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EXCLUSIVO CNBC: Bessent diz que Ormuz precisa manter navegação livre e sem pedágios antes de acordo com Irã

Publicado 28/05/2026 • 16:34 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Secretário do Tesouro dos EUA afirmou ter alertado Omã contra qualquer participação em um sistema de tarifas na rota marítima.
  • Bessent disse que Trump não aceitará um “acordo ruim” com o Irã e que eventuais sanções só serão tratadas após concessões nucleares.
  • Questionado sobre a possibilidade de alívio de sanções ao Irã ou desbloqueio de ativos iranianos antes de compromissos concretos sobre o programa nuclear, Bessent evitou antecipar os termos de uma eventual negociação.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (28) que não haverá acordo com o Irã sem garantias de navegação livre no Estreito de Ormuz, entrega de urânio altamente enriquecido e compromisso de Teerã de não manter um programa nuclear. A declaração foi dada na Casa Branca e transmitida pela CNBC.

Bessent disse que as equipes de Washington e Teerã vêm mantendo conversas, mas afirmou que a decisão final caberá ao presidente Donald Trump.

“As equipes têm ido e voltado, e o presidente Trump deixou muito claro que tem várias linhas vermelhas”, disse Bessent. “O Irã precisa entregar seu urânio altamente enriquecido. Eles não podem buscar uma arma nuclear. E o Estreito de Ormuz precisa ter trânsito livre.”

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. A fala ocorre em meio a novas sanções dos Estados Unidos contra a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado por Teerã neste mês enquanto o Irã tenta ampliar o controle sobre o trânsito na região.

Bessent afirmou que Trump não aceitará um acordo considerado ruim para os Estados Unidos.

“Ele não vai fazer um acordo ruim. Ele vai fazer um ótimo acordo”, disse.

Leia também: Três meses de guerra no Irã: a vitória que escapa de Trump e a vantagem silenciosa de Pequim

Alerta a Omã

O secretário também disse ter conversado com o embaixador de Omã após declarações de Trump sobre o país. Segundo Bessent, o presidente quis reforçar a posição americana em defesa da liberdade de navegação no estreito.

“O presidente queria pontuar a liberdade de navegação no estreito”, afirmou.

Bessent disse que o embaixador omanense garantiu que não há planos de cobrança de pedágio na região. Segundo ele, os dois países mantêm relações diplomáticas há cerca de 200 anos.

“Ele me assegurou que não havia planos para cobrança de pedágio no estreito”, disse.

O secretário afirmou ter alertado que a proposta seria inaceitável para Washington e poderia levar a sanções contra pessoas e instituições financeiras ligadas a Omã.

“Eu disse a ele que isso era um ponto fora de questão e que ele não deveria arriscar que indivíduos omanenses ou instituições financeiras de Omã fossem sancionados”, afirmou.

Bessent também publicou nesta quinta-feira (28) que o Tesouro dos EUA miraria “agressivamente” qualquer ator envolvido, direta ou indiretamente, na facilitação de pedágios no Estreito de Ormuz.

Sanções e negociação com o Irã

Questionado sobre a possibilidade de alívio de sanções ao Irã ou desbloqueio de ativos iranianos antes de compromissos concretos sobre o programa nuclear, Bessent evitou antecipar os termos de uma eventual negociação.

“Não vou antecipar o acordo, mas acho que as coisas iriam muito lentamente nesse sentido”, afirmou.

O secretário disse que qualquer discussão sobre sanções dependerá do cumprimento das condições colocadas por Washington.

“Nada estará sobre a mesa até vermos o Estreito de Ormuz aberto e os iranianos concordarem que precisam entregar o urânio altamente enriquecido e que não podem ter um programa nuclear”, disse.

Bessent afirmou que a pressão econômica e a ação militar dos Estados Unidos levaram o Irã à mesa de negociação.

“Quando você olha para os resultados da ação cinética e da nossa pressão econômica, isso funcionou para trazê-los à mesa e ter uma discussão”, afirmou.

O secretário, porém, não confirmou se já há um entendimento temporário fechado para estender o cessar-fogo por 60 dias e dar continuidade às negociações nucleares. Segundo ele, “tudo depende” da decisão de Trump.

“É sempre um erro se adiantar ao presidente. Tudo será decisão do presidente”, disse.

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Petróleo e inflação

Bessent afirmou que os preços do petróleo já recuaram e disse esperar que a oferta global fique bem abastecida após a normalização do fluxo de embarcações pelo Golfo.

Segundo ele, o petróleo caiu cerca de 10% em maio, e quase 2 mil navios aguardam para sair da região. Para o secretário, o mercado pode ver queda rápida nos preços quando o tráfego for restabelecido.

“Acho que o mercado de petróleo estará muito bem abastecido do outro lado disso e que poderemos ver os preços caírem muito rapidamente”, afirmou.

Bessent também disse que, se o petróleo continuar recuando, os preços da gasolina devem seguir o mesmo movimento.

“Eu esperaria que, do outro lado disso, os preços da gasolina acompanhassem”, afirmou.

O secretário afirmou ainda acreditar que os Estados Unidos voltarão a um processo de desinflação mais forte após o período de choque. Segundo ele, o índice PCE avançou 0,2% no mês, abaixo da estimativa de 0,3%.

Airlines iranianas e ativos digitais

Bessent também afirmou que o governo americano pretende restringir a atuação de companhias aéreas estatais iranianas, sem impedir deslocamentos por motivos religiosos ou humanitários.

Segundo ele, os EUA podem sancionar empresas que abasteçam aviões, vendam bilhetes ou aceitem pagamentos de taxas de pouso dessas companhias.

“Essas companhias aéreas estatais iranianas são fora da lei e não podem fazer isso”, disse.

O secretário também comentou a política americana para ativos digitais. Ele afirmou que a atual administração não permitirá uma moeda digital de banco central nos Estados Unidos, por considerar que esse seria um primeiro passo para rastreamento de gastos.

“Esta administração foi muito clara: não haverá moeda digital de banco central”, afirmou.

Segundo Bessent, o objetivo é trazer ativos digitais para dentro dos Estados Unidos, com regulação e melhores práticas locais, em vez de deixar o setor concentrado em plataformas offshore.

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