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Publicado 15/04/2026 • 07:23 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13) pela primeira vez em mais de dois anos, em um movimento que marcou um novo patamar psicológico para o mercado cambial brasileiro.
A moeda norte-americana encerrou o pregão cotada a R$ 4,9980, com queda de 0,25%, no menor nível desde março de 2024.
A sessão foi marcada por volatilidade. Ao longo do dia, o dólar chegou a superar R$ 5,04, mas perdeu força no decorrer das negociações e passou a operar em queda, refletindo uma mudança no humor dos investidores diante do cenário internacional, de acordo com o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo a Agência Brasil, a moeda ainda chegou a tocar a mínima de R$ 4,983 no intraday. No mercado futuro, o contrato mais líquido para maio recuava cerca de 0,36% na bolsa de valores, negociado próximo de R$ 5,01 no fim da tarde, acompanhando o movimento de baixa da moeda à vista.
O principal gatilho do dia veio do cenário geopolítico. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que o Irã teria sinalizado interesse em um acordo, ajudaram a reduzir a percepção de risco global. O movimento favoreceu ativos de países emergentes e pressionou o dólar em relação a diversas moedas.
Nesse ambiente, o real acompanhou o fluxo positivo e ganhou força ao longo da sessão, em linha com outras divisas latino-americanas. O enfraquecimento do dólar também reflete um contexto mais amplo de maior apetite por risco, em um mercado ainda sensível a notícias sobre conflitos internacionais.
No Brasil, o movimento desta segunda-feira reforça uma sequência de queda da moeda norte-americana. Já são quatro sessões consecutivas de desvalorização, com o câmbio acumulando recuo relevante no ano e voltando a operar em patamar abaixo de R$ 5 após mais de dois anos.
Leia também: Dólar fecha abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024
Apesar da quebra do nível simbólico, especialistas ainda avaliam o movimento com cautela e evitam tratar o cenário como uma mudança estrutural no câmbio.
Para a conselheira do Corecon-SP, Marisa Rossignoli, o comportamento recente ainda não indica consolidação. “Ainda vejo como pontual, podendo, em função dos cenários, ter alterações para mais ou para menos, não devemos esperar uma taxa muito mais alta em função do cenário, mas não podemos afirmar que se consolidará neste patamar”, afirmou.
O movimento atual, segundo ela, resulta de uma combinação de fatores. “Vejo uma combinação de fatores: taxa de juros interna (Selic) alta, atraindo investimentos externos e representando um fluxo de moeda externa para o Brasil, boa situação da balança comercial e exportação de commodities, também representando ingresso de dólares, distância geográfica dos conflitos atuais”, disse.
Marisa também destaca que o cenário externo tem influenciado diretamente a moeda americana. “As idas e vindas dos EUA no que se refere ao cenário externo têm enfraquecido sua moeda”, completou.
Na avaliação do professor-doutor de economia da PUC-SP e conselheiro do Cofecon, Antonio Corrêa de Lacerda, o câmbio brasileiro reflete um conjunto de variáveis internas e externas que seguem atuando simultaneamente.
“A taxa de câmbio no Brasil e a valorização do R$ frente ao US$ refletem tanto a situação da economia norte-americana quanto a taxa de juros elevada no Brasil, os efeitos das guerras para a economia mundial e as oportunidades de injeção de capital estrangeiro, direto, financiamento e bolsa”, afirmou.
Ele ressalta que esse cenário tende a manter o mercado em constante oscilação. “Enquanto os conflitos geopolíticos forem duradouros, haverá instabilidade com todas as suas consequências”, disse.
O comportamento do dólar abaixo de R$ 5 tem efeitos diretos, mas desiguais, sobre a economia brasileira. O impacto aparece de forma mais evidente em setores ligados ao comércio exterior e consumo de bens importados.
Segundo Lacerda, “as importações em tese ficam mais baratas, embora os preços internacionais estejam em alta. Viagens internacionais mais em conta, com a mesma ressalva. Por outro lado, um dólar mais barato no Brasil dificulta as exportações de industrializados”.
Leia também: Dólar fecha abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024
Já o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, avalia que o movimento recente combina fundamentos domésticos com fatores externos de curto prazo.
“Percebo que o movimento não é puramente pontual, mas também não configura, neste momento, uma tendência estrutural consolidada”, afirmou.
Ele destaca que parte da valorização do real vem de fatores internos. “Existe um vetor de valorização do real que já vinha desde 2025, sustentado por diferencial de juros elevado e superávit comercial robusto, somado a um fluxo externo relevante para renda fixa doméstica”, explicou.
Por outro lado, o cenário internacional segue determinante. “A quebra do nível de R$ 5 tem componente tático importante ligado ao ciclo global de risco e eventos específicos como expectativa de distensão geopolítica”, disse.
Sidney também alerta para possíveis reversões. “O que pode inverter esse quadro é a reprecificação dos juros americanos para cima, deterioração fiscal doméstica ou piora relevante do cenário global que reative o dólar como ativo de proteção”, afirmou.
Para ele, o nível atual já altera o comportamento do investidor. “O nível abaixo de R$ 5 começa a abrir assimetria mais interessante para proteção cambial e diversificação internacional”, concluiu.
Enquanto o mercado ainda tenta entender se o dólar abaixo de R$ 5 representa uma nova faixa de equilíbrio ou apenas um movimento pontual, o câmbio segue altamente sensível ao cenário externo, às decisões de política monetária global e ao apetite por risco nos mercados internacionais.
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