Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Secas se intensificam pelo mundo e entram no centro das discussões da COP17
Publicado 16/08/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora
Bolsas europeias superam mitos de crise e Stoxx 600 acumula 10% de ganhos, pouco abaixo do S&P 500, aponta Goldman Sachs
Reserva estratégica de petróleo dos EUA cai a nível que preocupa especialistas
Rússia ataca maior siderúrgica da Ucrânia e Kiev atinge infraestrutura logística nos arredores de Moscou
O boom da infraestrutura de I.A está cada vez mais alavancado e mais difícil de acompanhar
Grupo com Jeff Bezos e o bilionário brasileiro Eduardo Saverin compra 30% do Liverpool F.C.
Publicado 16/08/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Alex Pazuello / Secom
Um indigena observa o leito do Rio Amazonas em Tefé (AM) praticamnete seco, em 2023
A intensificação das secas em diferentes partes do planeta, inclusive em regiões antes consideradas menos vulneráveis, estará no centro das discussões da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). O encontro começa nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, e segue até 28 de agosto, diante de um cenário em que a frequência e a duração desses eventos aumentaram quase 30% desde 2000.
Dados da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) mostram que o problema tende a ganhar dimensão ainda maior nas próximas décadas. As projeções indicam que três em cada quatro pessoas poderão ser afetadas por secas até 2050, enquanto a demanda mundial por água pode superar a oferta em até 40% já em 2030.
Para a secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, o desafio agora está em transformar o reconhecimento do problema em medidas de prevenção. “A questão já não é reconhecer a seca como um risco global, mas agir cedo o suficiente para evitar que seus impactos se espalhem pelas comunidades, economias e fronteiras”, afirmou à Agência Brasil.
Leia também: Sánchez critica “negacionismo climático” por conta de incêndios florestais na Espanha
Seca avança pelo Brasil
O cenário brasileiro também reforça a preocupação que será levada à COP17. Em julho de 2026, todas as cinco regiões do país tiveram registros de seca em diferentes níveis de intensidade. Pelo menos 157 municípios chegaram à classificação de “seca severa”, caracterizada por forte redução da umidade do solo, estresse hídrico da vegetação e perdas agrícolas.
O acompanhamento é realizado pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), além dos boletins mensais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Segundo o coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Antonio Marengo, a combinação entre menos precipitação e temperaturas mais elevadas tende a ampliar o problema. “O que observamos em todo o país é uma tendência de ressecamento. Vemos a diminuição dos totais de chuvas e o aumento da temperatura”, explicou. Para ele, o desequilíbrio entre precipitação e evaporação aumenta o risco de agravamento das secas nos próximos meses.
O fenômeno não está restrito ao Brasil. O Observatório Global da Seca apontou temperaturas acima da média e uma onda de calor prolongada na Europa em julho. Condições de seca mais intensas também são observadas em países da África, Oriente Médio, Ásia e Europa.
Leia também: Incêndios florestais avançam sem controle e sobrecarregam bombeiros na França e na Espanha
Entre as áreas afetadas estão Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Hungria e Romênia, além de países como Sudão, Etiópia, Zâmbia, Madagascar, Irã, Omã, Cazaquistão, China e Filipinas.
As secas podem se manifestar de maneiras distintas. A meteorológica ocorre quando as chuvas permanecem abaixo da média por períodos prolongados, enquanto a agrícola reduz a disponibilidade de umidade para plantas, afetando lavouras e pastagens. Já a hidrológica compromete rios, reservatórios e aquíferos, com consequências para abastecimento, geração de energia, navegação e biodiversidade.
O diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Pires, afirma que o fenômeno não pode mais ser tratado como um problema restrito a determinadas áreas do país. “Se pegarmos dados do Cemaden, que faz o monitoramento das secas no Brasil, nos últimos 30 anos, nós tivemos secas severas nas cinco macrorregiões do país”, ressaltou.
Apesar da abrangência nacional, algumas áreas permanecem mais vulneráveis. Pires cita o Nordeste e o Norte de Minas Gerais e lembra que, entre 2012 e 2017, uma forte seca no semiárido comprometeu reservas hídricas e a disponibilidade de alimento para os animais.
Leia também: Trump volta a pressionar Canadá e cobra indenização por fumaça de incêndios florestais
Os impactos também são desiguais entre a população. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares, cuja sobrevivência depende diretamente dos recursos naturais, estão entre os grupos mais expostos.
Mesmo concentrando a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do mundo, a Amazônia passou a registrar eventos extremos. Em 2023 e 2024, rios de diversos municípios alcançaram os menores níveis já registrados, deixando comunidades isoladas, interrompendo o transporte fluvial e dificultando o abastecimento de alimentos e medicamentos.
