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Governo colombiano decreta emergência econômica e enfrenta desafios logísticos e políticos após tremor

Publicado 14/08/2026 • 09:47 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O chefe da agência de resposta a desastres da Colômbia prometeu encontrar centenas de pessoas que continuam desaparecidas após um forte terremoto.
  • Equipes de resgate procuravam sobreviventes entre os escombros na manhã desta sexta-feira, depois do fim do período considerado crítico para salvar vidas.
  • O terremoto mais forte a atingir a Colômbia neste século devastou as cidades de Cali e Pereira, no oeste do país, e destruiu quase 13 mil casas em toda a região.

Foto: AFP

O chefe da agência de resposta a desastres da Colômbia prometeu encontrar centenas de pessoas que continuam desaparecidas após um forte terremoto, enquanto equipes de resgate procuravam sobreviventes entre os escombros na manhã desta sexta-feira, depois do fim do período considerado crítico para salvar vidas.

O terremoto mais forte a atingir a Colômbia neste século devastou as cidades de Cali e Pereira, no oeste do país, e destruiu quase 13 mil casas em toda a região produtora de café e ao longo da costa.

O tremor, de magnitude 7,4, ocorreu na segunda-feira e deixou 281 mortos e quase 4 mil feridos, segundo o presidente Abelardo de la Espriella. Outras 379 pessoas continuavam desaparecidas.

As equipes de resgate tinham poucas esperanças de encontrar mais sobreviventes, que normalmente são localizados nas primeiras 72 horas após um terremoto.

David Tamayo, chefe da agência colombiana de resposta a desastres, reconheceu que a “probabilidade de encontrar sobreviventes vai diminuir”.

“Mas nosso compromisso é nunca parar de procurar… A ordem é não descansar até encontrarmos todas as pessoas desaparecidas”, afirmou em um vídeo publicado pela agência na noite de quinta-feira.

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Em Cali, muitas famílias que perderam suas casas buscaram abrigo em acampamentos improvisados montados em ruas e parques.

Maria del Carmen Rodriguez, de 72 anos, perdeu o apartamento pelo qual havia economizado durante toda a vida.

Segurando uma xícara de café, ela observava sua casa destruída do campo de futebol onde passou a dormir com o marido, de 76 anos.

“Estamos nos perguntando a que tipo de ajuda temos direito, se vão nos transferir para algum outro lugar, porque isso vai durar muito tempo”, disse ela à AFP.

“Perdi minha casa”

De la Espriella declarou o desastre como uma “emergência econômica” e anunciou três dias de luto nacional.

“Faremos o que for necessário”, afirmou o presidente recém-empossado, prometendo que o país vai “se reerguer novamente como nação e como sociedade”.

Javier Alzate, um psicólogo de 79 anos, tentava remover telhas e pedaços de escombros que bloqueavam o acesso à sua casa danificada em Pereira.

“É muito angustiante. Muito triste. Você trabalha 40 ou 50 anos para comprar uma casinha, passa todo esse tempo lutando para conseguir. Finalmente consegue e, poucos dias depois, ela desaparece”, afirmou Alzate. “Perdi minha casa e meu carro.”

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A empobrecida região de Chocó, na costa do Pacífico, também foi duramente atingida, e algumas de suas comunidades remotas ainda não haviam sido avaliadas pelas autoridades.

Na vizinha região de Valle del Cauca, a governadora Dilian Francisca Toro afirmou que as autoridades estavam fazendo um levantamento das casas danificadas e destruídas para determinar quais imóveis ainda poderiam ser ocupados.

“Temos que começar a trabalhar porque as pessoas simplesmente não conseguem mais continuar nas ruas”, afirmou.

“As pessoas estão nos dizendo: ‘Se vocês nos derem os materiais, nós mesmos faremos o trabalho’”, disse Toro, descrevendo planos para esforços de reconstrução conduzidos pelas próprias comunidades.

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“Não estamos sozinhos”

Muitos colombianos se mobilizaram para ajudar, levando água, alimentos e suprimentos aos bairros afetados. Longas filas também se formaram em frente aos centros de doação de sangue.

“As vítimas do terremoto não estão sozinhas; essa é a mensagem que queremos transmitir”, afirmou Laura Mendoza, voluntária de 47 anos que organiza doações na capital, Bogotá, à AFP.

“Estamos aqui dando o que podemos para que elas tenham pelo menos o básico”, disse.

Em Cali, um músico passou a oferecer abraços a quem precisasse de apoio emocional.

“Estamos passando por um trauma coletivo, e acho que a melhor maneira de ajudar que encontrei foi oferecer a energia que tenho e a vitalidade que ainda me resta”, afirmou Andres Solomon, de 46 anos, à AFP.

A Colômbia se preparava para receber equipes internacionais de busca e resgate urbano dos Estados Unidos, de El Salvador, do Equador e de Israel, segundo as autoridades responsáveis pela resposta ao desastre.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na quinta-feira que a Colômbia havia recusado a entrada de equipes mexicanas de resgate sob a alegação de que elas não possuíam a certificação adequada.

O governo de De la Espriella enfrenta críticas por supostamente bloquear equipes de resgate de países com governos de esquerda, mas nega a acusação.

Leia mais: Terremoto na Colômbia já deixou 224 mortos e mais de 3 mil desaparecidos

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