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Google usou celulares Android para detectar terremoto e alertar milhões na Venezuela; veja

Publicado 02/07/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O sistema de alerta sísmico do Google enviou automaticamente a notificação ao utilizar os sensores dos smartphones Android para identificar o início de um terremoto e avisar a população em questão de segundos.
  • A rapidez do aviso chamou atenção porque ele não dependeu de uma confirmação prévia das autoridades.
  • Quando um celular parado detecta uma vibração compatível com uma onda sísmica, ele envia um sinal anônimo aos servidores do Google.
Google usou celulares Android para detectar terremoto e alertar milhões na Venezuela; veja

Foto: Divulgação/Google

Google usou celulares Android para detectar terremoto e alertar milhões na Venezuela; veja

Milhões de venezuelanos receberam um alerta de terremoto no celular antes de sentirem os tremores mais fortes. O sistema de alerta sísmico do Google enviou automaticamente a notificação ao utilizar os sensores dos smartphones Android para identificar o início de um terremoto e avisar a população em questão de segundos.

O episódio ocorreu após dois fortes terremotos atingirem o norte da Venezuela. Enquanto as ondas sísmicas ainda se propagavam pelo subsolo, milhões de aparelhos exibiram uma mensagem alertando sobre a possibilidade de tremores e informando a magnitude estimada do evento.

A rapidez do aviso chamou atenção porque ele não dependeu de uma confirmação prévia das autoridades. O próprio sistema do Google detectou as primeiras vibrações e iniciou o envio das notificações automaticamente.

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Como o celular vira um detector de terremotos

Segundo o El País, o funcionamento é relativamente simples: acelerômetros, sensores de inclinação e recursos de localização presentes nos smartphones monitoram movimentos incomuns do aparelho.

Quando um celular parado detecta uma vibração compatível com uma onda sísmica, ele envia um sinal anônimo aos servidores do Google. Se milhares de aparelhos próximos registram o mesmo padrão ao mesmo tempo, os algoritmos concluem que um terremoto pode estar acontecendo.

A partir daí, o sistema calcula a localização aproximada do epicentro, estima a magnitude inicial e alerta as pessoas que estão nas regiões onde os tremores mais intensos ainda devem chegar.

A rede de celulares Android funciona como uma enorme malha de sensores espalhados pelo território, complementando os sistemas tradicionais de monitoramento sísmico.

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Google lançou a tecnologia de alerta em 2021

O sistema de alerta sísmico do Android começou a operar em 2021, inicialmente na Grécia e na Nova Zelândia. Desde então, o Google expandiu a tecnologia para 98 países. Em março de 2024, a empresa já havia enviado alertas para 1.279 terremotos com magnitude superior a 4,5.

Segundo o Google, a precisão das estimativas melhorou ao longo do tempo e passou a se equiparar, ou até superar ligeiramente, a margem de erro dos sistemas nacionais de alerta utilizados nos Estados Unidos e no Japão.

Por que apenas celulares Android receberam o alerta

Os alertas foram enviados apenas para celulares Android porque o sistema faz parte do próprio sistema operacional desenvolvido pelo Google.

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Desde 2021, a empresa passou a ativar esse recurso por padrão nos novos aparelhos Android, transformando milhões de smartphones em uma rede de detecção sísmica.

Já os iPhones não contam com essa tecnologia integrada. Segundo o El País, usuários da Apple podem recorrer ao aplicativo MyShake, criado pela equipe do sismólogo Richard Allen, mas a ferramenta oferece todas as suas funcionalidades apenas na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Sistema do Google ainda enfrenta limitações

Apesar dos avanços, o sistema de alerta sísmico do Google não é infalível. Segundo a empresa, o algoritmo já emitiu três alertas falsos, provocados por duas tempestades e pelo envio em massa de uma notificação que fez muitos celulares vibrarem ao mesmo tempo.

Além disso, a tecnologia tem limitações para detectar terremotos que ocorrem em alto-mar, já que os sensores dos smartphones alcançam áreas entre 100 e 200 quilômetros da costa. O sistema também perde eficiência em regiões pouco povoadas, onde não há celulares suficientes para confirmar rapidamente um evento sísmico.

Outro ponto fraco foi observado durante os terremotos que atingiram a Turquia e a Síria em 2023. Na ocasião, o sistema subestimou a magnitude do desastre, evidenciando que a tecnologia ainda pode apresentar falhas em eventos de grande escala.

Brasil adota tecnologia diferente

O Brasil utiliza uma tecnologia diferente para avisar a população sobre situações de emergência. O sistema Defesa Civil Alerta envia mensagens diretamente para os celulares por meio da tecnologia Cell Broadcast, que transmite notificações para todos os aparelhos conectados às antenas de telefonia de uma determinada região.

Ao contrário do modelo do Google, o sistema brasileiro não detecta terremotos pelos sensores do celular. As autoridades disparam as mensagens em casos de chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e outros riscos à população.

Leia também: Alerta falso da Defesa Civil com ‘misantropia’ atinge celulares e é investigado no Brasil; veja

O serviço ganhou destaque recentemente após um episódio de alerta falso. Milhões de brasileiros receberam mensagens indevidas com a palavra “misantropia”. Após o incidente, o governo retirou temporariamente a plataforma do ar e iniciou uma investigação para apurar uma possível invasão ao sistema.

A Defesa Civil informou que o sistema disparou dez alertas falsos durante o incidente e reforçou que continua utilizando o sistema oficial para avisos de emergência em todo o país.

Embora utilizem tecnologias diferentes, o sistema do Google e o da Defesa Civil brasileira têm o mesmo objetivo: alertar a população rapidamente em situações de risco. Com isso, o celular se tornou uma ferramenta importante para ampliar a resposta a emergências.

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