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) alertou para esses efeitos em boletim divulgado no fim do ano passado. “O que vivenciamos não foi uma estiagem isolada, mas um colapso ambiental em curso”, afirmou na ocasião o coordenador-geral da entidade, Toya Manchineri.
Leia também: El Niño: chance de evento muito forte dispara a 95% e preocupa pelo impacto no Brasil
Segundo ele, os efeitos já fazem parte da rotina das populações amazônicas. “Quando o rio seca, o peixe desaparece, o barco não chega e a floresta, antes úmida, passa a queimar”, destacou.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCDados mais recentes do Cemaden mostram uma rápida deterioração do quadro. O número de territórios indígenas atingidos por seca severa saltou de três em junho para 17 em julho, com agravamento nos distritos sanitários especiais indígenas de Alto Rio Negro (AM), Parintins (AM), Kaiapó do Pará (PA), Tocantins (TO) e Araguaia (MT e TO).
Nos assentamentos rurais, as áreas sob seca extrema aumentaram de duas para 44, enquanto aquelas afetadas por seca severa passaram de 102 para 309. Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram a maior parcela das áreas atingidas.
Além de mais frequentes e intensas, as estiagens também vêm apresentando mudanças em sua duração. O pesquisador Humberto Alves Barbosa, coordenador e fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), chama atenção para as chamadas secas-relâmpago.
Esses episódios se desenvolvem rapidamente e costumam ocorrer durante o verão, associados à elevação das temperaturas. “Essas secas costumam ocorrer durante o verão, acompanhadas de aumento do calor, com início rápido e forte intensidade”, explicou Barbosa.
Apesar de durarem apenas dias ou semanas, os efeitos podem ser expressivos. Segundo o pesquisador, a combinação de perda de cobertura vegetal e temperaturas mais altas durante esses episódios contribui para agravar a aridez.
As preocupações para os próximos meses são reforçadas pela perspectiva de intensificação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e capaz de modificar a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas em diferentes regiões.
As projeções mais recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam fortalecimento do fenômeno entre agosto e outubro de 2026. São esperadas condições mais secas que o normal principalmente na Índia e em partes do sul da Ásia, Austrália Meridional e Oriental, América Central e Caribe, Noroeste da América do Sul e Norte da Europa.
Leia também: Por que a seca nos rios da Europa preocupa governos e indústrias?
No Brasil, Barbosa alerta para possíveis efeitos especialmente no Norte, Nordeste e em áreas do Centro-Oeste. “Historicamente, um El Niño de intensidade muito forte está associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas” nessas regiões, afirmou. Segundo ele, o fenômeno pode afetar tanto a umidade do solo quanto a vazão dos rios, aumentando a vulnerabilidade a secas prolongadas, secas-relâmpago e queimadas.
As consequências também podem atingir a oferta mundial de alimentos. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) estima que os impactos climáticos associados ao El Niño podem agravar a insegurança alimentar em 45 países.
Caso as projeções se confirmem, a população em situação de insegurança alimentar aguda poderá aumentar de cerca de 225 milhões para 275 milhões de pessoas, com os maiores avanços esperados na América Central, América do Sul, Caribe e Sul da África.
Leia também: Governança climática deixa de ser pauta ambiental e vira estratégia de negócios
Diante desse cenário, a discussão internacional tem se deslocado da simples reação às emergências para a tentativa de antecipar e reduzir os impactos das secas. Entre as medidas defendidas estão investimentos em monitoramento, sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão integrada dos recursos hídricos e fortalecimento da capacidade de adaptação das populações.
Alexandre Pires avalia que essa abordagem deverá ganhar espaço nas negociações da COP17. Ele destaca a atuação da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), iniciativa da qual o Brasil participa desde 2024.
“A expectativa é que essa articulação influencie as negociações e estimule os países a investir mais recursos para enfrentar as secas, porque esse é um problema que precisa ser tratado antes de virar uma emergência ainda maior”, afirmou.
Leia também: xAI: como funciona o processo de aprovação ambiental nos Estados Unidos
Criada durante a COP27 do Clima, em 2022, a IDRA reúne governos e organizações internacionais e busca ampliar a cooperação, o compartilhamento de informações e os investimentos em medidas de adaptação às secas.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Terremoto de magnitude 5,3 atinge Espanha e região da ilha de Flores; veja imagens
2
Casas Bahia planeja cortar 30% do quadro e fechar mais lojas
3
Lotofácil 3762 tem dois ganhadores; cada um leva R$ 2,25 milhões
4
Casas Bahia divulga balanço com prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre
5
Homem é multado em mais de US$ 5 mil após usar buzina de barco para acordar urso-polar