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FMI: expectativas de inflação bem ancoradas devem ajudar América Latina no choque de petróleo

Publicado 26/05/2026 • 10:36 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Expectativas de inflação bem ancoradas na América Latina devem ajudar a amortecer os efeitos da alta do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio.
  • De acordo com o documento, embora as previsões de inflação na América Latina continuem, em média, mais distantes da meta do que nas economias avançadas, a dispersão das expectativas é semelhante nos dois grupos.
  • Para o FMI, isso é compatível com a percepção de autoridades econômicas confiáveis, que atuam dentro de normas e limites institucionais.
Uma vista externa do prédio do Fundo Monetário Internacional (FMI), com o logotipo do FMI, em 27 de março de 2020, em Washington, D.C. A pandemia do coronavírus levou a economia global a uma recessão que exigirá um financiamento maciço para ajudar os países em desenvolvimento, disse a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, em 27 de março de 2020.

Olivier DOULIERY/AFP

"Expectativas bem ancoradas ajudam a limitar a transmissão de altas nos preços da energia e de outras commodities", afirma o FMI.

Expectativas de inflação bem ancoradas na América Latina – resultado de avanços obtidos pelos bancos centrais da região ao longo do tempo e que reforçam a resiliência a choques externos – devem ajudar a amortecer os efeitos da alta do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio, segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Expectativas bem ancoradas ajudam a limitar a transmissão de altas nos preços da energia e de outras commodities para os preços em geral, pois ninguém espera que essas elevações temporárias se traduzam em inflação mais elevada no futuro”, diz o relatório, publicado nesta terça-feira (26).

Leia também: FMI alerta que ataques cibernéticos com IA podem ameaçar estabilidade financeira global

De acordo com o documento, embora as previsões de inflação na América Latina continuem, em média, mais distantes da meta do que nas economias avançadas, a dispersão das expectativas é semelhante nos dois grupos. Para o FMI, isso é compatível com a percepção de autoridades econômicas confiáveis, que atuam dentro de normas e limites institucionais.

O fundo, porém, alerta que essa credibilidade conquistada “a duras penas” pode ser perdida com facilidade. O estudo concluiu que uma política monetária mais restritiva do que o esperado gera ganhos modestos na ancoragem – de forma moderada e com algum atraso. Já uma política mais expansionista do que o previsto tende a produzir efeitos negativos bem mais fortes, levando as expectativas a se descolar da meta.

Leia também: Guerra no Oriente Médio pode travar queda da inflação global, diz Durigan em reunião do FMI

Para o FMI, países como Brasil, Chile e Argentina ilustram como mudanças na política monetária afetam as expectativas e trazem lições importantes. O regime monetário mais adequado depende do contexto: metas de inflação podem não ser a opção ideal quando a inflação é muito alta, embora sejam, em geral, um componente-chave de políticas voltadas à estabilidade. Isso, no entanto, não significa que o regime de metas exija uma conjuntura “perfeitamente tranquila” para ser implementado. Para o FMI, um amplo apoio institucional é essencial em quase todos os casos.

Leia mais: FMI alerta para gravidade da crise global, mas pede cautela diante de choques energéticos

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