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Sem maioria em Israel, Netanyahu e oposição enfrentam quatro caminhos para formar governo
Publicado 30/10/2026 • 17:07 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 30/10/2026 • 17:07 | Atualizado há 42 minutos
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O resultado das eleições legislativas de Israel abriu uma disputa de negociações entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder oposicionista Gadi Eisenkot. Embora os dois campos tenham garantido representação expressiva, nenhum conquistou os 61 votos necessários para controlar o Knesset, Parlamento de 120 cadeiras.
A coalizão ligada a Netanyahu reúne 53 deputados, enquanto a oposição de Eisenkot soma 48. Os partidos de maioria árabe, com 19 assentos, passaram a ocupar posição decisiva na definição do próximo governo, em meio a divergências que atravessam os próprios blocos.
Leia também: Bloco de Netanyahu lidera eleição em Israel, mas fica sem maioria no Parlamento
As conversas podem levar semanas e exigir concessões que contrariam compromissos assumidos na campanha. Sem um entendimento, o país corre o risco de repetir um ciclo de eleições sucessivas; enquanto isso, Netanyahu continua à frente do governo em caráter interino.
A alternativa numericamente mais direta para Eisenkot seria buscar os partidos árabes: juntos, os dois grupos alcançariam 67 cadeiras. Esse apoio poderia resultar em uma coalizão formal ou sustentar um governo minoritário, sem participação das legendas árabes no gabinete.
O obstáculo é político. Aliados judeus de Eisenkot resistem a essa aproximação, em parte pelas diferenças sobre a questão palestina. Os cidadãos árabes de Israel representam cerca de um quinto da população e mantêm vínculos históricos e culturais com os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
Aceitar o apoio das siglas árabes poderia permitir à oposição retirar Netanyahu do poder, mas também exporia Eisenkot a críticas de parte de sua base eleitoral. A possibilidade depende de negociações que vão além da simples soma de cadeiras.
Leia também: Presidente de Israel tenta evitar nova eleição após impasse entre Netanyahu e oposição
Outro cenário seria a formação de um governo de unidade entre Netanyahu e setores da oposição, incluindo Eisenkot e aliados de direita. Uma composição desse tipo também poderia chegar a 67 deputados e deixar de fora tanto os partidos árabes quanto legendas judaicas ultranacionalistas e ultraortodoxas.
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Siga o Times | CNBCPara isso, porém, Eisenkot teria de rever sua promessa de não governar com Netanyahu. O bloco oposicionista responsabiliza o premiê pelas falhas de segurança anteriores ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, critica sua relação com as instituições democráticas e menciona o processo de corrupção enfrentado por ele.
A criação de uma investigação oficial sobre os acontecimentos de 7 de outubro, defendida por eleitores da oposição, seria outro ponto de atrito. Um acordo de unidade teria de conciliar exigências que hoje separam os dois lados.
Leia também: Netanyahu acusa partidos árabes de fraude em eleições israelenses ainda indefinidas
Sem acordo amplo, Netanyahu pode procurar parlamentares e partidos dispostos a deixar a oposição. Entre os nomes observados estão os líderes de direita Naftali Bennett e Avigdor Lieberman, que compartilham posições nacionalistas, mas mantêm divergências antigas com o primeiro-ministro.
Ambos já se comprometeram a não integrar um governo liderado por Netanyahu. Ao mesmo tempo, suas posições sobre segurança e assentamentos israelenses na Cisjordânia tornam particularmente difícil uma parceria com os partidos árabes, o que complica as articulações do campo oposicionista.
O primeiro-ministro aposta na diversidade ideológica de seus adversários como possível ponto de fragilidade. Para avançar, contudo, precisaria convencer lideranças que transformaram a rejeição a seu governo em bandeira eleitoral.
Leia também: Como guerra e coalizões moldaram a eleição em Israel
Se nenhuma combinação reunir apoio suficiente, Israel poderá convocar outra eleição no início de 2027. Até que um novo governo seja formado, Netanyahu permanecerá no cargo de forma interina, prolongando a indefinição política.
O país já viveu situação semelhante: depois de um impasse em 2019, realizou cinco eleições em cerca de três anos e meio. O desafio agora é transformar a distribuição de cadeiras em uma maioria capaz de governar.
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