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De “onda azul” a “voto de castigo”, imprensa internacional retrata derrota de Trump
Publicado 04/11/2026 • 14:18 | Atualizado há 44 minutos
Bilionários da tecnologia sofrem com a vitória esmagadora dos democratas sobre os republicanos
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Publicado 04/11/2026 • 14:18 | Atualizado há 44 minutos
KEY POINTS
Ronaldo Schemidt/AFP
O democrata James Talarico discursa após vencer a disputa pelo Senado no Texas, durante evento eleitoral em Austin, nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026.
A “onda azul” que deu aos democratas o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos também ganhou destaque na imprensa internacional nesta quarta-feira (4). Jornais americanos e europeus usaram expressões como “derrota histórica” e “voto de castigo” para descrever o revés de Donald Trump nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3), em meio à insatisfação com o custo de vida e a guerra contra o Irã.
Os republicanos chegaram às eleições com maioria nas duas Casas do Congresso, mas perderam espaço para os democratas, que conquistaram pelo menos sete cadeiras no Senado antes ocupadas pelo partido de Trump. As vitórias foram alcançadas em estados tradicionalmente conservadores, como Texas, Kansas e Carolina do Sul.
No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton na disputa pelo Senado, enquanto Gina Hinojosa venceu a eleição para governadora. A oposição garantiu o controle do Congresso a partir de janeiro de 2027, embora a apuração ainda não estivesse concluída em todas as disputas.
O Washington Post e o Le Monde destacaram a dimensão histórica das derrotas republicanas, enquanto o El País descreveu o resultado como um voto de castigo ao governo Trump.
Já o Wall Street Journal e o Guardian ressaltaram o peso do custo de vida e da guerra contra o Irã. A CNBC internacional, por sua vez, destacou a derrota de candidatos financiados por bilionários da tecnologia.
Leia também: Vitória democrata nos EUA não acaba com tarifaço de Trump sobre o Brasil; entenda

O americano The Washington Post destacou a dimensão das perdas republicanas, inclusive em regiões onde Trump havia conquistado amplo apoio na eleição presidencial de 2024.
Segundo levantamento do jornal, os resultados disponíveis durante a madrugada indicavam um deslocamento de pelo menos 15 pontos percentuais em direção aos democratas na comparação com a eleição anterior. O movimento também alcançou áreas rurais e regiões tradicionalmente favoráveis aos republicanos.
Na França, o Le Monde classificou as derrotas de Trump como históricas e destacou as vitórias democratas no Texas e no Kansas, estado que não elegia um senador democrata desde 1932.
O jornal espanhol El País também ressaltou o caráter excepcional do resultado. Segundo o jornal, a perda simultânea da Câmara e do Senado pelo partido do presidente havia ocorrido apenas seis vezes na história americana.


A insatisfação com a economia apareceu como um dos principais pontos em comum na cobertura internacional.
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Siga o Times | CNBCO The Wall Street Journal relacionou o desempenho republicano às preocupações dos eleitores com a inflação, os preços dos combustíveis, as tarifas comerciais e os efeitos da guerra contra o Irã.
O britânico The Guardian também destacou o peso do custo de vida, da guerra e das políticas de imigração. O jornal observou que a vitória beneficiou diferentes correntes democratas, de moderados a progressistas.
Porém, o resultado não representa necessariamente a adesão dos eleitores às propostas do Partido Democrata. A dimensão da vitória também pode refletir a rejeição às políticas de Trump e a insatisfação com as condições de vida.
O Le Monde fez uma avaliação semelhante ao relacionar o resultado à distância entre o discurso do presidente e as preocupações econômicas cotidianas dos americanos.
As consequências para o restante do mandato de Trump também receberam atenção dos jornais estrangeiros.
O Wall Street Journal destacou que o controle democrata do Congresso poderá ampliar as disputas sobre gastos públicos, tarifas comerciais e financiamento do governo, além de fortalecer a fiscalização sobre o Executivo.
A nova composição do Congresso entrará em vigor em 3 de janeiro de 2027. A partir dessa data, os democratas poderão comandar comissões parlamentares, convocar integrantes do governo e dificultar a aprovação de medidas defendidas pela Casa Branca.
Trump, porém, continuará com o poder de veto sobre projetos aprovados pelo Legislativo. O resultado amplia os obstáculos à sua agenda, mas não retira as atribuições da Presidência.
A CNBC internacional destacou outro aspecto da vitória democrata: o revés sofrido por bilionários e grupos empresariais que investiram milhões de dólares em campanhas republicanas, especialmente em disputas relacionadas à expansão da inteligência artificial.
Segundo levantamento da emissora com dados da Comissão Eleitoral Federal dos EUA, 14 dos 20 maiores grupos de doadores apoiaram exclusivamente ou quase exclusivamente os republicanos. Empresas e investidores ligados a criptomoedas, inteligência artificial e apostas online destinaram mais de US$ 377 milhões às disputas eleitorais. Elon Musk esteve entre os principais financiadores de candidatos derrotados.
A reportagem também destacou a vitória de Gina Hinojosa para o governo do Texas, um dos principais polos de expansão dos data centers americanos. Durante a campanha, a democrata defendeu a suspensão temporária de novos empreendimentos até a adoção de regras mais rigorosas.
Segundo uma pesquisa eleitoral da própria CNBC, 56% dos entrevistados consideraram os data centers um fator importante ou decisivo para o voto. O resultado aumenta a pressão por fiscalização sobre o setor de tecnologia e pode afetar os planos de expansão da infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos.
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