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Muito além do bacalhau: o que Brasil e Noruega têm em comum além do amor pelo peixe e o futebol

Publicado 05/07/2026 • 13:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Os números mostram que, apesar da distância geográfica, brasileiros e noruegueses construíram uma parceria que vai muito além do futebol.
  • 2025, Mato Grosso importou da Noruega principalmente fertilizantes, produto essencial para a agricultura brasileira.
  • O Brasil é hoje o segundo maior mercado mundial para o bacalhau norueguês, atrás apenas de Portugal.
Bandeira Brasil e Noruega

Foto: Reprodução Canva Images

Muito além do bacalhau: o que Brasil e Noruega têm em comum além do amor pelo peixe e futebol

Enquanto Brasil e Noruega entram em campo neste domingo (5), em busca de uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo de 2026, a rivalidade ficará restrita no mundo do futebol.

Fora dos gramados, os dois países mantêm uma relação marcada pelo comércio, investimentos e cooperação em setores estratégicos como energia, petróleo, transporte marítimo e agronegócio.

Os números mostram que, apesar da distância geográfica, brasileiros e noruegueses construíram uma parceria que vai muito além do futebol e do tradicional bacalhau.

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Brasil exporta soja e carne para a Noruega

Os dados mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revelam que Mato Grosso segue exportando principalmente produtos ligados ao agronegócio para a Noruega.

Entre janeiro e dezembro de 2026, considerando os dados disponíveis até maio pelo Comex Stat, o estado exportou US$ 27,3 milhões em sementes e frutos oleaginosos, grupo que inclui a soja, com embarque de mais de 63,8 milhões de quilos.

Outro destaque foi o segmento de carnes e miudezas comestíveis, responsável por US$ 1,64 milhão em vendas e cerca de 120 mil quilos enviados ao mercado norueguês.

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No mesmo período de 2025, a soja também liderou as exportações de Mato Grosso para a Noruega, somando US$ 44 milhões e mais de 104,7 milhões de quilos. As vendas de carnes alcançaram US$ 668 mil.

Para o especialista em comércio de exterior e CEO da Saygo, Thiago Oliveira, existe espaço para ampliar ainda mais essa relação comercial.

“Vejo um potencial muito relevante, principalmente porque Brasil e Noruega têm economias complementares. O Brasil é muito forte em alimentos, commodities agrícolas, minerais, café, energia e produtos industriais. A Noruega, por outro lado, tem grande experiência em energia, petróleo, gás, tecnologia marítima, pescados, fertilizantes e soluções sustentáveis.”

Segundo ele, a complementaridade entre as economias favorece novos negócios.

“Os dois países não competem em tudo. Em muitos setores, eles se complementam. Isso cria uma oportunidade real para ampliar negócios nos próximos anos, desde que as empresas brasileiras estejam preparadas para atender padrões técnicos, ambientais e regulatórios mais exigentes.”

Fertilizantes fazem o caminho inverso

A parceria comercial também acontece no sentido contrário. Em 2025, Mato Grosso importou da Noruega principalmente fertilizantes, produto essencial para a agricultura brasileira.

As compras chegaram a quase US$ 4 milhões, com mais de 10,3 milhões de quilos desembarcados no estado. Também houve importações de pequenas quantidades de plásticos e equipamentos mecânicos.

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Essa complementaridade ajuda a explicar a relação entre os dois países. Enquanto o Brasil fornece alimentos e matérias-primas agrícolas, a Noruega participa do fornecimento de insumos importantes para manter a produtividade do campo.

Energia aproxima Brasil e Noruega

A relação entre Brasil e Noruega vai além das trocas comerciais. Os governos dos dois países identificam diversas áreas de interesse comum, especialmente no setor de energia.

De acordo com o governo norueguês, ambos possuem produção relevante de petróleo e gás natural, ao mesmo tempo em que ampliam investimentos em fontes renováveis, como hidrelétricas, energia solar e eólica.

Na avaliação do governo norueguês, o Brasil ocupa posição estratégica na transição energética mundial. O crescimento da produção de petróleo, aliado ao avanço de projetos de baixo carbono, cria oportunidades para empresas dos dois países trabalharem em conjunto.

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A cooperação também inclui pesquisas sobre captura e armazenamento de carbono, desenvolvimento de energia eólica offshore e novas tecnologias para reduzir emissões.

Mar conecta economias

Outro elo importante está no setor marítimo. O Brasil é considerado um dos mercados mais relevantes para empresas norueguesas de navegação, principalmente aquelas ligadas à indústria de petróleo e gás.

