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Guerra prolongada no Oriente Médio pode pressionar juros e reduzir crescimento do Brasil
Publicado 08/06/2026 • 10:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 08/06/2026 • 10:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A nova escalada das tensões no Oriente Médio pode prolongar os efeitos da crise sobre o mercado de energia e pressionar a economia global, avalia o economista da GO Associados, Luccas Saqueto. Em entrevista nesta segunda-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou queo mercado segue atento ao risco de interrupções no fornecimento de petróleo e aos reflexos sobre inflação, juros e crescimento econômico.
Segundo o especialista, havia uma expectativa de que um acordo pudesse restabelecer plenamente o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. No entanto, a retomada dos ataques entre Irã e Israel tornou esse cenário mais distante, aumentando a incerteza dos investidores.
Saqueto destacou que os impactos da guerra já são percebidos em diferentes setores da economia, especialmente na cadeia de energia e no transporte aéreo. Segundo ele, o processo de normalização do abastecimento de combustíveis ainda deve levar tempo, mesmo após eventuais avanços diplomáticos.
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“O mercado segue apreensivo. Havia uma expectativa de um acordo que reabrisse de fato o Estreito de Ormuz e restabelecesse uma rota importantíssima para a energia no mundo todo”, afirmou. “Com essa troca de ataques, um possível acordo de paz ficou um pouco mais distante.”
O economista lembrou ainda que algumas regiões chegaram a enfrentar dificuldades de abastecimento nos últimos meses. “Essa possível escalada do conflito deixa o mercado em estado de atenção”, ressaltou.
Ao comentar o comportamento dos mercados financeiros, Saqueto observou que, no início do conflito, investidores enxergavam a crise como um evento mais localizado e temporário. Com o prolongamento das tensões, porém, o foco passou a incluir impactos mais amplos sobre inflação, atividade econômica e política monetária.
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Segundo ele, embora a alta do petróleo beneficie empresas produtoras da commodity, o restante da economia tende a sofrer com custos maiores e condições financeiras mais restritivas. “Apesar da disparada no preço do petróleo ter consequências boas para as produtoras, para a economia como um todo isso é muito ruim”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCO economista também citou a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e em outras economias. “A cautela talvez seja a palavra da vez para os investidores”, destacou.
Apesar de o Brasil ser exportador de petróleo, Saqueto avalia que os efeitos negativos de uma commodity mais cara tendem a superar os benefícios gerados pelas exportações e pelos ganhos de empresas como a Petrobras.
Ele ressaltou que a inflação já preocupa o mercado brasileiro e que a alta dos combustíveis pode contaminar diversos segmentos da economia. “Se tem uma alta no preço do diesel e da gasolina, tem uma alta generalizada nos preços da economia”, explicou.
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Na avaliação do economista, um cenário de petróleo mais caro pode levar o Banco Central a manter uma postura mais conservadora em relação aos juros. “Isso prejudica bastante a economia brasileira. É como se o Banco Central estivesse pisando no freio para tentar trazer a inflação para a margem de tolerância da meta”, afirmou.
Para Saqueto, caso o conflito continue se intensificando e as chances de um acordo de paz diminuam, o Brasil poderá enfrentar uma combinação de inflação mais alta e crescimento econômico mais fraco nos próximos meses.
Ele avalia que uma das principais consequências seria uma revisão para baixo das projeções de expansão da atividade econômica. “Podemos ver uma revisão para baixo do crescimento da economia brasileira e um aumento ainda maior da inflação neste ano”, alertou.
Segundo o economista, esses riscos reforçam a importância de acompanhar os próximos desdobramentos do conflito. “Se a troca de ataques continuar, a perspectiva é ainda pior para a inflação neste ano”, concluiu.
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