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Conflito no Oriente Médio

Mercado reduz reação a falas de Trump, mas petróleo pode chegar a R$ 787, diz especialista da Armada Asset

Publicado 11/05/2026 • 12:00 | Atualizado há 3 dias

KEY POINTS

  • Conflito prolongado no Oriente Médio fez mercado abandonar reações imediatistas a anúncios de cessar-fogo, avalia especialista
  • Petróleo pode atingir até US$ 160 em cenário de escassez global e choque de demanda, segundo análise da Armada Asset.
  • Alta das commodities favorece o Brasil, fortalece o real e ajuda a reduzir parte da pressão inflacionária interna.

A possibilidade de uma guerra mais prolongada no Oriente Médio já mudou a forma como investidores reagem às declarações de Donald Trump e às negociações envolvendo o Irã. Para Juliano Lara Fernandes, especialista em investimentos e mercado financeiro da Armada Asset, o mercado passou a enxergar o conflito sob uma ótica mais estrutural e menos imediatista, reduzindo oscilações bruscas no dólar e ampliando preocupações com petróleo, inflação global e risco de escassez energética.

Para ele, a volatilidade recente ficou mais contida mesmo após novas ameaças e declarações duras entre Washington e Teerã. “O mercado agora está sendo menos ‘maníaco-depressivo’ em termos de grandes faixas de variações”, afirmou nesta segunda-feira (11), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, investidores passaram a exigir sinais mais concretos antes de alterar posições de forma agressiva. “Acho que os mercados estão querendo ver coisas um pouco mais robustas. E, mais do que isso, já acreditando que a solução para esse final de guerra não é tão simples”, destacou o especialista.

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Na avaliação da gestora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes – entrou em uma faixa relativamente estável entre 97 e 100 pontos, mesmo diante das tentativas frustradas de cessar-fogo nas últimas semanas. “As consequências da guerra agora já estão numa repercussão que nos próximos 6 a 12 meses a gente vai ter”, explicou Fernandes.

Petróleo pode entrar em cenário de escassez

O principal ponto de atenção, segundo o especialista, está no petróleo. Apesar de o barril Brent já operar próximo da faixa entre US$ 90 e US$ 100 (R$ 442,8 e R$ 492), Fernandes avalia que o mercado ainda subestima o potencial de alta caso o conflito afete de forma mais intensa a oferta global de energia.

“A nossa visão é que a gente está tendo realmente uma subestimativa do que vai acontecer com o preço do petróleo”, disse.

Segundo ele, o cenário-base da Armada Asset passou a considerar uma hipótese que parecia improvável semanas atrás: petróleo entre US$ 150 e US$ 160 (R$ 738 e R$ 787,2) em caso de escassez efetiva nos mercados internacionais.

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Se a gente passar de uma fase de dificuldade de acesso para uma escassez, a escassez vai ter que gerar um choque de demanda”, ressaltou. Para o especialista, isso obrigaria o mercado a elevar os preços a níveis suficientes para reduzir o consumo global.

Fernandes afirmou que os primeiros impactos já começam a aparecer na Ásia e na Europa. “O mercado asiático já está começando a sentir, a Europa já cancelou vários voos agora no verão europeu”, apontou.

Dólar mais estável e real fortalecido

Mesmo diante da guerra, a avaliação da Armada Asset é de que o dólar global tende a permanecer relativamente estável no curto prazo, sustentado pela inflação elevada nos Estados Unidos e pela dificuldade do Federal Reserve em iniciar cortes relevantes de juros.

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Uma inflação mais alta por conta do petróleo e os Estados Unidos não podendo baixar muitos juros acabam protegendo um pouco o dólar”, explicou Fernandes.

Já no caso brasileiro, o cenário tem sido diferente. O especialista destacou que a valorização das commodities vem fortalecendo o real e melhorando o desempenho da balança comercial. “O índice de commodities subiu 40% este ano e isso é altamente favorável ao Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o ambiente externo acaba beneficiando países exportadores de matérias-primas, especialmente petróleo e minério de ferro. “Isso valoriza o real, pelo menos no curto prazo”, pontuou.

Commodities ajudam a aliviar inflação brasileira

Para Fernandes, o Brasil estaria em situação significativamente mais delicada caso não fosse um grande exportador de commodities em meio ao atual choque global de energia. “A guerra infelizmente é positiva para a gente nessa questão”, afirmou, ao comentar o impacto da valorização das exportações brasileiras sobre o câmbio.

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Ele destacou que a valorização do real ajuda a amortecer parte da pressão inflacionária provocada pela alta do petróleo. “A queda do dólar minimiza um pouco esse impacto inflacionário”, concluiu o especialista.

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