro real no Brasil está muito elevado, na ordem de 10% ao ano. Isso inibe investimento e tomada de crédito”, explicou.
Para o professor, o cenário deve permanecer desafiador enquanto não houver normalização efetiva da oferta energética global. “Tem analistas dizendo que só no ano que vem a gente vai ver a oferta de petróleo, diesel e gasolina normalizar”, lembrou.
Na avaliação de Rafael Chaves, a revisão da Agência Internacional de Energia (AIE) para a demanda global de petróleo reflete tanto a desaceleração econômica quanto uma aceleração da transição energética.
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Segundo ele, juros mais altos ao redor do mundo ajudam a frear a atividade econômica e reduzem naturalmente o consumo de energia. “Dentro de um cenário mais restritivo, a economia cresce menos e isso reduz a demanda por energia”, afirmou.
Ao mesmo tempo, o economista vê uma mudança estrutural no perfil de consumo energético mundial. “Hoje você já vê carro elétrico na rua. É algo que não existia há 20 anos”, observou.
Para Rafael Chaves, a instabilidade recorrente envolvendo o petróleo tende a acelerar investimentos em alternativas energéticas. “É natural que a economia tente se defender disso e acelere um pouco a transição energética”, concluiu.
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