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Situação em Cuba começa a se assemelhar a um roteiro pré-conflito

Publicado 22/05/2026 • 11:00 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • A campanha de pressão do governo Trump contra Cuba parece ter entrado em uma nova fase.
  • Autoridades cubanas alertaram nas últimas semanas para a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA.
  • Trump já havia afirmado anteriormente que a Casa Branca poderia voltar sua atenção para Cuba após a guerra com o Irã.

ADALBERTO ROQUE / AFP

A situação de Cuba parece ter entrado em nova fase, levantando questionamentos sobre o objetivo final do governo Trump em relação à ilha.

A campanha de pressão dos Estados Unidos contra Cuba parece ter entrado em uma nova fase, levantando questionamentos importantes sobre o objetivo final do governo Trump em relação à ilha caribenha governada pelo regime comunista.

O Departamento de Justiça dos EUA tornou pública, na quarta-feira, uma denúncia contra o ex-presidente cubano Raul Castro, acusando-o de homicídio pela derrubada de dois aviões pelo Exército cubano em 1996. Castro, hoje com 94 anos, era ministro da Defesa na época do incidente.

A medida, anunciada em 20 de maio — data simbolicamente importante por marcar o nascimento oficial da República de Cuba — representou uma das maiores escaladas nas tensões entre Washington e Havana.

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O diretor do FBI, Kash Patel, classificou a acusação contra Castro e outras cinco pessoas como “um passo importante rumo à responsabilização”.

A ação faz parte de um esforço mais amplo do presidente Donald Trump para promover uma mudança de regime em Cuba. A estratégia inclui o endurecimento recente de sanções econômicas e uma iniciativa para implementar um bloqueio ao petróleo da ilha desde janeiro.

As medidas agravaram a crise econômica do país e colocaram Cuba diante do maior desafio desde o colapso da União Soviética. O ministro da Energia de Cuba, Vicente de la O Levy, afirmou na semana passada que a ilha esgotou seus estoques de petróleo e diesel, descrevendo a situação como “extremamente tensa”.

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Algumas autoridades cubanas passaram a alertar, nas últimas semanas, para a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos.

O cenário ocorre em meio a relatos da imprensa de que Cuba estaria ampliando seu arsenal com mais de 300 drones militares provenientes da Rússia e do Irã, potencialmente para uso contra alvos americanos. Paralelamente, também surgiram informações de que o governo Trump estaria realizando voos de coleta de inteligência próximos à costa cubana — repetindo um padrão observado antes de operações militares dos EUA na Venezuela e no Irã.

Antoni Kapcia, professor de História da América Latina da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, afirmou que sempre teve dúvidas de que uma ação militar direta esteja sendo realmente considerada pelos Estados Unidos.

“Mas em Cuba o Estado sempre tratou a ameaça militar como algo sério e se preparou para ela”, disse Kapcia à CNBC por e-mail.

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“O Pentágono mantém há muito tempo a visão de que uma ação militar resultaria em um número inaceitável de soldados americanos mortos. Isso parece explicar por que os EUA alternam momentos de aproximação e ameaça com Cuba — negociações de bastidores em um momento e ameaças de ação imediata no seguinte”, afirmou.

“Até agora, Trump falou abertamente em continuar utilizando medidas econômicas para sufocar o sistema, e é exatamente isso que está fazendo — é mais barato do que uma guerra e certamente torna a vida ainda mais difícil para os cubanos comuns”, acrescentou.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quinta-feira que Cuba representa uma “ameaça à segurança nacional” americana e sugeriu que a possibilidade de um acordo pacífico com Havana é “baixa”.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, classificou as declarações como “mentiras” e negou que Havana represente uma ameaça aos Estados Unidos.

O que vem a seguir para Cuba?

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel rejeitou na quarta-feira a denúncia contra Raul Castro, afirmando nas redes sociais que se trata de “uma manobra política, sem qualquer fundamento legal, destinada apenas a fortalecer um dossiê fabricado para justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba”.

No início da semana, Díaz-Canel já havia afirmado que as ameaças americanas de agressão militar contra Havana eram conhecidas e advertiu que, caso se concretizassem, “provocariam um banho de sangue com consequências incalculáveis”.

Trump já mencionou anteriormente a possibilidade de uma “tomada amigável” de Cuba e afirmou que a Casa Branca poderia direcionar sua atenção à ilha após a guerra com o Irã. O presidente americano também declarou que poderia fazer “o que quisesse” com o país e acrescentou que teria a “honra” de “assumir Cuba”.

Robert Munks, chefe de pesquisas para as Américas da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, afirmou que, embora as intenções exatas do governo Trump permaneçam pouco claras, a postura atual de Washington sugere menos uma ação direta imediata e mais uma estratégia baseada no aumento gradual da pressão.

“O maior risco existencial para Cuba não é uma intervenção estrangeira, mas se o Estado conseguirá manter as luzes acesas por tempo suficiente para permanecer no controle”, afirmou Munks à CNBC.

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“Embora as forças de segurança provavelmente consigam conter eventuais protestos no curto prazo, existe potencial para forte instabilidade caso novos apagões provoquem escassez ainda maior de alimentos e água.”

“A crescente crise humanitária em Cuba permanece como um fator imprevisível que ainda pode obrigar ambos os lados a improvisar respostas”, acrescentou.

Ele afirmou ainda que Cuba pode receber mais ajuda de países da região, como México e Uruguai, mas que o bloqueio americano continuará influenciando diretamente a vida cotidiana dos cubanos.

Alexander B. Gray, pesquisador sênior do Atlantic Council, afirmou que o objetivo final do governo Trump em relação a Cuba é claro:

“Deslegitimar o regime dos Castro e criar condições para mudanças internas no médio prazo que estejam mais alinhadas aos interesses dos Estados Unidos.”

“Esse interesse americano seria um governo em Havana alinhado às prioridades de segurança dos EUA e contrário à influência de rivais externos, como China e Rússia”, concluiu.

Leia mais: Trump diz que fará anúncio em breve sobre embargo de petróleo a Cuba

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