Segundo a estratégia do governo da Noruega para o Brasil, aproximadamente uma em cada quatro embarcações que operam na plataforma continental brasileira é controlada por empresas norueguesas.

O avanço da energia eólica offshore também amplia esse mercado, já que a construção e a manutenção de parques eólicos no mar dependem de embarcações especializadas e tecnologia desenvolvida por empresas norueguesas.

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Para Thiago Oliveira, a logística é um dos fatores decisivos para que essa parceria continue crescendo.

“A distância entre Brasil e Noruega não impede negócios, mas exige mais planejamento. Quem domina a logística consegue competir melhor, mesmo em mercados distantes. Hoje, logística não é apenas transporte. É inteligência de operação.”

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O especialista ressalta que o planejamento logístico influencia diretamente a competitividade das empresas.

“A empresa precisa saber quanto custa vender, entregar, receber e se proteger de oscilações cambiais. Também precisa ter visibilidade da cadeia, acompanhar embarques, antecipar gargalos e trabalhar com parceiros confiáveis.”

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Muito além do bacalhau

Se para muitos brasileiros a Noruega é lembrada pelo bacalhau, a relação entre os dois países é bem mais ampla.

O Brasil é hoje o segundo maior mercado mundial para o bacalhau norueguês, atrás apenas de Portugal. Em 2024, esse produto respondeu por quase toda a exportação de pescados da Noruega para o mercado brasileiro.

Nos últimos anos, os dois governos também avançaram nas negociações para ampliar o comércio de outros produtos do mar. Foram firmados entendimentos que abriram caminho para a exportação de salmão e arenque noruegueses ao Brasil, fortalecendo ainda mais essa parceria.

Empresas e investimentos fortalecem a parceria

A Noruega considera o Brasil um dos seus principais destinos para investimentos na América Latina.

Empresas norueguesas atuam em áreas como petróleo, energia renovável, mineração, indústria de transformação e transporte marítimo.

O país europeu também mantém estruturas permanentes de apoio às empresas que operam no Brasil, oferecendo assistência técnica, comercial e institucional.

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Além disso, Brasil e Noruega mantêm diálogo constante para ampliar investimentos, reduzir barreiras comerciais e fortalecer acordos voltados ao desenvolvimento sustentável.

Na avaliação de Thiago Oliveira, acordos comerciais desempenham papel decisivo para acelerar essa integração.

“Acordos comerciais são fundamentais porque reduzem barreiras, aumentam a segurança jurídica e tornam as operações mais competitivas. Quando há regras mais claras, redução de tarifas e simplificação de processos, as empresas conseguem planejar melhor, precificar com mais precisão e assumir contratos de longo prazo com menos risco.”

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Ele acrescenta que o impacto vai além das grandes empresas.

“Um acordo bem desenhado diminui o custo da operação, facilita o desembaraço, melhora o ambiente de negócios e pode abrir espaço também para pequenas e médias empresas que têm produtos competitivos, mas ainda esbarram em burocracia e falta de informação para exportar.”

Ele conclui que o principal ganho vai além do aumento das exportações e importações.

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“O maior ganho não está apenas no aumento do volume comercial. Está na possibilidade de construir uma relação mais sofisticada, com investimento, tecnologia, financiamento, logística e contratos de médio e longo prazo. É isso que transforma comércio em parceria econômica.”

Novo acordo entre Brasil e Noruega

Outro avanço na relação econômica entre os dois países ocorreu com a promulgação do Decreto nº 12.406, de 13 de março de 2025, que oficializou a Convenção entre Brasil e Noruega para eliminar a dupla tributação sobre a renda e prevenir a evasão e a elisão fiscais.

A medida formalizou um acordo firmado pelos dois governos em 2022 e aprovado pelo Congresso Nacional em 2024.

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Na prática, a convenção cria um ambiente de maior previsibilidade para empresas e investidores que atuam nos dois mercados.

O objetivo é evitar que uma mesma renda seja tributada simultaneamente nos dois países, além de fortalecer a cooperação entre as administrações tributárias e reduzir entraves para novos negócios.

O acordo também reforça a intenção de Brasil e Noruega de ampliar as relações econômicas de longo prazo. A convenção afirma que os dois governos buscam desenvolver suas relações econômicas e fortalecer a cooperação em matéria tributária, estabelecendo regras para combater a evasão e a elisão fiscais sem criar oportunidades de dupla não tributação.

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Brasil e Noruega compartilham uma parceria comercial que movimenta bilhões, aproxima empresas e fortalece setores considerados estratégicos para as duas economias.

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