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Líbano e Israel retomam negociações em Roma sob mediação dos EUA

Publicado 14/07/2026 • 06:49 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O Líbano e Israel realizam novas negociações sob mediação dos Estados Unidos.
  • Encontro ocorre em meio a uma nova escalada de tensões regionais entre Washington e Teerã, que voltaram a trocar ataques na última semana.
  • Após cinco rodadas de conversas, as duas nações alcançaram um acordo para encerrar a guerra entre Israel e o Hezbollah.
Israel e Líbano

Foto: Canva

O Líbano e Israel realizam novas negociações nesta terça-feira (14), em Roma, sob mediação dos Estados Unidos. O encontro ocorre em meio a uma nova escalada de tensões regionais entre Washington e Teerã, que coloca à prova os esforços diplomáticos entre os dois países vizinhos, oficialmente em guerra há décadas.

Em 26 de junho, após cinco rodadas de discussões em Washington, as duas nações alcançaram um acordo de base com o objetivo de encerrar a guerra entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, pavimentando o caminho para a paz.

No entanto, o tratado enfrenta forte resistência interna: o Hezbollah rejeita o acordo, que prevê o desarmamento do grupo e cuja implementação deve começar com a retirada das tropas israelenses de duas “zonas-piloto” localizadas no sul do Líbano.

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Diante do impasse, a presidência libanesa anunciou na segunda-feira que orientou sua delegação em Roma a “exigir o início imediato da retirada das forças israelenses das duas zonas-piloto antes de qualquer outra discussão”.

De acordo com uma fonte diplomática libanesa que acompanha os diálogos, o exército do Líbano está preparado para assumir gradualmente o controle das localidades evacuadas pelas forças de Israel.

Do lado israelense, há disposição para uma retirada gradual, mas sob condições estritas. Segundo a analista Orna Mizrahi, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) em Tel Aviv, a desocupação depende da garantia de “que não haverá presença do Hezbollah nas áreas de onde Israel se retirar” e de que o exército libanês terá capacidade para “manter a região como uma zona neutralizada onde o Hezbollah não possa retornar”.

Como parte desses esforços, uma delegação militar dos EUA iniciou discussões em Beirute no último sábado para tratar do processo de retirada em uma das zonas-piloto.

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Perspectivas limitadas e tensões geopolíticas

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O acordo de base foi firmado após a entrada em vigor de um cessar-fogo frágil. Apesar disso, a mídia oficial libanesa relata que o exército israelense continua realizando ataques limitados no sul do país e demolições em vilas ocupadas.

Desde o início do conflito, em março, os bombardeios e a invasão terrestre israelense deixaram mais de 4,3 mil mortos, segundo dados das autoridades libanesas.

Especialistas demonstram ceticismo quanto aos resultados do encontro na capital italiana. “As chances de um avanço em Roma são bastante limitadas”, avalia Karim Bitar, professor da Sciences Po Paris. Para ele, a reunião serve principalmente como “uma oportunidade de mostrar que o processo continua de pé (…) e que as negociações prosseguem apesar da oposição e dos obstáculos que começam a surgir”.

O cenário regional também é complexo. O Irã havia condicionado o cessar-fogo no Líbano à assinatura de um memorando de entendimento com os EUA em 17 de junho.

Leia também: Em visita ao sul do Líbano, chefe do exército de Israel promete resposta ‘decisiva’ se cessar-fogo for violado

Contudo, a região registrou uma escalada recente com a realização da terceira noite consecutiva de ataques norte-americanos contra posições iranianas, antecedendo a reimposição do bloqueio naval aos portos do Irã programada para esta terça-feira.

De acordo com Mizrahi, do INSS, Teerã busca vincular as negociações da guerra regional ao Líbano, enquanto Israel tenta desconectar os temas. A analista aponta que as prioridades atuais do governo iraniano são o Estreito de Ormuz e o seu programa nuclear, utilizando o território libanês como pretexto. O Hezbollah envolveu diretamente o Líbano no conflito em 2 de março, quando passou a disparar mísseis contra Israel em apoio ao Irã.

Embora o risco de retomada de combates em larga escala no Líbano não seja desprezível, Bitar acredita que o Irã agirá com cautela antes de ordenar novas ofensivas do Hezbollah contra Israel.

A estratégia de Teerã, segundo o cientista político, é preservar o grupo armado como uma ferramenta de dissuasão de longo prazo, evitando desgastá-lo de forma imediata na abertura de uma nova frente de combate.

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